Ensaios Fotográficos

Retratos

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Retratos

O que um retrato revela? Aquilo que o retratado esconde ou o que o fotógrafo quer que seja a essência atrás daquilo que vemos? Pronto, o jogo começa entre retratado + fotógrafo + lente + aqueles que olham para o retrato. É quase uma imagem de Escher, um moto perpétuo indecifrável quando o público faz suas interpretações. Esse é o mistério e a beleza que há em cada imagem que, despretensiosa ou intencionalmente, mergulha abaixo da superfície dessa máscara chamada rosto. “E pensar que isso não existiria sem esses frágeis instrumentos, os olhos”, divaga o mestre Jorge Luis Borges.

Quando mergulhei no meu arquivo virtual dos anos 2010, redescobri esses olhares guardados nos retratos que fiz de conhecidos, escritores, desconhecidos, jogadores, músicos, artistas do palco, do cinema e os artistas visuais. Sempre tem uma mistura de distância e intimidade entre eles e eu, um limite que pode não ser ultrapassado por mim, mas a lente da câmera é totalmente invasiva e reveladora. Não há limites entre o retratado e a lente, tem uma cumplicidade que algumas vezes só consigo perceber na hora da revelação das fotos. Sim, tem um momento que é literalmente uma revelação, não aquela do laboratório como antigamente, mas essa que acontece depois de algum tempo após a sessão fotográfica realizada. Para mim, isso tem o mesmo impacto do que na época em que a imagem surgia lentamente no papel que estava mergulhado no líquido que era o revelador fotográfico.

Acredito que o reencontro com as imagens feitas antes da pandemia não deixa apagar a esperança desses tempos onde máscara tem outro significado, é a sobrevivência enquanto a vacina não chega para todos.  Reencontrar rostos sem máscaras foi um pequeno oásis nesses tempos difíceis.

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Este ensaio publicado na Parêntese é uma exclusividade cedida pelo autor. Saiba mais sobre a exposição Retratos:

Retratos não terá uma abertura tradicional – com o fotógrafo e convidados – devido à pandemia e a orientação de evitar aglomeração de pessoas para diminuir o risco de contágio. Então, as fotografias de Gilberto Perin ficam de 1º a 31 de março de 2021 no Viaduto Otávio Rocha, na avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre, RS. É um lugar ao ar livre, aberto 24 horas, no centro da cidade.
A exposição marca a inauguração da Galeria Escadaria, dirigida por Marcos Monteiro, que será um espaço permanente para a apresentação da arte fotográfica.

Foram retratados: Allan Souza Lima, Antônio Borges-Cunha, Edu K., Eduardo Alves, Fernanda Moro, Fernando Baril, João Bachilli,  João Carlos Castanha, Jose Antarki,José Francisco Alves, Julio Zanotta Vieira, Karin Roepke, Leandro Machado, Madeleine Müller, Márcia do Canto, Marcos Verza, Mario Vargas Llosa, Morgana Kretzmann, Nilda Felisberta, Nuno Leal Maia, Otto Guerra, Roberto Camargo, Roger Lerina, Suzana Saldanha, Vagner Cunha, Vaneza Oliveira, Xadalu, Yang Liu, Zoravia Bettiol

Abaixo, as fotos à direita foram cedidas com exclusividade para esta edição da Parêntese.


Fernanda Moro

Fernando Baril

João Carlos Castanha

Karin Roepke

Mario Vargas Llosa

Nilda Felisberta

Roberto Camargo

Suzana Saldanha


Gilberto Perin é fotógrafo com exposições individuais recentes no MARGS (Porto Alegre), Lisboa (Portugal) e Genebra (Suíça). Tem dois livros de fotografia: “Camisa Brasileira” e “Fotografias para Imaginar”. Possui obras em museus, entidades culturais e coleções particulares, no Brasil e Exterior; além de fotos publicadas em jornais e revistas brasileiras e estrangeiras; e também fotografias que ilustram capas de livros. Formado em Comunicação Social pela PUC-RS.  

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