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Cacica kaingang faz greve de fome para ser ouvida por juíza

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Cacica kaingang faz greve de fome para ser ouvida por juíza Indígenas Kaingang e Xokleng ocupam área desde 18 de outubro do ano passado. (Foto: Alass Derivas/Deriva Jornalismo)

“Só saio daqui dentro de um caixão”, disse líder do povo que ocupa área no Morro Santana, que poder virar condomínio em Porto Alegre

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A cacica Iracema Nascimento Gãh Té está em jejum desde a tarde desta terça-feira (20). Líder do povo kaingang, que habita o Morro Santana, em Porto Alegre, Iracema disse que decidiu fazer greve de fome para conseguir uma audiência com a juíza Clarides Rahmeier, da 9ª Vara Federal. “Eu queria que a juíza se colocasse um pouquinho no meu lugar, como avó, como mãe”, afirmou na coletiva de imprensa realizada no local.

Rahmeier ordenou no início de dezembro que os indígenas deixassem o local voluntariamente em 15 dias. Passado este prazo, determinou uma “execução forçada com apoio de força pública” para a desocupação. Os indígenas, porém, não haviam sido notificados. 

Rahmeier tem um histórico de decisões a favor do direito indígena, mas surpreendeu tomando a direção contrária no caso sobre o Morro Santana. “Saio daqui dentro de um caixão”, disse Iracema, lembrando que os umbigos dos seus dois filhos e netos estão enterrados naquela terra. O TRF-4 confirmou a decisão da Justiça Federal, negando os recursos do MPF e dos advogados da Comunidade Gãh Té.

Desde 18 de outubro, um grupo de indígenas kaingang e xokleng ocupa a área de propriedade da família Maisonnave. O terreno, no sopé do morro no bairro Jardim Ypu, é reivindicada pelos dois povos que habitam o local há séculos sem ter o direito à terra reconhecido. A área ficou hipotecada por mais de 30 anos ao Banco Central por dívidas da família, que não foram pagas. A demora em cobrar a dívida fez o processo de hipoteca caducar, e a área voltou à posse da família. 

A Maisonnave Companhia de Participações conseguiu autorização da prefeitura para erguer 11 torres de apartamentos no local, o que descaracterizará a região, segundo o Ministério Público Federal (MPF). “O morro vai vir abaixo. Vai valer a pena ter essas casas de pedra?”, disse Iracema. “Onde está a justiça? Onde está o direito indígena?”

A Justiça está em recesso forense até 6 de janeiro, e os advogados que assessoram a comunidade acreditam que só uma mobilização social pode adiar a reintegração. A comunidade Gãh Té vive em situação de extrema pobreza. 

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