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“No Submundo de Moscou” mergulha no bas-fond pré-revolucionário

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“No Submundo de Moscou” mergulha no bas-fond pré-revolucionário CPC-UMES Filmes/Divulgação

Em tempos nos quais a Rússia está na berlinda do cenário internacional, No Submundo de Moscou (2023) parece até filme de propaganda. O longa reúne ícones culturais como Stanislavski e Gorky em uma trama picaresca e mundana, ambientada com requinte na capital russa no início do século 20.

A história inspira-se em um evento histórico real: em 1902, o então jovem Teatro de Arte de Moscou inicia a produção da peça Ralé, de Maksim Górki. Os diretores, Vladimir Nemirovich-Danchenko e Constantin Stanislavski, pedem ao famoso escritor e jornalista Vladimir Guilyarovsky, que conhecia como a palma de sua mão o sombrio submundo de Khitrovka, para levar sua trupe a um passeio pelo infame bairro moscovita.

No filme, Guilyarovsky (Mikhail Porechenkov) decide levar Stanislavski (Konstantin Kryukov) pelas tavernas e cortiços locais e em seguida até a casa de um misterioso sikh indiano – mas o jornalista e o diretor encontram o comerciante morto. A dupla russa começa então a investigar o crime por conta própria.

CPC-UMES Filmes/Divulgação

Assinado por Elena PodrezEkaterina Kochetkova e pelo diretor Karen Shakhnazarov, o roteiro de No Submundo de Moscou é baseado em relatos jornalísticos russos da virada do século 19 para o 20 e no romance O Signo dos Quatro, de Arthur Conan Doyle. O livro do escritor inglês é o segundo episódio das aventuras do famoso detetive Sherlock Holmes, publicado em 1890.

“O filme surgiu da ideia de combinar a prosa de Vladimir Guilyarovsky, que descreveu brilhantemente a Moscou pré-revolucionária, com as histórias de Arthur Conan Doyle. O tema não é nada convencional para o nosso cinema. É um filme de entretenimento. Há muito tempo eu queria fazer um filme como esse, que não fosse carregado de problemas subjacentes à busca do sentido da vida, mas sim uma história detetivesca fascinante, em parte um thriller. Há lutas, perseguições, locações variadas, cenas de grandes multidões. Há também cenas da vida nos cortiços de Moscou, que Guilyarovsky descreveu com muita precisão em seus livros e ensaios. Tentamos recriar tudo isso no nosso filme”, resume Shakhnazarov, realizador de produções russas caras e rebuscadas como a comédia Cidade Zero (1988), o filme de guerra Tigre Branco (2012) e o drama histórico Anna Karenina: A História de Vronsky (2017).

CPC-UMES Filmes/Divulgação

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Já o diretor de arte Serguei Fevralyov conta como foi reconstruir nos estúdios da produtora Mosfilm os cenários que evocam o início do século 20 na capital russa: “Recriamos o que pode se chamar de uma Moscou agitada. O que isso significa? Que todos os pecados estão reunidos num só lugar. No sentido metafórico, todos os círculos do inferno estariam concentrados ali: bordéis, antros, roubo, gula etc. A verdadeira Khitrovka era uma espécie de condomínio enorme. As pessoas viviam bem apertadas lá, uma em cima da outra. Foi por isso que fizemos todos aqueles barracões. Tentamos compactá-los e obter uma sensação de sufocamento devido ao número de pessoas e objetos, algo realmente fora do comum. De modo geral, há liberdade ali, mas essa liberdade começava a causar medo, até mesmo horror”.

No Submundo de Moscou é bem sucedido nesse objetivo de evoca o bas-fond moscovita de antes da revolução, com suas tavernas, calabouços e masmorras, em contraste com a parte rica da cidade – cujos moradores viviam confortavelmente em clubes, teatros e restaurantes caros, sem se importar com a miséria e a injustiça social vizinhas.

CPC-UMES Filmes/Divulgação

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No Submundo de Moscou: * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de No Submundo de Moscou:

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