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A salvação pelo “deixe seu like”

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A salvação pelo “deixe seu like” Grag Queen, personagem do cantor Grégory Mohd. Reprodução: Instagram @gragqueen
Segundo a pesquisa “Impactos da Covid-19 na Economia Criativa”, 45% dos profissionais da cultura apelaram às redes sociais para sobreviver na crise. É o caso do cantor Grégory Mohd, que viu seu público expandir na internet. Desafio, agora, é transformar popularidade em renda. Antes da pandemia, o ator e cantor Grégory Mohd estava com a agenda cheia. Em São Paulo, os shows que fazia como a personagem Grag Queen (@gragqueen) eram cada vez mais disputados. O fechamento de todas as atividades culturais no país, porém, interrompeu os planos. Mohd voltou para Canela, onde mora com a família, e viu a renda minguar. Sem perspectivas de retorno aos palcos, passou a traçar o único caminho possível para os artistas durante a quarentena: intensificou a presença na internet.  Já familiarizado com o ambiente digital, passou a produzir conteúdos diários com performances variadas. O resultado foi uma transformação na carreira, que deve se consolidar quando a pandemia acabar.  O cantor, que hoje acumula 187 mil seguidores no Instagram e quase 600 mil no TikTok, fez movimento semelhante ao de 45% dos profissionais da cultura, segundo revela a pesquisa “Impactos da Covid-19 na Economia Criativa”, realizada pelo Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC-BA), em parceria com instituições como a ESPM Rio, o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  Segundo o levantamento, o setor não ficou parado durante a pandemia – pelo contrário. Impossibilitados de realizar suas atividades pela necessidade de distanciamento social, os artistas e trabalhadores da cultura se dedicaram a fazer novos projetos, de escrever roteiros a gerar conteúdo para redes sociais. Pela característica do momento, o caminho de todos foi um só: a internet. O público, claro, agradece. Afinal, ninguém discorda que a arte é o bálsamo que tem ajudado a enfrentar a interminável quarentena. Para os artistas e trabalhadores do meio, no entanto, a coisa não é tão simples. De acordo com a pesquisa, um quarto dos trabalhadores e das organizações envolvidas no setor aponta a capacitação para ingressar no ambiente digital como uma demanda urgente.  Para se ter uma ideia, 55% indicam como necessidade prioritária a adoção de estratégias digitais de relacionamento com público, venda de produtos e prestação de serviços. Já 36% dos trabalhadores consideram indispensável o acesso a serviços e equipamentos para trabalho remoto. Os percentuais demonstram, na prática, que nem todo mundo sabe o que fazer ou possui as ferramentas para fazê-lo, quando o assunto é viver de arte e cultura na internet. “Hoje vemos muita gente fazendo projetos na internet, como as lives. Mas ainda é difícil monetizar. Nem todo mundo tem patrocínio de empresas. Aliás, a maioria não tem. Como gerar recursos para os artistas locais, comunitários? Esse é o grande desafio”, afirma Daniele Canedo, docente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), coordenadora do OBEC-BA e uma das líderes da pesquisa.  Alguns projetos, como as plataformas de streaming para peças de teatro, […]

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