Capa do livro digital "Os prefeitos de Porto Alegre: A história dos mandatários da capital gaúcha", do selo Abre Parêntese. Foto: Abre Parêntese/Divulgação

Os prefeitos de Porto Alegre: A história dos mandatários da capital gaúcha

Carta do Editor – Conhecer a história

Luís Augusto Fischer

Não é (apenas) porque quem não conhece a História está condenado a repeti-la — aliás, quem foi que disse isso? É porque conhecer a história é bom, faz bem pra inteligência, pra vida em comum, pra tudo.

Conhecer a história da cidade entra aqui. Uma cidade faz muito mais sentido quando o cidadão pode entender que ali, naquela esquina, já muita gente parou pra conversar, antigamente tinha uma padaria ou uma loja de ração para bichos, algum pipoqueiro agradou a clientela, ocorreu uma pechada, qualquer dessas coisas. Uma cidade se faz desse adensamento.

O que o leitor vai conhecer aqui, neste ebook que abre os trabalhos da Abre Parêntese, tem a ver com isso.

Aqui, repassamos, um por um, sem falta, a trajetória principal de todos e de cada um dos prefeitos que Porto Alegre teve, da nossa Pedra Lascada até hoje.

Bem, o fato de nosso passado como cidade ser relativamente curto, com uns 250 anos apenas, se por um lado nos afasta de burgos milenares mundo afora, por outro nos ajuda a entender o ritmo das coisas, o modo como fomos amadurecendo (ou não) como comunidade, como agrupação humana que aqui vive.

Aproveite.

Apresentação – Da república aos anos 2021

Stéfani Fontanive e Maurício Brum

É curioso que uma série sobre prefeitos tenha, já de início, políticos que nunca tiveram esse título. Mas é exatamente assim. Embora tenha estabelecido administradores municipais individuais desde o início da era republicana, Porto Alegre já deu três nomes a esse cargo: os primeiros mandatários eram os presidentes da Junta Municipal, seguidos pelos intendentes e, somente após 1930, passaram a ser chamados de prefeitos.

Este livro conta a história desses 40 homens (sempre homens) que exerceram o cargo máximo da capital gaúcha. O projeto é resultado da série Prefeito da Semana, veiculada no Matinal Jornalismo ao longo de 2020. A cada semana, em ordem cronológica, trouxemos pequenos perfis recuperando a vida e a atuação política de cada um deles. Nossa inspiração para esta série foi o podcast Presidente da Semana, da Folha de S. Paulo, que em 2018 recuperou a história dos líderes do Brasil republicano. República esta que também foi responsável pela mudança na administração de Porto Alegre, que acabou por individualizar a figura do que hoje conhecemos como prefeito. Pouco após o fim do Império, em 15 de novembro de 1889, a velha Câmara Municipal foi desfeita e os políticos da época montaram a Junta Municipal, órgão responsável por cuidar do orçamento da capital. Os participantes da Junta, no início, eram políticos conhecidos do Partido Republicano, que se alternavam no cargo de “presidente” – na prática, liderando a administração do município.

O cargo de presidente da Junta Municipal durou por apenas três anos. Em junho de 1892, a junta e o cargo de presidente foram extintos e criou-se o Conselho Municipal, quando o comando da cidade ficou sob responsabilidade do Administrador Provisório do Município. No mesmo ano, definiu-se a Constituição Municipal e criou-se um novo cargo, o de intendente. Foram quatro a governar com esse título durante a República Velha.

Eram tempos de pouca independência, e muitos reclamavam da extrema subordinação ao governo do Estado. A presidência da Junta Municipal também era um cargo efêmero: dos três primeiros que a ocuparam, apenas um ficou no cargo por mais de um ano, e a cidade chegou a ter um mandatário que durou apenas 18 dias, o obscuro João Domingues da Costa, ainda hoje um personagem de quem os arquivos da cidade conservam poucas informações.

O que os primeiros mandatários fizeram por Porto Alegre – geralmente nomear ruas e aprovar o orçamento, devido ao poder limitado que possuíam – está documentado nas atas da Câmara Municipal de Porto Alegre e em documentos conservados pelo Arquivo Histórico Regional Moysés Vellinho. Antes de José Montaury, o oitavo mandatário da cidade e o que permaneceu no cargo por mais tempo (mais de 27 anos, entre 1897 e 1924), recuperar as vidas deles longe da política é um caminho bem mais tortuoso: em muitos casos, não há registros sobre as profissões, data e local de nascimento ou de falecimento.

Até sobre a grafia de alguns nomes há incongruência nos registros municipais: seria João Damata, da Mata ou Damatta o sucessor de Felicíssimo de Azevedo, o primeiro mandatário? Foi Querubim ou Cherubim Febeliano da Costa o dono do mandato-tampão que precedeu a longa gestão de Montaury? Nesta série, buscaremos desfazer esse apagamento da história de Porto Alegre, uma lacuna ainda hoje presente em seus próprios arquivos.

Essa retomada histórica passa por um longo caminho. A equipe da Parêntese, na produção dessa série, buscou informações nas diversas instituições que conservam a memória e a história da cidade, como o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, o Arquivo Histórico Municipal, responsável pelas atas da Câmara, relatórios dos Intendentes e Anais da Prefeitura. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa e com o gabinete da Prefeitura, além da Secretaria Municipal de Cultura e a Câmara Municipal de Porto Alegre.

Também recorremos aos livros – e seus autores – que contam esse passado, como o Guia Ilustrado de Porto Alegre, de Antônio Augusto Mayer dos Santos, Porto Alegre e seus eternos intendentes, de Margaret Marchiori Bakos, e O Guia Histórico de Porto Alegre, de Sérgio da Costa Franco.

Esperamos que gostem do resultado dessa viagem pela história do governo da capital gaúcha.

Ficha catalográfica

Capa do livro digital "Os prefeitos de Porto Alegre: A história dos mandatários da capital gaúcha", do selo Abre Parêntese. Foto: Abre Parêntese/Divulgação

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