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“Oppenheimer” é uma esfinge indecifrável

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“Oppenheimer” é uma esfinge indecifrável Universal/Divulgação

Grandiosidade é um substantivo indissociável da filmografia de Christopher Nolan – mesmo quando erra, como em Tenet (2020), o diretor e roteirista o faz espetacularmente. Mesmo para seus padrões, porém, Oppenheimer (2023) é um colosso: com três horas de duração, mais de 70 personagens em cena interpretados por um elenco estelar e um orçamento de US$ 100 milhões, o filme é um fractal narrativo que tenta desvendar o enigmático físico que entrou para a história como o pai da bomba atômica.

O longa é baseado no livro Oppenheimer: O Triunfo e a Tragédia do Prometeu Americano, relato biográfico vencedor do Prêmio Pulitzer escrito por Kai Bird e Martin J. Sherwin. Ambientado durante a II Guerra Mundial, o filme acompanha a vida de J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), genial físico teórico convidado pelo governo dos Estados Unidos a comandar o laboratório de Los Alamos durante o Projeto Manhattan – cuja missão era projetar e construir as primeiras bombas atômicas antes dos nazistas.

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Com uma narrativa fragmentada e que se desenrola em diferentes tempos – característica recorrente nos filmes de Nolan –, Oppenheimer acompanha o protagonista e seu grupo de cientistas ao longo do processo de desenvolvimento da arma nuclear que arrasou com as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945, deixando dezenas de milhares de mortos e colocando fim ao conflito mundial. Além de Murphy, o elenco reúne nomes como Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Gary Oldman, Jack Quaid, Gustaf Skarsgård, Rami Malek e Kenneth Branagh.

Como sempre nas produções do realizador responsável por títulos como Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), A Origem (2010) e de Dunkirk (2017), Oppenheimer tem uma produção requintada, em que se destacam excelências técnicas como a fotografia luxuosa de Hoyte Van Hoytema e a montagem virtuosística de Jennifer Lame. A música de Ludwig Göransson, cuja onipresença no filme chega a ser perturbadora, junta-se aos sons de explosões e outros barulhos e a imagens cósmicas abstratas para criar clipes impactantes e sensoriais que ilustram o turbilhão interno de pensamentos e emoções do personagem central – lembrando por vezes as passagens audiovisuais esotéricas de certos filmes do cineasta Terrence Malick como O Novo Mundo (2005) e A Árvore da Vida (2011).

Presente em quase todas as sequências do filme, Cillian Murphy impressiona: para além da semelhança física com Oppenheimer, o ator irlandês consegue expressar no semblante os paradoxos e ambiguidades de seu complexo personagem, pesquisador brilhante mas egocêntrico, teórico friamente racional e também homem de paixões ardentes – uma esfinge que não se deixa decifrar por completo jamais. Apesar de circunscrita ao passado recente de meados do século anterior, a história de Oppenheimer confronta questões filosóficas e éticas mais atuais do que nunca em tempos de emergência de tecnologias como a inteligência artificial, relativas aos limites e consequências dos avanços da ciência para a humanidade.

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Oppenheimer: * * * *

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Oppenheimer:

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