Arthur de Faria, História do rock gaúcho, Parêntese, Porto Alegre: uma biografia musical

Arthur de Faria: História do rock gaúcho – É só o rock gaúcho, but I like it

Change Size Text
Arthur de Faria: História do rock gaúcho – É só o rock gaúcho, but I like it
Arthur de Faria 1955.Rock Around The Clock, com Bill Haley e Seus Cometas, incendeia o mundo no drama “Sementes da Violência” (Blackboard Jungle). No filme de Richard Brooks, a então novíssima canção encaixa à perfeição na estória dos jovens alunos incontroláveis que tocam o terror numa escola em Nova York. Se nos Estados Unidos já causara espécie, no Brasil aquilo soava diferente de absolutamente tudo o que já se havia escutado (afinal, “ninguém” sabia de Chuck Berry ou Little Richard, igualmente estreantes em disco em 55, ou mesmo Elvis Presley, que gravara pela primeira vez no ano anterior). Primeiro contato local com esse tal de rock’n’roll, Rock Around The Clock foi, surpreendentemente, regravado a toque de caixa em terras brasileiras. Era outubro quando, em inglês, mas com o título de Ronda das Horas, é lançado num 78rpm de Nora Ney. Acompanhada por quem? Jovens roqueiros brasileiros? Taí uma opção literalmente inexistente. Quem está ali é o Sexteto Continental. Sim, aquele mesmo dirigido pelo já veterano maestro e arranjador gaúcho Radamés Gnattali: Zé Menezes (maravilhoso!) na guitarra, o também gaúcho Chiquinho do Acordeom, Radamés no piano, Vidal no baixo acústico, Luciano Perrone na bateria mais um trombone não identificado.  (1: Para efeitos de comparação, é só pensar que a polka, a valsa, o rap ou o reggae levaram pelo menos uma década entre seu nascimento, em seus países de origem e a sua chegada em terras brasileiras).(2: Como é que o Rio Grande do Sul, pródigo em delírios de grandeza, perdeu essa? Radamés Gnattali e Chiquinho do Acordeom na gênese do rock brasileiro!?)(3: Efetivamente foi apenas em 2018 que, preparando a versão final deste texto, atentei para o selo do disco: Sexteto Continental! Entrei em contato com vários pesquisadores e especialistas sobre a obra de Radamés, a começar por seu sobrinho Roberto Gnattali: ninguém tinha se dado conta. E Radamés jamais falou nisso.) A ultra-cool Nora, intérprete de sambas-canção sofisticados, seria a última cantora que alguém imaginaria como uma roqueira de primeira hora. Mas era a dona da melhor pronúncia inglês no cast da gravadora Continental, e aí sobrou pra ela. Ouvi-la hoje, a gravação, é uma experiência deliciosa – em especial pelo inusitado da intérprete e seus músicos tocando com uma energia impressionante um ritmo com o qual ninguém ali tinha tido o menor contato prévio. Coisas dos gênios que eram Radamés e seus comparsas: os caras chegavam para trabalhar, recebiam como missão tocar um gênero musical que acabara de ser inventado e que não tinham ouvido jamais até então, Radamés escrevia o arranjo, eles gravavam e ninguém mais nem fala nisso, como se fosse a coisa mais natural do mundo. No ano seguinte, 1956, Elvis Presley já era um nome vagamente reconhecível no Brasil, mas a coisa só explodiu graças novamente a um filme: “Rock Around The Clock” (Ao Balanço das Horas). Puxado pela mesma canção de Bill Haley do ano anterior, mas com repercussão ampliada em proporção geométrica. No Rio de Janeiro, por exemplo, o filme impulsiona o nascimento de […]

Quer ter acesso ao conteúdo exclusivo?

Assine o Premium

Você também pode experimentar nossas newsletters por 15 dias!

Experimente grátis as newsletters do Grupo Matinal!

Escolhe um dos combos

Pagamento exclusivo via cartão de crédito