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Making Carnival / Fazendo carnaval

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Making Carnival / Fazendo carnaval

O carnaval no Brooklyn, em Nova York, é talvez o maior evento da cidade e, segundo notícias, atrai de 1 a 3 milhões de pessoas. Com a possível exceção do Desfile do Dia de Ação de Graças (Thanksgiving) organizado pela loja de departamentos Macy’s em novembro, nada na cidade se compara ao tamanho desse carnaval, que também é chamado de “West Indian Day Parade,” (Desfile do Dia dos Índios Ocidentais). “Índio Ocidental” é o termo cunhado pelos europeus em sua primeira chegada ao novo mundo. Organizado pela comunidade caribenha, o calendário carnavalesco do Brooklyn, ao contrário da maioria dos outros, não é uma antecipação em fevereiro ou março para a Quaresma, mas em vez disso, cai no Labor Day (Dia do Trabalho) – a primeira segunda-feira de setembro — enquanto a temperatura em Nova York ainda é quente. Se fosse realizado no tempo habitual, como o Mardi Gras, seu primo de Nova Orleans, as atividades de Nova York seriam esfriadas pelos meses de fevereiro e março geralmente gelados da região — o auge do inverno. 

Três eventos principais compõem o Carnaval do Brooklyn. O primeiro é o Kiddie Carnival, para crianças, no sábado antes do Dia do Trabalho. Em seguida é j’ouvert, uma procissão noturna fantasiada, mas sem bandas, que se inicia  por volta da meia-noite, a madrugada do Dia do Trabalho. O desfile principal começa quando o j’ouvert termina, e muitos dos que participam do j’ouvert não param, mas continuam indo direto para os eventos do carnaval, tornando o j’ouvert e o carnaval um longo trecho contínuo a partir da meia-noite de segunda-feira até o anoitecer, quando tudo acaba. As origens de j’ouvert teriam sido no carnaval de Trinidad e Tobago, de onde se espalhou para outras nações do Caribe e para a comunidade de Nova York. J’ouvert, como uma palavra, vem do francês “jour ouvert”, a abertura do dia. É falado, em inglês, como “jouvay” (“djuvé”). 

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Os frequentadores do desfile serpenteiam pelo bairro de Crown Heights no Brooklyn, pelas ruas do bairro e pela grandiosa Eastern Parkway, via arborizada que leva ao final do desfile: o terreno do Brooklyn Museum, onde as fantasias e bandas são julgadas e prêmios concedidos. As músicas Calypso e Soca predominam, e muita atenção é dada à música das steel pans — panelas de aço — originalmente latas de lixo marteladas para que suas superfícies fornecessem tons variados de escala musical. O desfile do Brooklyn inspirou canções até mesmo de grandes nomes do Calypso, como o Mighty Sparrow, cuja letra da canção, “Mas in Brooklyn”, relata o “Dia do Trabalho no Brooklyn” e “Todo índio ocidental pulando como louco / Assim como um carnaval lá em Trinidad./ Yankee e todos ouvindo a batida da banda de aço.” (“Labor Day in Brooklyn” and “Every West Indian jumping up like mad/ Just like a carnival there in Trinidad./ Yankee and all listening to the steel band beat.”). No Brooklyn, ele diz, agora está em casa! 

Ao longo da rota do desfile, vendedores de comida caribenha oferecem pratos caribenhos – empadas de carne de cabra, boi, frango; frango condimentado (“jerk chicken”), peixe frito, plátano frito, ervilha e arroz, bolos e tortas, ponche de rum e cerveja de gengibre. As pessoas que vivem no percurso do desfile recebem amigos, que vão de casa em casa visitando, comendo bem, festejando e brindando o dia. Fui apresentado ao Carnaval do Brooklyn dessa maneira por meio de amigos originalmente de Trinidad e Tobago e transplantados para o Brooklyn. Eles não eram foliões de fantasias, embora observadores ativos. Num desses carnavais, fotografei uma pessoa que me convidou, para o ano seguinte, a acompanhar não só o dia do carnaval, mas os preparativos que o antecedem. 

As fotografias do Making Carnival (Fazendo Carnaval) são de pessoas em casa e saindo para j’ouvert. Existem também umas fotos dos Mas Camps que se preparam, bem antes do desfile principal de carnaval. Os Mas Camps são eventos – festas e reuniões em locais públicos, como clubes sociais, adegas, cafés e restaurantes, onde os figurinos são exibidos e os pedidos são feitos. Um bloco carnavalesco terá um determinado número de fantasias, de diferentes escalões e em vários números, e as fantasias são vendidas a quem quiser participar do cortejo do bloco carnavalesco. A preparação começa meses antes, às vezes logo após a conclusão do desfile atual. A maioria dos figurinistas são locais. Existem também, os criadores que estão em  Trinidad e Tobago. Nesse caso, as primeiras exibições não são das próprios fantasias, mas sim os desenhos. 

Os frequentadores do carnaval são locais e também de muitas outras partes do mundo. Os caribenhos costumam ter amigos e familiares em Nova York, então o carnaval para eles também é uma ocasião de reencontro. Além disso, como as pessoas são de muitos países — o evento sendo pan-caribenho — muitas vezes elas podem ser observadas perguntando  às outras de onde são. Alguns visitantes vêm apenas para o Carnaval em si, e isso inclui de vez em quando grupos de teatro da Inglaterra que aproveitam a “Parada do Dia das Índias Ocidentais” como uma oportunidade para encenar fantasiados no popular teatro de rua, e aliás, espalhar renome em Nova York.

Encontrei por estudos que a” Parada do Dia das Índias Ocidentais” surgiu de festas à fantasia no Harlem, em clubes e espaços sociais que atendiam à comunidade caribenha. A observância, então, era o tempo tradicional antes da Quaresma. Mas com o desejo de passar para festividades maiores e ao ar livre – um desfile genuíno – a data foi alterada para setembro, e o primeiro desfile, ainda no Harlem, ocorreu em 1947 e continuou até a década de 1960, quando as licenças de desfile público foram negadas devido à violência que tinha acontecido durante um desfile. No final da década de 1960, o desfile foi reiniciado, com licenças concedidas desta vez em Crown Heights, no Brooklyn, onde permanece.  Mas, ainda assim, ocasionalmente é marcado por brigas e violência que acorrem entre os foliões e quebram mais do que os ânimos. O Covid-19 provocou o cancelamento dos desfiles em 2020 e 2021. 

Dizem que o carnaval foi trazido para Trinidad e Tobago no século 18 por proprietários de plantações franceses que tinham bailes de fantasias e de máscaras— “mas” . O povo de origem africana não fazia parte disso, mas respondia com seus próprios eventos, ora em imitação, ora em irônica zombaria dos assuntos franceses, e com suas próprias músicas e ritos. O fim da escravização em 1838 permitiu que os eventos ganhassem público e escala. 

Hoje em dia, no Brooklyn, o carnaval como cantado pelo Mighty Sparrow e outros, é um momento de diversão onde milhões de pessoas pulam, dançam e festejam em desfiles fantasiados. Making Carnival observa carnaval nuns momentos de abertura, j’ouvert. 

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