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Escola particular denuncia ao MP mãe de aluno por mau desempenho no ensino remoto

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Escola particular denuncia ao MP mãe de aluno por mau desempenho no ensino remoto Depois de o Conselho Tutelar ter arquivado denúncia contra mãe, escola levou caso ao MPRS (Foto: Divulgação MPRS)

Caso ocorreu em Porto Alegre e expõe intolerância com a sobrecarga materna na pandemia

A consultora de lactação Cristina Machado começou o ano de 2020 empolgada com a nova escola dos filhos. Mais próxima de casa, na Zona Norte, a instituição era a promessa de um dia a dia mais fácil. No entanto, mal começaram as aulas e a Covid-19 chegou ao Rio Grande do Sul, suspendendo as atividades escolares e inaugurando o pesadelo que vem assombrando a família desde então. Com dificuldades de adaptação ao ambiente escolar mesmo antes da pandemia, o filho mais velho de Cris, 12 anos, enfrentava problemas com as aulas online. O conflito gerado pelas cobranças da escola por participação, notas e entrega de atividades desembocou numa ação extrema: em novembro do ano passado, a escola fez uma denúncia contra a mãe no Conselho Tutelar da Microrregião 02 de Porto Alegre e no Ministério Público Estadual.

Cris compartilhou o caso no Instagram

Depois da visita do Conselho Tutelar à casa da família, a denúncia de que o menino de 12 anos não estaria participando das aulas e das atividades foi arquivada. O processo no MP, porém, ainda não teve um desfecho, e Cris prefere não divulgar o nome da instituição para preservar os filhos, já que os dois seguem na mesma escola. “Quero dar uma chance para a escola e para eles. Mas se a resposta do MP for ruim ou se eu sentir que eles podem ser prejudicados, a troca será inevitável”, afirma. Na visita, o Conselho Tutelar não encontrou problemas na condução da educação domiciliar das crianças e, por isso, não deu seguimento à denúncia. De acordo com a coordenadora da Comissão de Educação do Conselho Tutelar de Porto Alegre, Márcia Gill Rosa, histórias de mães e pais sobrecarregados e inseguros sobre como lidar com os filhos em EAD são situações comuns na Capital; leia mais sobre os percalços do ensino online nesta outra reportagem.

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Tudo começou, segundo Cris, com a cobrança do Plano Pedagógico Transitório feita por ela nos primeiros meses da pandemia, um direito dos pais em tempos de ensino remoto. A escola, por sua vez, fazia exigências insistentes para que o menino participasse mais das aulas, fizesse as atividades com esmero e melhorasse as notas. “Eu sei que ele não participava das aulas como deveria, que não fazia direito as atividades. Nossa harmonia familiar acabou, porque era briga todo dia por causa do desempenho dele na escola. Minha filha mais nova já estava com medo daquelas brigas constantes, eu entrei em colapso, o estresse foi muito grande”, desabafa Cris.

O clima pesou tanto em casa que Cris preferiu que o menino fizesse o possível, dentro das condições dele, sem se importar com as ameaças de reprovação emitidas pela escola. “Eu pensei, azar se ele reprovar, melhor do que ficar esse estresse em casa”. As denúncias vieram em seguida. Atuante com seu perfil no Instagram, Cris compartilhou a história com seus mais de 58 mil seguidores em fevereiro. “Conto isso para que as pessoas vejam a violência a que as mães são submetidas todos os dias. As mães que não dão conta são denunciadas, humilhadas”.

Para 2021, Cris diz não ter muitas expectativas. “Só quero sobreviver. Não consigo lidar com a perspectiva de que vai ser mais um ano assim”, lamenta. 

Quando o Estado decretou a bandeira preta, ainda antes da suspensão das aulas pela Justiça, Cris decidiu que não levaria os filhos para a escola em função do risco. Mesmo assim, ela alerta para um debate complexo. “A escola não ser vista como uma atividade essencial vai além do meu umbigo. Sou mãe de classe média, sei dos meus privilégios. Mas e a mãe da periferia, que é caixa da farmácia e não tem creche para o filho? Me choca as pessoas se aglomerando em barzinho, os governos permitindo futebol, e o ensino nessa situação, sem vacinação e sem plano”, completa.

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