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Bloco da Laje pulsa a arte do encontro e colore as ruas de Porto Alegre

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Bloco da Laje pulsa a arte do encontro e colore as ruas de Porto Alegre Foto: Maciel Goelzer/Divulgação

O Bloco da Laje colore as ruas da capital com azul, amarelo e vermelho na sua tradicional saída oficial neste domingo (28/1), a partir das 7h, – em local divulgado somente na véspera do evento, no perfil de Instagram do coletivo. Em seu 11° ano de atividades, o bloco segue celebrando a cultura carnavalesca, mobilizando multidões em cortejos, ensaios animadíssimos durante o ano e shows em grandes festivais.

Viabilizado por financiamento coletivo, o Bloco da Laje nasceu com raízes no teatro e até hoje reúne artistas que circulam pelo universo das artes cênicas, da música e, claro, do carnaval. “Muitos de nós têm essa vertente teatral, por isso acredito que temos esse diferencial mais artístico, que se assemelha muito também a um carnaval de escola de samba, que é extremamente cênico”, conta a cantora Camila Falcão, integrante desde 2012, quando entrou para o bloco como porta-bandeira.

Foto: Maciel Goelzer/Divulgação

Além das ruas, o coletivo tem levado o seu carnaval para grandes festivais: o último show foi no Turá, que contou com apresentações de artistas como Caetano Veloso, Emicida e Alceu Valença. Em fevereiro, o bloco vai preparar as malas para se apresentar pela primeira vez no Planeta Atlântida.

“A primeira vez que rompemos a barreira dos festivais foi no Morrostock, em que tocamos desde 2016, um festival que era conhecido por ter uma galera do rock, mais alternativa. Desde lá, fomos conquistando e cativando públicos diferentes”, lembra a cantora. 

“No Turá, o que abriu minha mente foi que tocamos no mesmo palco do Caetano Veloso. Isso para mim é sensacional, não tem como fingir tranquilidade, é um lugar de muita visibilidade”, orgulha-se Vini Silva, mestre de bateria do Bloco da Laje.

Turá em Porto Alegre. Fotos: Bah Creators/Divulgação

Deixa o bloco brincar 

Ao longo do ano, o Bloco da Laje mantém acesa a chama do carnaval com seus ensaios abertos no Recanto Africano, no Parque da Redenção – local que reúne centenas de pessoas nos domingos em que o coletivo se reúne para entoar seus cantos. Vini conta que as atividades no espaço são caras para o bloco, tanto em valor sentimental, pela importância que o Recanto tem na história do coletivo, quanto pelo alto custo necessário para oferecer segurança, banheiros químicos e sinalização durante os ensaios.

“Adotamos e nomeamos o espaço, e não queremos abrir mão dele. O Recanto é um lugar de diversão, lazer e encontro, que é o grande segredo do carnaval: fazer as pessoas se encontrarem para brincar”, completa.

Leia também: Capital retoma aporte público para blocos de carnaval de rua, mas produtores apontam problemas na distribuição dos recursos

Na autoral Recanto Africano, o bloco canta “Domingo de manhã / Eu vou para a Redenção / Ensaiar para meu Bloco sair mais um ano / O Recanto Europeu Sempre foi Africano”. Essa é uma das quatro faixas que integram o álbum 4 Estações, lançado pela Natura Musical em 2019. “Às vezes a música surge numa brincadeira, na mesa de bar, às vezes é só uma frase que ficamos repetindo, como se fosse um mantra”, conta Camila sobre as músicas já compostas pelo bloco.

Carregados de manifestações sociopolíticas, os mantras ganham força na voz da multidão durante os cortejos. Como é o caso de Pregadão: que entoa trechos como “Vamos tirar Jesus da cruz”, “Jesus é negão”, “Jesus é mulher”. 

Já a canção Deixa Brincar dá a letra para os foliões: “Quem quiser brincar / Quem quiser que brinque agora”. E é o que faz a gerente de conteúdo Dora Leonetti, que desde 2018 acompanha o Bloco da Laje nas saídas, nos ensaios e nos shows na Banda Saldanha – local que abriga apresentações fechadas do coletivo. “Sou completamente apaixonada pelo projeto. Quando tive que escolher o tema do meu trabalho de conclusão da faculdade, estava certa de que trabalharia com algo ligado à cultura mais democrática, o que tem tudo a ver com o bloco”, conta Dora. 

Além de fazer sua monografia sobre as manifestações sociopolíticas do Bloco da Laje, a graduada em Relações Públicas mantém a tradição de produzir fantasias e acessórios para a saída oficial do coletivo. “Eu já tenho muitos materiais como E.V.A para artesanato, tiaras, glitters, tenho tudo nas cores do bloco há alguns anos aqui em casa. As últimas semanas foram tentando pensar e descobrir quem mais vai, quem quer organizar fantasia, para reunir todo mundo aqui em casa e fazer as coisas que faltam”, completa.

A saída do Bloco da Laje tornou-se um dos principais eventos do carnaval independente de Porto Alegre, chegando a reunir cerca de 30 mil pessoas, conforme estima o coletivo. Vini Silva explica que o evento vem crescendo cada vez mais e que movimenta a economia criativa da cidade. “Um exemplo são as lojas de fantasias, de tecido e de artesanato. Tu vais às lojinhas da rua Senhor dos Passos, e elas estão com o tecido azul, amarelo e vermelho na frente, porque sabem que existe uma demanda nesse período”. 

Foto: Maciel Goelzer/Divulgação

Do outro lado, os preparativos também estão a todo vapor: a psicóloga Bianca Stock se prepara para tocar trompete pela primeira vez no Bloco da Laje. No final de 2022, com 41 anos, e sem nunca ter tocado um instrumento musical, Bianca ganhou um trompete e algumas aulas em uma rifa da fanfarra Bate Sopra. Depois desse primeiro contato, ela passou a participar do coletivo Colmeia, e logo depois o convite veio do coordenador dos sopros do Bloco da Laje, o trombonista Leonardo Bohn

“Estava bem ansiosa no início, porque né, é o Bloco da Laje, e é muita responsabilidade. Mas o Leonardo e demais colegas dos sopros conseguem construir um clima muito amigável, leve e de ajuda mútua entre todos. E esse é o clima que sinto nos ensaios do bloco. Muito amoroso, com seriedade pela qualidade musical, mas também com diversão”, relata Bianca. “Acredito que domingo será uma festa linda, estou bem animada e com muita expectativa, e claro, com um imenso frio na barriga para entregar tudo o que o bloco merece”, completa. 

A saída do ano passado foi marcada pelo calor intenso na área próxima ao Parque Harmonia. Para este fim de semana, Camila aconselha os foliões: “o principal é se divertir, se hidratar, passar protetor solar e se proteger. O que nós queremos é colocar as cores na rua e deixar Porto Alegre um pouquinho mais feliz”.

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domingo, 28 a 28 de janeiro de 2024 | 07h00

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