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Supervão depois do fim do mundo

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Supervão depois do fim do mundo A banda Supervão. Foto: Kim Costa Nunes

Formada por Leonardo Serafini (sintetizador e drum machine), Mario Arruda (voz, beat e sintetizador) e Ricardo Giacomoni (guitarra), a banda Supervão, de São Leopoldo, lança nesta sexta-feira (13/11) nas plataformas digitais o EP Depois do Fim do Mundo.

O grupo, que tem em sua discografia os EPS Lua Degradê (2016) e TMJNT (2017) e o álbum Faz Party (2019), já apresentou em 2020 o clipe da faixa-título (confira na entrevista a seguir) e, com apoio do FAC Digital RS, o single Fim de Nós / Fim do Sol.

Conversamos com Leonardo Serafini e Mario Arruda sobre a trajetória da banda e a sonoridade do novo trabalho, marcada pela mescla de elementos techno, house e pós-punk. Confira a entrevista.

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Contem um pouco sobre a trajetória da banda e o que vocês buscaram ao formar a Supervão.

Leonardo Serafini: A Supervão surgiu entre 2014 e 2015 a partir das produções de eventos da Lezma Records. Nós éramos os curadores dos artistas que atuavam nestas festas e trazíamos uma galera de diferentes áreas como DJs de diferentes gêneros musicais, bandas indies, expositores gráficos e também organizávamos um zine coletivo, buscando juntar todas essas referências. Então, os primeiros lives da Supervão foram nesse tipo de ambiente e foram esses fluxos que seguiram nos influenciado até aqui. 

Supervão na Festa Caverna. Foto: Divulgação Lezma Records

Agora falando do novo EP, como foi o processo de criação das faixas?

Leonardo Serafini: No meio do ano passado lançamos o nosso primeiro disco completo Faz Party (2019) e na tour estávamos tocando o álbum na íntegra, então começamos a criar riffs e vibes de conexão entre as músicas e começou a surgir uma nova sonoridade, voltada para esses momentos de transição e improvisos no live, aquele momento do show que tudo pode acontecer. No final das contas, não tivemos muito tempo para desenvolver as tracks de forma presencial e conjunta, pois 2020. 

Mario Arruda: Depois desse momento de experimento ao vivo, gravamos cada um em sua casa, dividindo equipamentos e projetos de músicas. A impossibilidade do trabalho conjunto presencial produziu um processo de desenvolvimento de timbres e ritmos em um formato artesanal a distância. Foi como pegar as gravações individuais como matérias sonoras brutas e ir modelando, alongando, esculpindo de acordo com seus fluxos em consonância com as velocidades e intensidades que percorreram 2020. 

Qual sonoridade vocês buscaram?

Leonardo Serafini: Um dos últimos eventos que tocamos antes da pandemia foi no bloco Sem Plano, uma rave em pleno carnaval de Porto Alegre produzida pelo Coletivo Plano. Era neste ambiente que estávamos inseridos quando começamos a produzir as músicas do EP. Para nós foi uma revolta aos timbres do pós-punk sendo influenciados também pelo house e techno. 

Mario Arruda: Ao mesmo tempo me encabrinholava a ideia de tornar audíveis forças que não são audíveis. 

Nos conta um pouco sobre o título e sobre a ideia de lançar o disco numa sexta-feira 13.

Leonardo Serafini: Esse tipo de data carrega sempre a possibilidade de uma nova significação. Um dia que estamos abertos a perceber e cometer erros. O EP Depois do Fim do Mundo também tem esse potencial. Ele abre um fractal de possibilidades sobre um novo momento em que o fim já passou.

Mario Arruda: Essa data tem uma simbologia popular que intensifica os acontecimentos do dia. Uma aura que paira, um espectro que ronda, algo que se espera… Não importa se acreditamos ou não, o imaginário em torno do dia conduz a uma sensibilidade diferente do cotidiano. 

Gostaria que vocês falassem um pouco sobre o clipe da faixa-título e sobre a arte do EP.

Leonardo Serafini: A ideia do vídeo surgiu a partir de conversas com a artista audiovisual Natasha Valenzuela, que foi também quem produziu o vídeo, antes da pandemia, mas aconteceu 2020 e as ideias de produzir qualquer tipo de material tiveram que se adaptar. A Natasha surgiu com a ideia de trabalhar com resgates de filmagens analógicas que haviam sido feitas em festas eletrônicas undergrounds em POA, ao mesmo tempo que estes encontros não eram possíveis criando-se uma vibe de saudade… A partir disso o artista gráfico Image Fiction aplicou recursos de design usando símbolos gráficos que o Filipi Filipo produziu para essa nova fase. O Filipi é um artista gráfico que é de São Leopoldo também e está fazendo toda essa parte gráfica de símbolos e formatação, numa ideia que conversa com a degradação e repetição de coisas que também se apresentam na sonoridade do EP.

Capa de “Depois do Fim do Mundo”

Como vocês enxergam esse trabalho em relação aos anteriores?

Leonardo Serafini: Compor e gravar nesse ano que foi 2020 nos exigiu muitas mudanças e adaptações, tudo isso em um período muito curto, pois queríamos que as coisas continuassem saindo num fluxo irregular, sendo essa a principal relação com os lançamentos anteriores. Tivemos que produzir e compor de uma maneira totalmente diferente do que já tínhamos feito. Agora que o processo de produção acabou, estou me sentindo feliz e até mais forte, por saber que a criação sempre acaba vindo.

Mario Arruda: É um EP que teve pouca condução subjetiva. Ele é o que ele próprio conduziu. Tem uma abordagem diferente da nossa parte… Por mim, posso falar que tentei agir mais de modo a ser um espectador e um facilitador daquele fluxo do que ser um criador. É considerar que uma obra existe devido a um acontecimento, a um contexto, a um lugar. Não é fruto de uma vontade interior. Até porque uma vontade interior também é produzida acontecimentalmente

Supervão na Festa Caverna. Foto: Divulgação Lezma Records

Quais os planos para o EP a partir de agora, nesse momento ainda incerto da pandemia?

Leonardo Serafini: São muitas ideias para continuar divulgando as seis tracks do EP. Já temos dois roteiros de clipes e parceiros para executá-los, e estamos também envolvidos em diversos projetos voltados para apresentações em formatos digitais inéditos, estou torcendo muito para que eles aconteçam!

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