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Daniel Galera explora futuros distópicos em “O Deus das Avencas”

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Daniel Galera explora futuros distópicos em “O Deus das Avencas” Foto: Marco Antonio Filho

O escritor Daniel Galera acaba de lançar O Deus das Avencas, pela Companhia das Letras. Estruturado em três novelas independentes, o conjunto de tramas começa às vésperas das eleições presidenciais de 2018, na narrativa homônima que abre o livro, e apresenta futuros distópicos em “Tóquio” e “Bugônia”. Em meio a contextos políticos, tecnológicos e climáticos devastadores, os personagens das histórias buscam criar relações íntimas e comunitárias com novos contornos – ora em isolamento, para sobreviver e potencializar afetos, ora explorando a permeabilidade desses limites.

“Esse livro tem um caráter de exploração que não havia nos meus anteriores. Não acho que seja uma quebra com meu estilo, muitos dos conflitos e pontos de vista seguem os mesmos. Mas busquei frescor e possibilidades em mundos ficcionais que até então eu apreciava como leitor, nunca como autor”, conta Galera – leia a entrevista a seguir.

Capa de “O Deus das Avencas”

Na novela de abertura, acompanhamos os dias que antecedem o nascimento do primeiro filho dos personagens Manuela e Lucas. À medida que as contrações se intensificam, o casal põe em prática o pacto de viver essa experiência marcante desconectado da internet. O narrador de “O Deus das Avencas” descreve as intenções da dupla: “Por algumas horas, estabeleceriam uma redoma que deixaria de fora não somente a balbúrdia motorizada das ruas do centro histórico, a enxurrada de informações e notificações, a nuvem de veneno da polarização política, das notícias falsas e dos memes, mas também os amigos e a família, que seriam avisados apenas depois que eles chegassem ao hospital”.

Ao longo do texto, o leitor fica a par das inseguranças de Lucas e Manuela e das táticas que eles desenvolvem para lidar com a ansiedade em torno da chegada do bebê. As restrições de contato com o mundo exterior acabam sendo atenuadas em meio a alarmes falsos do parto iminente e da agitação eleitoral de outubro de 2018.

O pano de fundo porto-alegrense da primeira novela dá lugar às cidades de São Paulo e Tóquio na segunda narrativa do livro, intitulada com o nome da capital japonesa. O enredo se passa em meados do século atual num planeta em processo de colapso climático. “Aquela Tóquio seria desfigurada nas décadas seguintes pelo aquecimento do clima, pelas pandemias e pelas crises de abastecimento, se tornaria, como São Paulo e a maioria das megacidades, uma mistura de habitações improvisadas, fazendas urbanas e mercados de pulgas interligados por túneis desinfetados e refrigerados, cercada por vastidões de território inóspito e parcialmente demolido onde a luta pela sobrevivência ganhava feições que nós, os privilegiado que viviam no entorno das torres, tínhamos dificuldade de imaginar”, descreve o narrador.

O protagonista da novela vive num apartamento transformado em fazenda urbana, conforme regramento municipal de uma São Paulo que, por conta das mudanças climáticas, destina imóveis em áreas centrais à produção de alimentos e insumos básicos. Solitário, o personagem relembra momentos de seu relacionamento com Cristal, sua ex-namorada, e com a mãe, uma capitalista de risco bilionária transformada em “cópia humana”, temática central da segunda narrativa de O Deus das Avencas.

“Tóquio” retrata as consequências de uma empreitada malsucedida que levou seres humanos a digitalizarem suas mentes e armazená-las em dispositivos de formatos variados, incluindo ciborgues e pen drives. Os dilemas de relacionamento entre as cópias e seus guardiões – atravessados por discussões filosóficas sobre noções de consciência e inteligência artificial – são objeto de sessões de terapia em grupo oferecidas pela Associação de Pesquisas e Práticas em Pós-Humanidades (APPPH), entidade frequentada pelo protagonista da trama.

“As pessoas chegam aqui portando seus maridos, esposas, pais, mães, netos, avós, irmãos. Amigos. Companheiros. Já houve uma babá. A família escaneou a mulher que tinha cuidado de quatro gerações de seus bebês”, explica o personagem Terapeuta, que conduz os encontros da APPPH em um subsolo de São Paulo. “São criaturas latentes. A questão de poderem ou não superar esse estágio e romper o casulo, abrindo suas asas, ainda é incerta. E a ideia deste grupo de apoio é que possamos ajudar uns aos outros a lidar com essa incerteza”, completa o moderador das sessões para explicar o termo “pupa” – originalmente atribuído a um estágio da formação dos insetos e, na ficção de Galera, citado como nome popular das cópias humanas.

A terceira novela de O Deus das Avencas, intitulada “Bugônia”, sugere um salto temporal ainda maior. A narrativa de encerramento do livro conta a história de uma pequena comunidade que, irmanada com abelhas, sobrevive a um contexto pós-apocalíptico. Chama é o nome da jovem protagonista do texto: “Chama senta numa pedra e sente uma tontura conhecida, que vem do medo. O medo que sente de vez em quando ao contemplar tanta violência e carinho em ciclos vertiginosos, toda essa geração e destruição da qual não há escape nem alívio duradouro, medo da dor física que a aguarda pela vida afora, medo de não estar preparada para os fenômenos do próximo instante, nem agora nem nunca, apesar de buscar ter coragem no peito e clareza no pensamento”.

Nascido em 1979, em São Paulo, e criado em Porto Alegre, Daniel Galera é autor de Dentes Guardados (2001), Mãos de Cavalo (2006), Cordilheira (2008) e do álbum em quadrinhos Cachalote (2010), parceria com o desenhista Rafael Coutinho. Mais recentemente lançou Barba Ensopada de Sangue (2012) – livro do ano do Prêmio São Paulo de Literatura – e Meia-Noite e Vinte (2016). É tradutor para o português de dezenas de livros em língua inglesa como Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (2006), de Jonathan Safran Foer, e Ritmo Louco (2018), de Zadie Smith.

Na entrevista a seguir, Galera fala sobre o processo de criação de O Deus das Avencas – em grande parte, escrito durante a pandemia de Covid-19 –, o interesse por temáticas trans- e pós-humanistas em contextos de crise climática e as incursões recentes de seus textos em obras audiovisuais.

No ensaio “Ondas Catastróficas”, publicado na revista Serrote em 2019, você menciona que sentiu um desgaste em relação à escrita ficcional e à narração do presente em Meia-Noite e Vinte. De lá pra cá, como você lidou com essa percepção e de que forma esse percurso se reflete em O Deus das Avencas?

Naquele ensaio eu compartilhava a sensação de que a ficção realista situada no presente não conseguia mais competir com o fluxo de imagens e informações, usando como objeto de análise as imagens circulantes de algumas catástrofes recentes, como o rompimento das barreiras em Mariana e Brumadinho. Essa dificuldade se apresenta, penso, não só em relação aos acontecimentos sociais e ambientais, como o bolsonarismo e o aquecimento global, mas também em relação à experiência individual, íntima. Como narrar, na ficção, a sensação de passar nossos dias grudados às telas e mensagens instantâneas? É como se as próprias redes sociais já estivessem narrando isso. A ficção não consegue competir, ela precisa contornar esses fenômenos, ou chegar a eles por caminhos sorrateiros e inesperados. Então eu me perguntava que caminhos a ficção poderia tomar para ser pertinente. E já suspeitava que gêneros como ficção científica e horror poderiam ser uma via interessante.

A ficção especulativa e fantasiosa tem longa tradição e sempre foi relevante pra interpretar o presente, claro, mas me parece que hoje elas se reposicionam pra ocupar o lugar que até uma década atrás, por aí, era ocupado pelo romance de matriz realista. Alguns meses depois de escrever o ensaio, comecei a me animar com algumas ideias embrionárias que vinha pensando e rascunhando. Pensei que seria legal tentar fazer um livro de contos a partir de meia dúzia delas, explorando algumas abordagens variadas. E à medida que trabalhava, as três histórias que acabaram compondo O Deus das Avencas se impuseram. Esse livro tem um caráter de exploração que não havia nos meus anteriores. Não acho que seja uma quebra com meu estilo, muitos dos conflitos e pontos de vista seguem os mesmos. Mas busquei frescor e possibilidades em mundos ficcionais que até então eu apreciava como leitor, nunca como autor.

A partir da ideia inicial de uma coleção de contos, como você chegou ao formato de três novelas?

Aos poucos, essas foram as histórias que me empolgaram, e no momento em que percebi que seriam mais longas que um conto médio, deixei em suspenso a classificação do livro. Talvez uma delas se tornasse um romance, talvez alguma desmoronasse antes do fim. Mas acabou que saíram esses três textos, e para mim eles formavam, se não uma unidade, pelo menos um grupo que, reunido, era maior que as partes. Quem quiser poderá ver continuidades entre os textos, algumas estão esboçadas. Quero muito descobrir como os leitores vão perceber esses saltos de tempo e de convenções de gênero.

Como foi a experiência de escrever a maior parte do livro durante a pandemia e com temáticas tão relacionadas a esse contexto nas três novelas, que abordam desde a iminente catástrofe bolsonarista até eventos destrutivos em escala global?

Comecei a novela do título antes da pandemia. A chave pra destrancar meu processo criativo estava nesse texto ainda realista, situado no passado recente da véspera da eleição de 2018. Mas era como se aqueles meses de bolsonarismo no poder já situassem o ano eleitoral numa outra era geológica, na minha cabeça. E eu lembrava muito bem da antecipação angustiada desse resultado eleitoral, e de toda a atrocidade, estupidez e retrocesso que vem se confirmando desde então. E queria escrever sobre aqueles dias anteriores, ciente de que o leitor encontraria a história desse casal num momento em que já conhece e vivencia as consequências da eleição. A novela aposta no efeito do entrechoque desses dois tempos, o das vésperas da eleição e o da leitura propriamente dita.

O que eu não podia prever, claro, era a pandemia. Que talvez ressignifique toda a coisa do isolamento de Lucas e Manuela. Na situação do casal esperando o filho num parto que se alonga indefinidamente tem uma metáfora aberta da nossa incapacidade de instaurar a novidade e superar nossos problemas históricos de injustiça social, mas tem também a textura íntima de sujeitos vivenciando esse momento único de emoção. Tem o amor deles e tem o medo do que se anuncia, de botar uma criança no mundo diante da degradação. Não tem uma mensagem específica aí, mas uma investigação. Ao entrar na intimidade desses dois naquele momento crucial, algo deve se agitar no leitor que os encontra agora. Enquanto escrevia esse texto, eu já pensava e anotava pros outros. Eles não têm uma continuidade narrativa clara, mas surgem de preocupações que coexistem no presente.

Em “Tóquio”, queria em primeiro lugar tratar do significado de ideias trans- e pós-humanistas em tempos de crise ambiental e social. A aposta na tecnologia pra abandonar nossos corpos ou mesmo nosso planeta me soa como sintoma ideológico claro dessas crises. Mas há muita coisa questionável no modo como essas tecnologias são imaginadas e pesquisadas. Não acredito que a mente pode existir sem o corpo que a abriga. Transposições devem ser possíveis, mas o que se cria na outra ponta desse processo? É a mesma pessoa? E se for uma criatura irreconhecível, uma quimera? Em torno dessa questão, pensei a história desse homem que guarda a cópia da mãe numa São Paulo de algumas décadas adiante. E pra imaginar esse futuro tive de incorporar a realidade da pandemia e da nossa crise democrática, ainda que não sejam os assuntos principais.

Por fim, “Bugônia” faz um outro voo de imaginação, mais distanciado e talvez poético, imaginando uma comunidade em colaboração com abelhas. Um sinal de que comecei a imaginar essas histórias antes da pandemia é que a ameaça patógena que assola os personagens são as famigeradas superbactérias resistentes. Evitei mudar isso depois que o vírus se tornou o emblema da morte que nos acompanha agora, pra que a ficção soasse como ficção.

Você já manifestou em outras ocasiões o interesse por narrativas pós-apocalípticas e chegou a descrever Meia-Noite e Vinte como um livro pré-apocalíptico. Mais recentemente, o vídeo Aterro (obra de Daniel Galera, Marina Camargo e Romy Pocztaruk, de 2018) e o curta Antes do Azul (Romy Pocztaruk, 2019) contam com textos seus que abordam cataclismas planetários e futuros posteriores a esses eventos. Gostaria que você comentasse esse percurso audiovisual e o mergulho na ficção especulativa das duas últimas novelas de O Deus das Avencas.

Em retrospecto, esses convites pra colaborar com a Marina Camargo e a Romy Pocztaruk nessas obras me revela o deslocamento do meu imaginário e dos meus interesses como ficcionista pelo menos desde a publicação do Meia-Noite e Vinte. Gosto de chamá-lo de um livro pré-apocalíptico, porque dá voltas meio desesperadas em torno das ansiedades quanto à catástrofe climática, o neoliberalismo e o peso das narrativas apocalípticas na nossa vivência do presente. E dele veio a sensação de impotência criativa que depois levou às novelas de O Deus das Avencas. Mas é curioso como este livro novo não é exatamente pós-apocalíptico, não a meu ver, pelo menos. Está se tornando difícil pensar um “depois do apocalipse”, porque vai ficando evidente que o fim do mundo é na verdade vários fins do mundo simultâneos e interligados, e que eles não ocorrem de uma hora para outra, e sim se alongam por anos, décadas, talvez séculos.

Isso pode soar exagerado ou impreciso, eu sei, mas basta pensarmos no genocídio e ataque cultural a povos indígenas em vigor desde a colonização ou na extensão das causas e efeitos do aquecimento global para que essa noção de apocalipses em curso, marcados por extensões e temporalidades inapreensíveis, pareça mais plausível. Meus dois últimos livros acabaram muito moldados por percepções desse tipo. Acho que o trabalho da Marina e da Romy também circundam esses temas, dentro das especificidades e pesquisas delas, e nossas colaborações foram muito fáceis e instigantes. O texto do vídeo Aterro e o poema/canção de Antes do Azul estão entre as obras mais importantes que escrevi nesse período entre os dois livros, são parte valiosa do percurso que tive aí.

Na newsletter Dentes Guardados, você definiu a novela “Bugônia” como um “voo de imaginação” e um texto que você “poderia ter escrito se tivesse começado a escrever hoje”. Como foi o processo de escrita dessa novela e como se deu o trabalho de linguagem desse texto?

“Bugônia” foi dessas ideias que ocorrem aos incrementos, interesses que cintilam e se acumulam. Começou quando li uma notícia sobre abelhas-abutres, que produzem algo parecido com mel a partir de carcaças de animais. Algum tempo depois topei com um relato sobre o mito conhecido como Bugônia, presente em textos egípcios, em Virgílio (70 – 19 a.C.) e outras fontes. De acordo com o mito, enxames de abelhas podem ser produzidos ritualmente a partir de carcaças de bois. Como na mesma época eu andava lendo muita coisa sobre a relação entre humanos e outros animais, a ideia dessa comunidade futura que realiza uma troca simbiótica com abelhas pra sobreviver num mundo hostil começou a se cristalizar. Um passo importante foi ler o poema do Virgílio, Geórgicas, onde se encontram dois relatos desse mito. Peguei algumas cenas da novela, e nuances da linguagem, desse lindo poema clássico. Tem muito de experimentação livre em “Bugônia”, assim como há o recurso a clichês de narrativas pós-apocalípticas. A ideia era imaginar um mundo e suas possibilidades. A essência, talvez, da ficção fabular.

Por fim, questões em torno da vida humana e da consciência também perpassam O Deus das Avencas. Da ansiedade de um trabalho de parto, na novela-título, passando pelas tentativas de transcendência da vida em carne e osso de “Tóquio” e chegando às reflexões sobre outros tipos de relações – com ênfase na palavra “alianças” – dos humanos com as demais espécies em “Bugônia”. Poderia comentar um pouco essas abordagens?

Não vou me estender muito nessa resposta porque não tenho explicações claras pra todas as minhas intenções, e além disso prefiro que os leitores possam encontrar as ligações e significados que preferirem nas jornadas desses personagens. Porque podemos falar horas sobre os conceitos e ideias por trás das histórias, mas a ficção será bem-sucedida na medida em que as histórias em si, os personagens e seus conflitos, possam ocupar a frente do palco e canalizar as preocupações de fundo através de seus atos, gestos, afetos, sofrimentos e alívios. Mas o conceito de “aliança” (entre espécies, sobretudo) é fundamental em “Bugônia”, assim como em “Tóquio” proponho que a toda mente corresponde um corpo e uma história de experiências vividas, sem as quais não se pode supor uma cópia de identidade. Mas chega de explicar. O que eu penso é secundário. Espero que os leitores possam se deixar levar pelos textos a lugares que não previ.

Confira o bate-papo de lançamento de O Deus das Avencas, promovido pela Companhia das Letas, que reuniu Daniel Galera e o neurocientista Sidarta Ribeiro.

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