Juremir Machado da Silva

Semana da Arte Moderna

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Semana da Arte Moderna Foto: Florcence Zyad / Theatro Municipal SP

O Brasil cultural nunca mais foi o mesmo depois da Semana da Arte Moderna de fevereiro de 1922, que reuniu no Theatro Municipal de São Paulo artistas, intelectuais e escritores para sacudir a poeira do parnasianismo e da cultura bacharelesca da época. A Semana, que consagraria muita gente, tendo Mário e Oswald de Andrade como figuras de proa, cristalizou o que já vinha fermentando em vários lugares do país. Havia modernismo e modernistas no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, em Recife, Brasil afora.

Nada, porém, como um evento bem calibrado para dar a uma ideia em gestação um parto a ser burilado com o passar dos anos. Ao longo das décadas, a Semana ganhou corpo, alimentando-se de polêmicas e de mitos.

A antropofagia seria batizada depois da Semana, mas faz jus a ela: tudo seria reinterpretado.

Abre neste sábado, 7 de maio de 2022, na Casa da Memória da Unimed-RS, uma exposição com material do acervo modernista do escritor Gilberto Schwartsmann. O convite abaixo indica o caminho da arte.


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Poeminha quase moderno com cem anos de atraso
(ou nunca é tarde para viver)

Hoje comi peixe no Mercado Público
Cocei a barriga como um bronco,
Lambi os beiços e até comentei:
A poesia morreu. Está enterrada.
Depois, voltei para casa de ônibus
Lendo os poemas colados no vidro
Acho que adormeci e morri
Encontrei Deus depois do túnel
Ele me disse: bem-vindo, poeta
Então, desci, subi apressado,
Espichei-me no sofá para repousar,
Quem sabe sonhar com Deus e o paraíso,
Um paraíso de poetas frescos, leves,
Que sobem pela frente e pagam passagem.
A luz que filtrava pela janela era glauca
Perdi a vida procurando palavras no dicionário
Agora, aposentado, jogo tudo fora com as espinhas
Salvo essa claridade que indica o caminho
Quando eu morrer, quero peixe, poesia e muito sol.

Colombo fecha loja por falta de segurança

Com o Governo do Estado e a Prefeitura de Porto Alegre mais interessados em fazer Parcerias Público Predadoras (PPP) não sobra tempo para cuidar da segurança da capital. Em consequência, comerciantes tradicionais pagam o pato. Neste sábado, 7 de maio, a filial das Lojas Colombo da Protásio Alves, bem na frente do Hospital de Clínicas, encerra suas atividades. Motivo: insegurança generalizada. Vulgo, basta de assalto.

Piazzolla no Instituto do Cérebro da PUCRS

Uma parceria do PUCRS Cultura, dirigido por Ricardo Barberena, e do Instituto do Cérebro da PUCRS, comandado pelo doutor Jaderson Costa da Costa, abriu o “Hemisfério Cultural”, no horário do almoço, com um espetáculo maravilhoso: “Tango’s Show – A revolução do tango – 30 anos sem Piazzolla”. No palco, Carlitos Magallanes (bandoneon), Dunia Elias (piano) e Márcio Reggiori (contrabaixo). Na plateia, encantamento.

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