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Modernidade e tradição desumanizam em “Moneyboys”

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Modernidade e tradição desumanizam em “Moneyboys” Pandora Filmes/Divulgação

Exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, Moneyboys (2021) entra em cartaz nesta quinta-feira (8/2). Em sua estreia no longa, o diretor e roteirista chinês C.B. Yi acompanha um garoto de programa que tenta ser feliz confrontando tanto a vida dura na cidade da grande quanto o desprezo da família no interior.

Na China atual, Fei (Kai Ko) é um rapaz que se prostitui para sustentar a si e a família. Depois de um incidente envolvendo seu namorado e colega de trabalho Xiaolai (J.C. Lin), o jovem decide voltar para a aldeia natal, onde reencontra o amigo de infância Long (Yufan Bai).

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A reunião familiar, no entanto, é turbulenta: os parentes de Fei não aceitam sua condição homossexual e o envolvimento com prostituição, levando-o a retornar para a cidade. Acompanhado agora por Long, o protagonista encara novamente a rotina marginalizada de trabalhador do sexo, além de deparar com os fantasmas de seu passado amoroso.

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O realizador C.B. Yi diz que, quando recorda sua infância na China, gosta de lembrar dos filmes do cineasta taiwanês Hou Hsiao Hsien: “Eu tive a infância mais livre que eu poderia querer, e gosto de olhar para trás com nostalgia. Nos primeiros filmes desse diretor, eu encontro lugares e traços do passado”. O diretor chinês passou a adolescência na Áustria, onde, posteriormente, estudou na Academia Vienense de Cinema.

Segundo Yi, não havia crimes na pequena cidade onde vivia quando criança – as pessoas até podiam deixar a porta da casa aberta. Para seu longa de estreia, porém, ele pensou em mostrar uma situação diferente, mais contemporânea: “O filme lida com um problema muito específico, a migração de um jovem da China rural, mas para mim é uma história universal sobre relacionamentos interpessoais que poderiam acontecer em muitos lugares ao redor do mundo”.

“Abandonar o passado ou viver com ele é um dos assuntos principais de Moneyboys. Mas eu sempre elaboro as histórias com vários assuntos em mente. É, por exemplo, também sobre encontrar coragem para ser feliz. Ou você nem sempre está fazendo um favor ao outro e a si mesmo quando você se sacrifica por eles. Esses são temas que quero abordar em meus filmes e roteiros: até que ponto posso estar lá para os outros sem me machucar? Até que ponto preciso me preocupar comigo primeiro para poder fazer o bem aos outros?”, explica o diretor.

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Aluno do mestre austríaco-alemão Michael Haneke – cineasta de títulos como Caché (2005), A Fita Branca (2009) e Amor (2012) –, Yi conta que, no set de filmagem, tentou criar um ambiente de segurança e liberdade para que o elenco possa se entregar ao filme: “Enquanto diretor, as várias personagens exigem que você lide de forma diferente com cada um: alguns atores querem açúcar, outros querem o chicote, outros ainda preferem ser ignorados por um tempo para que eles possam desenvolver seu papel sem ser incomodados”.

Dirigido com sobriedade, contando com uma fotografia elegante e uma montagem narrativamente fluida, Moneyboys destaca-se também pelas atuações do trio central masculino – em especial do ator taiwanês protagonista Kai Ko, que desperta a compaixão por seu personagem imprensado entre os mundos moderno e tradicional, cada qual com sua própria maneira de promover a desumanização por meio do conservadorismo, da hipocrisia, do utilitarismo e da ausência de empatia.

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Moneyboys: * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Moneyboys:

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