Parêntese, Porto Alegre: uma biografia musical, Série As Origens

Arthur de Faria: série As Origens, Parte XIV

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Arthur de Faria: série As Origens, Parte XIV
O tenor baiano Arthur Castro Budd gravou tantas modinhas, fados e valsas de Octavio Dutra, que em 1923 a própria Casa A Electrica, que lançara as gravações nos seus Discos Gaúcho, editou um álbum com as letras dessas canções, coisa que só acontecia com grandes sucessos. Mas ainda não falamos o suficiente do carnavalesco Octavio Dutra. Ele começou dirigindo a estudantina do Bloco dos Tigres, cujo grande e afinado coro ainda seria lembrado 30 anos depois, em matéria do Correio do Povo. De lá sairia em 1921, para fundar o grupo/cordão Os Batutas – que fez história e no qual um Dante Santoro de apenas 17 anos arrasava na flauta. Nesse meio tempo, ainda foi maestro ensaiador d’Os Vampiros e do Passa-Fome-e-Anda-Gordo, blocos de fama e respeito. Nos anos 1930, assumiu a direção musical d’Os Turunas. E, de lambuja, ganhou mais de um concurso de músicas carnavalescas — gênero que, registre-se, à sua época ainda se esboçava. A propósito, há uma longa entrevista num dos tantos recortes não identificados do álbum guardado pela família. É do jornal Última Hora. A linhas tantas, reproduz essa maravilha de diálogo: – Estiveram as festas de Momo à altura da expectativa?– Sim… e não.– A resposta é um pouco “melancia”…– Evidentemente. Mas entretanto a mais precisa… Sim. A mais cabível, porque não se fira tão directamente as susceptibilidades do Deus da Pândega. Não tivemos até agora um carnaval magnífico, tivemos um atrahente carnaval. (…)– Momo não perdeu o prestígio…– Não. Impera ainda sobre a alegria do povo.– Falemos sobre os blocos e cordões (…)– Quer a marcha leader deste anno? Eil-a: A MARCHA CAMPEÃ DESTE CARNAVAL “SONHO DE JOCOTÓ” SOLO  Que noite doce,Celeste e linda,Se eterna fosse(noite sem par)Eu só queriaReso ao teu ladoNo meu pousadoO teu olhar CORO E então viverSempre a fruirTodo o prazerDo teu sorrirPor ti cantarCanções de amorE te adorarAssim, ó flor (bis) – Realmente é admirável. – Cite-nos o autor.– A letra e musica pertencemme, obrigado pelo elogio…– É sincero.– Acredito. * * * Trecho da letra de Bota Fora esse negócio que pode ser ouvida nesta versão (Hique Gomez e Regionall Star, 2009) Ficou famosa uma cena registrada justamente na sua estreia nos Batutas em 1921. O próprio autor anotou no seu caderno, ao lado da letra de Bota Fora Esse Negócio, parceria sua com o irmão Arnaldo Dutra: REPRODUÇÃO: Este tango, cantado com successo nunca visto pel’Os Batutas, campeão, na Praça Garibaldi, na Caverna dos Paladinos, em uma festa que esta sociedade dedicou aos Cordões da Capital desmoralizou por completo o Bloco dos Tigres, até então tido como o Campeão do Carnaval. Logo após os Batutas haverem executado, com maestria, a valsa Palmyra, de Octavio Dutra, então ensaiador e compositor d’Os Batutas onde teve um sólo de flauta o applaudido “Canário” Dante Santoro, o povo que assistia com avidez o encontro Batutas-Tigres ovacionou com delírio a Estudantina Batuta e levantou em seus braços o glorioso flautista Dante. Então os “Tigres” fortemente despeitados, responderam aos Batutas com o bonito tango “Vahe botá isto lá” da lavra de J. Penna, o que teve immediata resposta pel’Os Batutas, que executaram o “Bota fóra este negócio” dando lugar, que o povo (3.000 pessoas) vaiasse os Tigres fazendo com que, estes, abatidos, se retirassem da arena, sendo acclamado […]

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