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Em níveis altíssimos, pressão dá sinal de queda nos hospitais do RS

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Em níveis altíssimos, pressão dá sinal de queda nos hospitais do RS

Seguindo num patamar altíssimo, a pressão no sistema hospitalar do Rio Grande do Sul começa a dar mostras de estar arrefecendo. As internações por Covid-19 em leitos clínicos, que chegaram a 5.435 em 12 de março, apresentam queda há quase duas semanas e caíram 19% até a manhã de ontem. No mesmo período, a ocupação em leitos de UTI cresceu, mas em ritmo menor: 4,3%. Apesar disso, a fila por leitos dá sinais de recuo: em uma semana, diminuiu 29%. Ainda assim, 184 pessoas aguardavam por uma vaga de terapia intensiva na noite dessa segunda na Capital. 

Com a maioria dos hospitais operando com mais de 100% de sua capacidade, não é o momento de comemorar: “No momento em que você instaura a vida normal, pode ser um gatilho para um novo aumento de casos e de hospitalizações. Não está baixo, está reduzindo”, alertou o infectologista Alexandre Zavascki a GZH. “Está um pouco menos caótica a situação”, resumiu. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, a semana iniciou com ocupação de 102,5% em UTIs do Estado.

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Essa queda aparente não tem relação com o avanço da vacinação no Rio Grande do Sul, que é um dos estados que mais administrou doses dos imunizantes contra o coronavírus. Nessa segunda, Porto Alegre passou da marca de 200 mil vacinas aplicadas. Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, cerca de 14% da população já recebeu alguma dose até aqui. 

A vacinação, aliás, deve começar a frear a pandemia no Brasil a partir de maio, isso caso a Fiocruz e o Instituto Butantan consigam cumprir seus cronogramas e a imunização atingir os idosos acima dos 60 anos em abril. A projeção é do Impulso Gov e foi publicada nesta matéria do Nexo Jornal. No entanto, advertem especialistas ouvidos pela reportagem, sem lockdown a média móvel diária de óbitos por Covid-19 deve permanecer acima de mil pelo menos ao longo de abril.

O que mais você precisa saber

Melo repete acusações a Leite; governo se defende – O prefeito Sebastião Melo (MDB) acusou mais uma vez o governador Eduardo Leite (PSDB) de tomar decisões políticas e não científicas. Ele insistiu em abrir restaurantes, bares e lojas nos finais de semana e afirmou que o governador “também” não apontou nada científico sobre a relação do comércio com a Covid-19. Em nota, o Piratini reafirmou que o momento é de risco altíssimo para fazer novas flexibilizações. Apesar disso, o modelo de cogestão do distanciamento controlado apresenta lacunas nos planos regionais aceitos pelo Gabinete de Crise para que as cidades adotem medidas mais brandas. Para quem ainda tem dúvida sobre onde mais se dá a transmissão do vírus, um amplo estudo publicado na revista Nature concluiu que restaurantes, academias, cafeterias, hotéis, lanchonetes e igrejas ou templos religiosos são, nesta ordem, os locais com maior risco. Lojas de diferentes segmentos aparecem em níveis abaixo, mas contribuem para a circulação de pessoas, o que aumenta potencialmente o risco de contágio.

Vacina tríplice viral fica escassa em clínicas após estudo relacionado à Covid-19 – Um estudo, que ainda está em andamento na Universidade Federal de Santa Catarina, indicou, de maneira preliminar, que o uso da vacina tríplice viral diminui o risco de sintomas da Covid-19. Não há eficácia comprovada e especialistas recomendam que a população não utilize o imunizante para prevenir o coronavírus. No entanto, a informação foi suficiente para que doses da tríplice viral sumissem das clínicas da rede privada de saúde. A Associação Brasileira de Clínicas de Vacina confirmou que o produto está escasso entre os distribuidores. O mesmo aconteceu em dez clínicas de Porto Alegre e a falta já atingiu crianças que precisam ser imunizadas contra sarampo, caxumba e rubéola. A tríplice viral precisa ser aplicada em duas doses, a partir dos 12 meses. 

Fome vira companhia indesejada de povos indígenas no RS – A pandemia completou um ano e este ciclo de crise provocou consequências econômicas importantes, principalmente para os grupos mais vulneráveis. É o caso dos povos indígenas, e no Rio Grande do Sul, em aldeias guaranis e kaingangs, a fome transformou-se em uma presença constante. O fim do auxílio emergencial e a impossibilidade de viver através da venda de artesanatos pesaram na rotina das famílias indígenas. O coordenador kaingang no Conselho Estadual dos Povos Indígenas, Delclides de Paula, afirmou que nenhum dos governos, federal, estadual ou municipal, assume a responsabilidade. O temor é de que os indígenas não consigam mais resistir e voltem às ruas das cidades para vender seus produtos.

Vacina, sim!

A vacinação contra a Covid-19 avança para a faixa das pessoas que tenham a partir de 68 anos em Porto Alegre. As doses serão administradas em 39 unidades de saúde e nos drive-thrus montados nos hipermercados Big Sertório e Big Barra Shopping Sul, na PUCRS e no Beira-Rio. Aliás, o Estado deu orientações sobre o uso das doses de vacinas que sobram no final do expediente.

Outros links:

  • Depois de passar 12 dias internado pela Covid-19, o cantor Nei Lisboa, de 62 anos, terá alta nesta terça. O músico reagiu bem à medicação e deixará o Hospital de Pronto Socorro.
  • O teste rápido de antígeno para a Covid-19 passou a ser oferecido pelo Hospital Moinhos de Vento. A testagem, que tem resultado instantâneo, identifica se o paciente entrou em contato ou se está com o vírus.
  • Acordo entre poderes e órgãos autônomos do Estado assinado ontem garantiu aporte extraordinário de 257 milhões de reais à Saúde
  • O prefeito Sebastião Melo apresentou o mapa estratégico do governo municipal. O documento estabelece metas e diretrizes da gestão para assegurar a melhoria de serviços na cidade.
  • O pedido de deputados estaduais do Novo para barrar concursos e nomeações no RS foi negado pela Justiça. A alegação dos parlamentares era de que as contratações extrapolariam o limite de gastos do Estado.
  • A Justiça decidiu suspender pela segunda vez o leilão de privatização da CEEE-D. A abertura dos envelopes do certame estava prevista para acontecer nesta quarta-feira.
  • O Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha, recebeu mil cruzes em homenagem aos mortos pela Covid-19. Os símbolos foram pintados de branco e espalhados em frente ao templo religioso.
  • A empresa calçadista Beira-Rio marcou para 9 de abril a inauguração da nova fábrica na cidade de Mato Leitão. O empreendimento terá 7,2 mil metros quadrados e irá gerar 180 empregos diretos.

A micronarrativa dos tempos vividos

“Na casa onde nasci, sobre as portas do armário, fui colando testemunhas aleatórias da minha história pessoal: um adesivo da Mad Dogs, empresa local de roupas que fez sucesso no período, lembrança do meu primeiro emprego, quando fui ajudante de serigrafia; outro adesivo (eram vários) relacionado a roupas, mas esse da marca Hang Loose, brinde quando comprávamos bermudas da marca; um pequeno esboço de uma paisagem feito com lápis 6B(…)”

Assim o escritor Tiago Marcon narra parte da sua história, por meio de “significantes gráficos”. Como seria a sua lista?

Leia a crônica completa aqui e inspire-se.


Cultura

Documentário registra todos os tempos de Siron Franco

Considerado por especialistas como a crítica e historiadora de arte inglesa Dawn Ades e o crítico e poeta Ferreira Gullar como um dos maiores pintores brasileiros de todos os tempos, Siron Franco é o tema de um ótimo documentário que reúne imagens captadas ao longo de duas décadas, combinadas com preciosas filmagens caseiras feitas pelo próprio artista em Super-8 e vídeo. Leia o comentário de Roger Lerina sobre siron. tempo sobre tela (2019), dirigido por André Guerreiro Lopes e Rodrigo Campos.

Agenda (🔒)

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Você viu?

Desistir ainda não está entre os planos do Agulha, um dos bares mais descolados de Porto Alegre. Com apenas três anos de idade, o local teve sua condição agravada pela pandemia e agora luta para seguir ativo e poder celebrar a quarta primavera no 4º Distrito da Capital. A ideia é se reinventar e por isso a administração do Agulha criou uma campanha que é pautada pela associação de pessoas ao “clube”. A adesão vai do preço mais módico, 10 reais, a 1,5 mil reais. Entre os serviços disponibilizados aos sócios estão playlists com novidades da música brasileira, cartazes, fotos de shows, doces e até cestas com café da manhã. Quem puder ajudar com 1,5 mil reais é incluído na categoria Apoiador Master, destinado a pessoas físicas ou jurídicas. A pessoa ou pessoa poderá ver a sua marca ou nome no cenário do palco e nos materiais de divulgação de shows. Outra condição atraente é a garantia de ingressos para todas as apresentações no Agulha.

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