Ensaios Fotográficos

French Reflections

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French Reflections

Charles Martin, o Chuck, faz da fotografia uma consequência do momento e também do movimento. As oportunidades se mostram sem que ele esteja atrás de um olhar pré-concebido. Quase um ato involuntário, o que vemos é a captura da imagem atraída pela noção instantânea de seu olhar. Então as sequências do ensaio que vemos aqui se formam muitas vezes com uma mistura entre a nitidez e o desfoque. 

Por outro lado, como existem pontos comuns, é possível ainda discutir se o exercício involuntário por si só não é uma pré-concepção. Porque o que enxergamos conecta elementos visuais. Os elos estão bem expostos no todo e terminam por turvar, de certa forma, a ideia de acaso. 

Então convido o leitor e a leitora a notarem essas ligações comuns. Uma delas, por exemplo, é o lugar por onde Chuck passeia: a França. Seu olhar, que é o de um norte-americano, evidencia o ambiente en passant que recolhe cenas em frente ao café, nas vitrines, no metrô, nos muros e no espelho d’água. 

Por falar em espelho, outra ligação se faz nos reflexos. É bem evidente a duplicação de imagens com a sobreposição entre o espelhamento e o pano de fundo. A Torre Eiffel se multiplica, as taças de vinho refletidas se misturam ao anúncio publicitário no tampo da mesa. Tem até o próprio Chuck, ele que se fez ver através de duas lentes: a da câmera e a dos óculos.

Dessa ideia de ir fotografando e vivendo vemos uma acumulação de efeitos que nos permitem enxergar mais. E também menos.

*Texto de Ângelo Chemello Pereira

























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