Juremir Machado da Silva

Esculturas de Porto Alegre

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Esculturas de Porto Alegre Foto: Reprodução

Há momentos em que só a linguagem coloquial expressa tudo o que deve ser dito. Então, lá vai. Que baita livro! Falo de “A escultura pública de Porto Alegre”, obra em homenagem aos 250 anos da capital gaúcha, de José Francisco Alves, publicada pela Unimed Federação/RS e Unimed Porto Alegre, com apoio da Sidi – Medicina por imagem. O livro é um monumento de 412 páginas, capa dura, repleto de imagens coloridas e de textos que apresentam e explicam cada escultura de lugares públicos da capital gaúcha. José Francisco é craque na matéria.

Doutor em História da Arte pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especialista em Patrimônio Cultural pela Ulbra, bacharel em Escultura, Alves leciona Escultura e Teoria da Arte no “Atelier Livre Xico Stockinger”. Na apresentação, Nilson May, presidente da Federação Unimed/RS, e Flávio da Costa Vieira, presidente da Unimed Porto Alegre, vão direto ao ponto: “O livro apresenta, em três capítulos, uma análise histórica, pontuando os principais períodos da revolução escultórica ao ar livre; uma análise internacional das teorias e políticas de arte pública e sua ‘aplicação’ em Porto Alegre, além de temas de urbanismo, conservação e proteção do patrimônio histórico e artístico”. Na boa, tem tudo.

Conhece-se Porto Alegre por meio das esculturas que a povoam. É como fazer um tour com um guia que sabe tudo sobre o lugar, da arte dos cemitérios à arte dos parques, ruas e praças. Nada escapa. O flâneur abre o livro ao acaso, adepto da ideia de que o aleatório sabe o que faz, e cai na “Fonte de Talavera de la Reina, 1935”. Vê fotos da obra e lê sobre a sua história: “A ideia da colônia espanhola radicada no Rio Grande do Sul em presentear os gaúchos com uma fonte ornamental inédita e de exemplar único, por ocasião das festividades do Centenário da Revolução Farroupilha, nasceu dentro da Sociedade Espanhola de Socorros Mútuos. Por sugestão de Isidro Vila, foi contratado para realizar o projeto o prestigiado ceramista espanhol Juan Ruiz de Luna, da cidade mundialmente conhecida como valoroso centro da cerâmica artística, Talavera de la Reina, na Espanha”.

Essa todo mundo conhece? Todo mundo vê. Conhecer é outra coisa. Tem cada busto, cabeça, relevo. Não fosse um volume pesado, eu sairia com ele embaixo do braço. Andaria de praça em praça conferindo estátuas, puxando conversa com qualquer um sobre as figuras que nos olham de cada canto e para as quais, em geral, já não prestamos atenção. Na Praça Dom Feliciano, “conversaria” com Mario Totta; no Parque Farroupilha, olharia com respeito para Annes Dias; teria outros olhos para tento prédio silencioso, tanta escultura perdida, tanta vida investida em benefícios dos outros, tantas cabeças que pareciam sem dono, tanta arte esculpida ao longo dos anos por mãos talentosas de artistas tragados pela voragem do tempo, esse devorador de almas.


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A escultura pública de Porto Alegre

Lançamentos:

– Para autoridades e convidados, sábado, 11 de junho, às 11h, na Casa da Memória Unimed Federação/RS, Rua Santa Terezinha, 263, Bairro Farroupilha.

– Para o público, 11 de junho, 18h, Shopping Total, em quiosque no piso Cristóvão Colombo (primeiro piso). Em frente à Tabacaria Aymoré. Coquetel oferecido pelo Shopping Total.

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