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Fantomaticos apresenta passeio sonoro por ruas de Porto Alegre

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Fantomaticos apresenta passeio sonoro por ruas de Porto Alegre A banda Fantomaticos. Foto: Fábio Alt

A partir da paisagem sonora de Borges com Andradas, primeira faixa do disco Esquinas, lançado em dezembro, a banda Fantomaticos percorre ruas de Porto Alegre e ambientes subjetivos em seu quarto álbum. Formado por André Krause (baixo), Augusto Stern (guitarra), Guilherme Fialho (guitarra), Pedro Petracco (bateria) e Rodrigo Trujillo (teclado) – com vocais dos cinco integrantes –, o grupo começou as gravações do trabalho em 2019.

Capa de Esquinas, dos Fantomáticos. Foto: Fábio Alt

“Passamos um feriado no sítio da família do Augusto [Stern], em Gramado. Levamos os equipamentos, arrumamos o ambiente e gravamos. Porém, o que era para ser uma pré-produção, acabou surpreendendo. Não esperávamos chegar na qualidade que estava gravada. Parecia melhor do que achamos que sairia naquele momento”, recorda Krause.

A banda Fantomaticos. Foto: Fábio Alt

O baixista conta que, no primeiro semestre de 2020, os planos de concluir as gravações em estúdio foram abandonados por conta da pandemia: “Demos como pronta muita coisa que, talvez, ainda mudaríamos. Não pudemos nos encontrar para discutir ideias e gravar. Assumimos, então, as ferramentas digitais, tanto para trocarmos ideias como para, cada um na sua casa, gravarmos as partes que faltavam. E funcionou!”. 

À medida que eram finalizadas, nove das 12 faixas de Esquinas foram lançadas como singles ao longo do ano passado, sempre acompanhadas de vídeos produzidos pela banda ou com diretores parceiros. “Os vídeos que lançamos foram a nossa contribuição com a estética de quarentena. O primeiro clipe que fizemos foi da instrumental Seu Chocolate, e, basicamente, nos inspiramos em vários outros clipes semelhantes que vimos”, explica Krause.

O baixista da Fantomaticos entende que Esquinas é resultado do amadurecimento da banda somado a certa perda de controle em relação às músicas, efeito da pandemia: “O que esse disco tem de diferente em relação aos anteriores é que ele é mais orgânico – pelo tanto que conseguimos gravar todos tocando juntos – e é mais maduro – dados os mais de 20 anos da banda (a primeira formação dos Fantomaticos data de 1999). Porém, devido à pandemia, de certa forma diminuímos um pouco o controle sobre o resultado final. Isso retardou algum foco na ‘busca por sonoridade’. Vamos dizer: nós assumimos a estética da pandemia, e estamos muito orgulhosos disso.”

Confira o faixa a faixa com comentários da banda.

Lado A Anoitecer 

1. Borges com Andradas
“O disco abre com um recorte sonoplástico para convidar o ouvinte a entrar no universo da obra da banda e, ao mesmo tempo, homenageia um ambiente movimentado da cidade de Porto Alegre. Conhecida como Esquina Democrática, o cruzamento das ruas Borges de Medeiros e Andradas, no centro, é tradicional ponto de partida das diversas manifestações populares – entre passeatas e comemorações. Abre alas desse quarto disco!”

2. Coisa com Coisa
“Composição experimental, assinada pelo guitarrista Augusto Stern e pelo baterista Pedro Petracco, que foi o responsável pela voz principal na gravação. A base instrumental já existia há algum tempo, mas os músicos finalizaram a letra e melodia durante uma tour em São Paulo. Cenas do cotidiano em uma cidade grande e corrida permeiam o universo da canção, como ir ao supermercado ou encontrar alguém em um corredor do prédio, ao mesmo tempo que mostram uma certa agonia. Este single foi destaque na HOTLIST #17 da revista Rolling Stone, e figurou na playlist editorial ‘Indie Brasil’ do Spotify.”

3. Boa Noite Porto Alegre
“Composição do guitarrista Augusto Stern. Marcada pelo instrumental denso e pesado, influenciado pelo grunge dos anos 1990, a canção apresenta um retrato caótico e conturbado dos nossos tempos a partir do olhar sobre a experiência cotidiana na capital gaúcha. A música, assim como o vídeo que a acompanha, é uma representação escura e densa da vida na cidade.”

4. Passado Moderno
“Entra a inevitabilidade de sentimentos de ansiedade e a constatação das repetições dos erros passados, Passado Moderno é uma tarde passada em casa e uma reflexão sobre a fragilidade. A canção foi composta pelo baixista André Krause, e entregue ao registro vocal do tecladista Rodrigo Trujillo. Uma base simples e direta, é a canção que mais flerta com o padrão de rock gaúcho, mas com alguma autorreferência. Esse single tem um belo videoclipe assinado pelo diretor Fábio Alt e esteve na playlist editorial ‘Pátria Rock’, do Spotify.”

5. Alguma Coisa Forte
“Um reggae de desastre(s). O tema principal é o sentimento de desconexão e a busca por uma força maior. Foi composta sobre uma imagem urbana de janelas frias e esquinas decadentes e o vai-e-vem pela Avenida Borges de Medeiros, no Centro Histórico de Porto Alegre. Este single tem um vídeo clipe roteirizado, dirigido e editado pela banda e também esteve na playlist ‘Indie Brasil’.”

6. Seu Chocolate
“Tema instrumental que já existe na banda há algum tempo, mas que, finalmente, encontrou seu disco ideal. Muito groove e alguma coisa de setentismo. Vem acompanhado por um clipe que a própria banda filmou e editou durante a quarentena, mostrando um pouco do dia a dia dos integrantes durante esse período, mas com um clima mais nonsense.”

Lado B Amanhecer

7. Osvaldo com João Telles
“Nosso passeio pela cidade prossegue com mais uma vinheta, que agora nos convida a conhecer umas das esquinas mais míticas (e místicas) de Porto Alegre. Do cruzamento entre a avenida Osvaldo Aranha e a rua João Telles podemos ver o Parque da Redenção, ponto turístico que representa bem o lado ensolarado do nosso disco. É também onde fica o lendário Bar Ocidente, casa do rock, ou seja, dentre os frequentadores da lendária boemia do bairro Bom Fim, muitos já viram nascer o sol parados nesta esquina.” 

8. Café Preto
“Em contraponto ao olhar caleidoscópio e turbulento sobre a vida na cidade, presente nas outras músicas, essa canção é como uma pausa para o café. Um descanso curto, mas necessário, para ver as coisas com algum distanciamento, reconhecer as valências e as falências e, a partir disso, criar novos sonhos e utopias. É uma canção amarga, mas revigorante, de melodia densa e riffs ácidos, como um gole de café. A canção é de autoria do tecladista e vocalista Rodrigo Trujillo e também figurou na playlist ‘Indie Brasil’ do Spotify.”

9. Cabelo Amarelo
“Uma canção suave, na qual o violão e o arranjo acústico se destacam. Sua letra fala de amor e das hesitações e atropelos tão comuns no início de um relacionamento. Para o vídeo desse lançamento, contaram com o trabalho de uma equipe de jovens cineastas liderados pela diretora Beatriz Potenza. Filmado ainda em 2019, em Porto Alegre, o clipe retrata os encontros e desencontros de um jovem casal no início de um romance.”

10. Do que Vale a Pena
“É uma canção leve e solar composta pelo tecladista Rodrigo Trujillo, que também assume os vocais nessa música. A letra propõe uma espécie de balanço existencial na tentativa de identificar as coisas que valem a pena na vida, como a amizade, o amor e algo mais, e traduzir tudo isso em canção. O vídeo, que também propõe uma espécie de reflexão/retrospectiva, foi dirigido por Bruno Carvalho.”

11. Amor Amor
“Carinho sem fim e felicidade não podem ser vistos como problema, então é importante lembrar que a vida vale mais a pena quando a gente tem com quem dividir o nosso tempo, sonhos e vida. A vida é frágil, nessa curta passagem sobre a terra. Amor Amor – assim, sem a separação das vírgulas – é uma canção de amor um pouco caleidoscópica, de uma pequena intimidade, mas também é uma forma de tentar iluminar um pouco as trevas dos corações de quem tenta fazer desse mundo um lugar frio. O sentimento é bom, e vale a pena. A música tem uma sonoridade que valoriza o piano e os instrumentos acústicos e é outra composição do baixista, André Krause – que assume os vocais.”

12. Pelas Esquinas
“Canção inédita, composta pelo tecladista Rodrigo Trujillo, que fecha o álbum reproduzindo uma espécie tour pela cidade de Porto Alegre. Passando por bairros como Bela Vista, Bom Fim e Independência, a música faz uma reflexão sobre as belezas e a decadência da capital gaúcha. Esse single vem acompanhado de vídeo dirigido por Leo Stein.”

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