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Pretagô e Espiralar Encruza no projeto Verão Afro Performativo

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Pretagô e Espiralar Encruza no projeto Verão Afro Performativo Foto: Guilherme Fernandes/Divulgação

A pandemia nos atingiu em cheio e o que era uma caminhada lenta e persistente se transformou em paralisação seguida de união e luta pra enfrentar essa nova realidade. Verão Afro Performativo Pretagô Espiralar Encruza é o resultado dessa parada obrigatória, que trouxe enorme reflexão sobre prioridades e caminhos a seguir.

O projeto traz à cena uma programação artística negra protagonizada pelos grupos teatrais gaúchos Pretagô e Espiralar Encruza.

Financiado pela Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal, por meio da Lei Aldir Blanc, prevê uma extensa programação artística, com apresentações, performances e leituras dramáticas e também programação formativa, composta por oficinas, debates e entrevistas.

A live de lançamento do projeto acontece nesta quarta (20/1), às 20h, com os integrantes do Pretagô e Espiralar Encruza no Instagram Verafro (@projetoverafro).

Além da programação que se desenvolverá ao longo de três meses, que terá acesso democrático e gratuito destinado à população de Porto Alegre, o projeto prevê um documentário narrando esta experiência coletiva necessária e afirmativa que pretende promover a diversidade e a pluralidade cultural gaúcha a partir da valorização da identidade afro-brasileira. O vídeo será disponibilizado nas redes e mídias dos grupos envolvidos.

Outra importante característica desse projeto é gerar renda aos profissionais do setor com trabalho direto aos 21 artistas integrantes dos dois grupos, além de renda e trabalho indireto a demais profissionais envolvidos ao longo da execução, sendo que mais de 50% dessa equipe é composta por mulheres negras. O caráter afirmativo vai além e fortalece a luta antirracista tão importante nesse momento de retrocessos sócio-culturais.

Dois eixos dividem a programação. Na parte formativa, serão disponibilizadas sete oficinas com assuntos que vão desde a escrita criativa, passando por sonoridades cênicas, passos básicos do funk e jogos teatrais para crianças e performance. As entrevistas abordam temas e artistas relevantes da cultura brasileira, como a mestra Iara Deodoro (Afro-sul Odomodê – RS), a atriz e professora Celina Alcântara (Instituto de Artes/UFRGS-RS) e o escritor e diretor Eugênio Lima (Coletivo Legítima Defesa – SP), além de um talk show com a rapper Cristal Rocha. Também apresentações e performances vão rolar durante o projeto com os dois grupos como protagonistas (confira abaixo a programação completa).

A originalidade da proposta se configura também como a possibilidade de reinventar e retomar a essência do acontecimento cênico, vetado até os dias atuais pela pandemia. Assim, a promoção do encontro dos grupos Pretagô, que constitui uma trajetória consolidada e premiada na cena teatral gaúcha, junto ao coletivo Espiralar Encruza, que recentemente se constitui como um grupo profissional, fortalece novos horizontes para a retomada e possível inspiração para novos modos do fazer artístico pós-pandemia, balizado pelas trocas, pelas proximidades e trabalho em rede.

O acesso democratizado e gratuito para que as populações negras e periféricas da cidade de Porto Alegre e arredores tenham condições de usufruir das atividades – visto que o acesso a bens culturais e serviços com cobrança de ingressos é um limitador para essas populações, sobretudo no atual momento de pandemia – também é força motriz do VERAFRO que oferecerá, além de atividades gratuitas, 50% do acesso das atividades garantido e reservado para pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas trans.

O grupo Pretagô é um quilombo de artistas que pesquisa identidade, inserção, representação e representatividade das subjetividades negras nas artes da cena que surge em 2014 no Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS.

No repertório do grupo estão os premiados espetáculos Qual a Diferença entre o Charme e o Funk? [2014], AfroMe [2015], Noite Pretagô [2017] e Mesa Farta [2020].

A Espiralar Encruza é uma rede de artistas pretos a fim de borrar temporalidades e construir futuros em nosso presente. O grupo se articula a partir do processo de criação do espretáculo SobreVivo – Antes que o baile acabe, que estreou no ano de 2019 e teve sua dramaturgia construída a partir das vivências do elenco. Buscou nesta obra a fricção das relações etnico-raciais na capital gaúcha, destacando e potencializando saberes periféricos como as referências de matriz africana, do carnaval e do funk.

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