Arthur de Faria | Porto Alegre: uma biografia musical

Capítulo LXII – Um milhão de melódicos melodiosos – ou: os anos de transição (Parte 8)

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Capítulo LXII – Um milhão de melódicos melodiosos – ou: os anos de transição (Parte 8)
Flamboyant Fundado em 1959 – seis anos depois do conjunto Baldauf — , o Flamboyant seria uma invernada de músicos for export e o mais jazzista dos conjuntos melódicos da cidade. Apadrinhado pelo Glênio Reis, seria batizado por Paulo Deniz, dois dos mais importantes radialistas gaúchos. Deniz inspirara-se nas árvores que, na primavera, transformam a Praça da Alfândega de Porto Alegre num delírio impressionista. Daí o nome Flamboyant. E aí, se você é porto-alegrense, nesse momento se pergunta: – Ué, mas não são jacarandás? São. Mas, quando descobriram que tinham errado a árvore, o nome do conjunto já tinha pego. Flamboyant Aquilo é um flamboyant. Isso é um jacarandá. O povo era daltônico? Glênio os leva para a Rádio Farroupilha, para serem os concorrentes de Baldauf, então na Gaúcha. Só que, meses depois, o Conjunto Norberto Baldauf também vai pra Farroupilha. Melhor pra todo mundo. Assim, os dois grupos estavam na primeira transmissão de televisão no Estado, dia 20 de dezembro de 1959, Emissoras Associadas, TV Piratini. A partir dali, por meses, o Flamboyant teria seu próprio programa semanal, em horário nobre, ao vivo como era então tudo que acontecia na TV. Estávamos na primeira formação do grupo, um octeto com a seguinte formação: no sax tenor e clarinete, o paulista radicado em Porto Alegre Wladimir Lenine Latuada (alguma dúvida sobre qual era o partido político do pai de Latuada?). Sopros: uma variação importante com relação à sonoridade de todos os grupos de que falaremos. Latuada: disputado por vários grupos dessa cena, era o diretor musical do grupo. O resto da turma era: no acordeom, Norberto Alemão Rockstroh (Porto Alegre, 01/05/1936); na guitarra, o badalado Arnoldo Barbosa Ciganinho, que morava no Rio desde 1949, era cavaquinista, mas voltara à cidade e trocara de instrumento com êxito. Mais Adão Pinheiro (Santa Maria, 1938, Porto Alegre, 17/07/2013) no piano, o solicitadíssimo Sady Silva no contrabaixo e Sumerval Baraldo na bateria. A maior parte deles na casa dos 20 anos de idade. Adão era o caçula e, aos 20 anos, já tinha recusado um convite da então revelação Elza Soares para uma temporada nos Estados Unidos. Como aconteceu com Baldauf, aqui mais um membro baterista da família Baraldo seria substituído por causa da chegada da bossa nova. E aí quem assume é um craque na novidade: sobrinho de Lupicínio Rodrigues e também compositor, cantor e violonista, ele se chama Lupicínio M. Rodrigues, mas atende por Mutinho e segue em atividade.  O time se completava com a percussão de Ney Guatimozim (que já tinha trabalhado muito no Rio de Janeiro) e, durante o ano de 1962, Breno Sauer no vibrafone. De todos os grupos dessa cena, o Flamboyant seria o maior celeiro de grandes instrumentistas. E também o maior exportador de integrantes para fora da cidade, do estado e até do país. Mutinho em dois tempos: Flamboyant, década de 60 (foto acima); e, década de 70, na banda de Toquinho & Vinícius (foto abaixo) Graças à briga entre Farroupilha e Gaúcha, no começo de 1960 ocorre um novo troca-troca. A primeira trouxera o Conjunto Norberto Baldauf da Gaúcha? Pois agora a Gaúcha lhes tirava o Flamboyant. Na nova emissora, uma das […]

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