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Bate Sopra celebra as sonoridades das fanfarras em “Transmutação Urbana”

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Bate Sopra celebra as sonoridades das fanfarras em “Transmutação Urbana” Foto: Vinícius Angeli

A Bate Sopra, fanfarra porto-alegrense que costuma colorir as ruas de roxo e amarelo, volta repaginada com um novo EP que reúne cinco faixas autorais inéditas. Transmutação Urbana será lançado no palco do Agulha, em show que reunirá os dez integrantes do coletivo e convidados especiais, no dia 6 de dezembro, às 21h – informações sobre ingressos na Sympla.

Ao longo de uma trajetória de quase 10 anos, a Bate Sopra movimentou a cena da música instrumental independente de Porto Alegre com releituras de estilos musicais variados que embalaram o público carnavalesco da cidade. Com o lançamento do novo álbum, a fanfarra dá sequência ao processo de criação de faixas próprias, que passou a ser um dos focos do coletivo nos últimos anos. Inclusive, em 2019, a banda foi vencedora do 14º Festival de Música de Porto Alegre na categoria música de rua com Ventania

“Com o passar dos anos, nós fomos nos aprimorando, assim como a formação da banda foi mudando. Com as pessoas evoluindo, a galera começou a ousar e experimentar mais”, conta a integrante Carólis Pizzato, que também participa do Avisem a Shana que Sábado Vai Chover, Bloco da Laje e Maracatu Truvão.

Desenvolvido durante uma imersão no estúdio da Pedra Redonda, o novo disco traz cinco faixas autorais que entrelaçam o repertório musical dos integrantes. Com produção de Tamiris Duarte, Transmutação Urbana traz as músicas Retorno à Marte, Imersão, Olha a Chuva, Jacarandá e Skala Maior.

A formação atual conta com Amadeu Medina (timbal e congas), Carólis (ganzá, meia lua, agogô, agbê, triângulo e guiro), Daniela Garcia (trompete e eufônio), Gabi Luzzi (trompete), Gustavo Caspani (tuba), Jp Siliprandi (sax alto e sax soprano), Livia Tabert (surdo, caixa e timbal), Martin (trombone), Pedro Souza (bateria) e Vinicius Ávila (sax tenor).

Foto: Aruna Cruz

“Na Bate Sopra temos muitas vertentes, já que a grande maioria dos músicos está presente em outros coletivos musicais de Porto Alegre. Se pegarmos o nosso repertório de covers, por exemplo, nós bebíamos em muitas fontes, íamos do rock ao pop, trazíamos uma música de carimbó, trazíamos um universo muito grande de estilos – e isso a gente tentou reproduzir dentro das nossas autorais”, explica Pedro Souza, que integra também o Avisem a Shana, Bloco da Laje, Cosmobloco e o Bloco do Beijo

O novo trabalho marca também uma nova fase da Bate Sopra, que agora conta com uma nova identidade visual e surge sem o “&”, com o objetivo de aproximar ainda mais a percussão dos sopros. 

Na entrevista exclusiva a seguir, Carólis e Pedro Souza contam detalhes sobre o processo de criação de Transmutação Urbana, comentam as influências da proximidade da Bate Sopra com outros coletivos e falam sobre a participação de mulheres instrumentistas na cena de fanfarras da cidade.

Como foi o processo em torno desse EP de autorais? 

Carólis Pizzato – Nós sempre tocamos covers, mas a gente tem autorais já há muitos anos. Eu acho que Retorno à Marte, que vamos lançar agora, nós temos há uns cinco anos, e a gente não lançou, acabamos lançando Ventania, que não foi a nossa primeira autoral, mas foi a primeira lançada. Muito pela questão de, às vezes, quem compõe não se sentir à vontade ou achar que ela não está bem pronta, então foi um processo bem longo, se for considerar desde de escrever as músicas e arranjar. Tem algumas que quando a gente começou a tocar elas eram completamente diferentes do que vai ser lançado agora e eu acho que essa é a curiosidade massa, que no fim das contas agora nós vamos lançar a nossa primeira autoral, que não vai ser a primeira que foi lançada. Essas cinco músicas do EP a gente já toca há anos e fazia muito tempo que tínhamos essa vontade de que as pessoas pudessem acessá-las em casa e não só no show. 

Pedro Souza – Em termos de sonoridades, quando chegava um tema novo de um dos integrantes, de uns autores da música, os outros tentavam inserir aquela marca registrada de cada um, trazer o que estavam vivendo naquele momento. Por isso, uma das marcas das faixas da Bate Sopra é que elas estão seguindo um caminho e daqui a pouco elas vão por outro totalmente diferente. As pessoas falam muito que em quatro, cinco minutos, a música toma dois, três rumos diferentes e isso é o reflexo do que desenvolvemos nos últimos anos.

Me contem um pouco sobre como vocês trazem a autenticidade de cada integrante para as faixas.

Pedro – Na Bate Sopra, a gente convive com vários outros coletivos e conseguimos identificar a facilidade de comunicação interna que a gente tem para trazer as coisas. Como é um grupo com dez pessoas, surgem muitas ideias e às vezes uma ideia não vai ser aceita, outras vezes a gente leva para frente e vai para o estúdio. Nesses últimos anos, toda a semana nos encontrávamos para fazer os ensaios e desenvolver as músicas, então a cada momento a gente trazia um novo elemento. De maneira geral, os músicos de sopro trazem a melodia, uma base, uma ideia do que vai ser a música. A partir disso, os outros integrantes vão trabalhando e trazendo elementos percussivos.

Carólis – Tudo a gente vai construindo nos encontros. Acaba sendo um espaço bem livre para cada um propor com seu instrumento, as suas viradas e claro, opinar e sugerir também no trabalho do colega.

Foto: Diego Lopes

Como é a relação da banda com a cena de blocos e fanfarras da cidade? Como isso influencia nas músicas?

Pedro – Na verdade, a gente tá se encontrando praticamente todos os dias. Quando não tem Bate Sopra é outro bloco que tá rolando e reúne a galera.

Carólis – Com certeza, dos dez integrantes, todos nós participamos de algum outro coletivo de bloco de carnaval. Não dos mesmos, porque não tem um coletivo em que os dez participem, mas por exemplo: um é do Turucutá, a outra do Não Mexe Comigo que Eu Não Ando Só, o outro do Avisem a Shana, e tem uma boa parte que é do Bloco da Laje.

Pedro – O principal é que a gente foi se desenvolvendo como músicos não só na Bate Sopra, mas dentro de todos esses outros coletivos. Mesmo que hoje a gente tenha um direcionamento para músicas autorais, nós passamos vários outros dias da semana nesses outros espaços e, obviamente, a gente vai levando experiências. E o show do dia 6 vai refletir isso, nós vamos ter vários convidados, e boa parte deles estão imersos dentro desse movimento de blocos da Cidade Baixa e do centro da cidade. 

Ao longo da sua formação, a Bate Sopra sempre contou com mulheres integrantes do coletivo. Podem comentar sobre o aumento da participação de instrumentistas mulheres nessa cena de blocos e fanfarras?

Carólis – Aqui em Porto Alegre a gente tem uma situação bem diferente comparada a outros lugares. Participamos de alguns festivais, dos Honks! em outras cidades, e a gente nota que aqui o número de mulheres na percussão é muito grande. Eu acredito e responsabilizo, de forma super positiva, projetos como a Turucutá e As Batucas, que dão esse acesso à meninas, mulheres, senhoras, mães, à todas as mulheres que queiram estar lá. E, aprendendo a tocar esses instrumentos, tem vários coletivos abertos, como o Não Mexe Comigo, que acolhe essas instrumentistas. Muitas mulheres não se sentem à vontade para estar tocando junto com outros homens, elas se sentem julgadas. Na Bate Sopra, a gente sempre conversa muito sobre, e desde que começamos esse debate, levamos isso em consideração quando precisa haver alguma mudança na formação da banda. Porém, a gente também vê que é difícil, a gente acaba tendo menos acesso a mulheres musicistas. Eu acho que esses espaços estão criando cada vez mais oportunidades e eu sou muito grata por esses coletivos, tanto os que oportunizam o ensino quanto os que abrem as portas para a participação das mulheres sem julgamentos.

Lançamento de Transmutação Urbana, da Bate Sopra
Quando: 6 de dezembro de 2023
Horário: espaço abre às 18h30 e o show começa às 21h
Onde: Agulha (Rua Conselheiro Camargo, 300 – Bairro São Geraldo)
Ingressos: R$ 20 a R$ 80 na Sympla

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quarta-feira, 06 a 06 de dezembro de 2023 | 21h00

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