Carta da Editora, Matinal

Antídoto contra o noticiário da Covid-19

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Antídoto contra o noticiário da Covid-19 Por Marcela Donini* O noticiário pode nos deixar ansiosos, desanimados, impotentes. Falo por experiência própria e imagino que alguns leitores vão se identificar. Saibam que não estamos sozinhos. Diversas pesquisas já apontaram esse mal-estar, que existe muito antes da pandemia.É inegável que o coronavírus foi um catalisador dessa aflição. No Reino Unido, 33% do público afirma estar tentando evitar o noticiário. Como resposta a essa estafa, os britânicos estão usando menos as redes sociais tanto para se informar sobre a Covid-19 quanto para compartilhar conteúdo sobre a pandemia, de acordo com a sexta fase desta pesquisa da Ofcom, agência reguladora das comunicações do Reino Unido.Por aqui, ainda não há um termômetro mais preciso do que o público em geral está achando da cobertura. Mas relatos pontuais convergem na direção do que ocorre com os britânicos. A diretora de comunicação do Intercept Brasil, Marianna Araujo, comentou em uma de suas newsletters recentes que seus leitores já indicam exaustão em relação aos conteúdos de coronavírus. Em nossa recente pesquisa de opinião, alguns assinantes sugeriram que déssemos mais espaço a notícias positivas, como a recuperação de pacientes da Covid-19.“Longe de nos manter informados, [o noticiário] pode nos levar ao desespero”, diz a jornalista Giselle Green, neste artigo. No texto, a jornalista diz que o cenário é propício para reportagens produzidas sob a ótica do jornalismo de soluções, uma prática definida como uma “cobertura rigorosa e baseada nas evidências das respostas a problemas sociais”, de acordo com a Rede de Jornalismo de Soluções (Solutions Journalism Network). Green alerta que não se trata de ignorar más notícias ou ainda comprar a narrativa de órgãos oficiais. É um tipo de jornalismo que vai além da denúncia de problemas, tão frequente no noticiário pela natureza do nosso papel como fiscalizadores do poder, mas tem uma apuração igualmente criteriosa.Na jovem trajetória do Matinal, me arrisco a dizer que estamos construindo uma tradição de reportagens que expõem os efeitos do abandono e da má gestão do poder público. Antes da pandemia, revelamos irregularidade em contrato de terceirização na cultura da cidade. Depois do coronavírus, já denunciamos a precária situação de profissionais da saúde da Capital, bem como o descaso com a população em situação de rua. Mas, naturalmente, a redação vem fazendo um movimento em busca de respiros, como a reportagem que mostrou por que Rio Grande é um bom exemplo no combate à Covid-19.Agora damos um passo além: publicaremos uma pauta com a chancela da Rede de Jornalismo de Soluções. Nossa chefe de reportagem, Naira Hofmeister, ganhou uma bolsa da Fundación Gabo e da Rede de Jornalismo de Soluções para produzir uma reportagem com essa abordagem. A pauta que será publicada pela Matinal trata da pesquisa liderada pela Universidade Federal de Pelotas em âmbito nacional. Naira vai apresentar o esforço inédito no mundo para atestar a prevalência do SARS-CoV-2 como resposta à subnotificação dos casos, suas limitações e resultados preliminares. Além disso, vai acompanhar o uso dos dados levantados que será feito pelo governo brasileiro, que banca a pesquisa apesar de não ser lá muito chegado a respeitar fatos científicos… Para ampliar o impacto da […]

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Por Marcela Donini* O noticiário pode nos deixar ansiosos, desanimados, impotentes. Falo por experiência própria e imagino que alguns leitores vão se identificar. Saibam que não estamos sozinhos. Diversas pesquisas já apontaram esse mal-estar, que existe muito antes da pandemia.É inegável que o coronavírus foi um catalisador dessa aflição. No Reino Unido, 33% do público afirma estar tentando evitar o noticiário. Como resposta a essa estafa, os britânicos estão usando menos as redes sociais tanto para se informar sobre a Covid-19 quanto para compartilhar conteúdo sobre a pandemia, de acordo com a sexta fase desta pesquisa da Ofcom, agência reguladora das comunicações do Reino Unido.Por aqui, ainda não há um termômetro mais preciso do que o público em geral está achando da cobertura. Mas relatos pontuais convergem na direção do que ocorre com os britânicos. A diretora de comunicação do Intercept Brasil, Marianna Araujo, comentou em uma de suas newsletters recentes que seus leitores já indicam exaustão em relação aos conteúdos de coronavírus. Em nossa recente pesquisa de opinião, alguns assinantes sugeriram que déssemos mais espaço a notícias positivas, como a recuperação de pacientes da Covid-19.“Longe de nos manter informados, [o noticiário] pode nos levar ao desespero”, diz a jornalista Giselle Green, neste artigo. No texto, a jornalista diz que o cenário é propício para reportagens produzidas sob a ótica do jornalismo de soluções, uma prática definida como uma “cobertura rigorosa e baseada nas evidências das respostas a problemas sociais”, de acordo com a Rede de Jornalismo de Soluções (Solutions Journalism Network). Green alerta que não se trata de ignorar más notícias ou ainda comprar a narrativa de órgãos oficiais. É um tipo de jornalismo que vai além da denúncia de problemas, tão frequente no noticiário pela natureza do nosso papel como fiscalizadores do poder, mas tem uma apuração igualmente criteriosa.Na jovem trajetória do Matinal, me arrisco a dizer que estamos construindo uma tradição de reportagens que expõem os efeitos do abandono e da má gestão do poder público. Antes da pandemia, revelamos irregularidade em contrato de terceirização na cultura da cidade. Depois do coronavírus, já denunciamos a precária situação de profissionais da saúde da Capital, bem como o descaso com a população em situação de rua. Mas, naturalmente, a redação vem fazendo um movimento em busca de respiros, como a reportagem que mostrou por que Rio Grande é um bom exemplo no combate à Covid-19.Agora damos um passo além: publicaremos uma pauta com a chancela da Rede de Jornalismo de Soluções. Nossa chefe de reportagem, Naira Hofmeister, ganhou uma bolsa da Fundación Gabo e da Rede de Jornalismo de Soluções para produzir uma reportagem com essa abordagem. A pauta que será publicada pela Matinal trata da pesquisa liderada pela Universidade Federal de Pelotas em âmbito nacional. Naira vai apresentar o esforço inédito no mundo para atestar a prevalência do SARS-CoV-2 como resposta à subnotificação dos casos, suas limitações e resultados preliminares. Além disso, vai acompanhar o uso dos dados levantados que será feito pelo governo brasileiro, que banca a pesquisa apesar de não ser lá muito chegado a respeitar fatos científicos… Para ampliar o impacto da […]

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