Reportagem

Instituto Oliveira Silveira vai disponibilizar acervo do poeta ao público

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Instituto Oliveira Silveira vai disponibilizar acervo do poeta ao público Naiara Silveira, filha do poeta Oliveira Silveira, é a responsável pelo acervo do pai (Foto: Flávio Dutra/Jornal da Universidade)

Presidida pela filha Naiara Silveira, entidade foi criada às vésperas em que o escritor e ativista completaria 80 anos

No Ano Estadual da Consciência Negra no RS, Porto Alegre ganha o Instituto Oliveira Silveira, que vai preservar todo o acervo do poeta. Um dos fundadores do Grupo Palmares, Oliveira também é idealizador do 20 de novembro, data criada em contraponto ao 13 de maio. Foi aqui, na capital gaúcha, que nasceu o Dia da Consciência Negra, em 1971, no Clube Marcílio Dias, um dos clubes sociais negros mais populares da cidade à época. 

Doze anos após a morte do poeta e no mês em que ele completaria 80 anos, a filha Naiara Silveira anunciou a criação do Instituto Oliveira Silveira – IOS em uma assembleia online ocorrida no dia 14 de agosto, com a participação de amigos e a promessa de que, em breve, mais pessoas poderão se associar à nova entidade. O poeta completaria 80 anos no dia 16.

Naiara recorda a dificuldade que o Grupo Palmares teve em encontrar documentos para pesquisar sobre o 20 de novembro no passado, e conta que isso motivou seu pai a criar um acervo capaz de narrar a história do nascimento do Dia Nacional da Consciência Negra. “Ele teve a preocupação de organizar documentos, cartas, vídeos, jornais, para que as pessoas tivessem um lugar onde pesquisar”.

Para ela, é fundamental que haja em Porto Alegre um lugar de referência que abrigue todo o acervo do poeta, “para que as pessoas possam visitar, pesquisar e ter acesso a toda essa maravilha que meu pai organizou em tantos anos de vida”. Naiara afirma que o acervo criado pelo pai narra a trajetória do movimento negro no RS, daí sua extrema importância. “Tenho que levar o legado adiante. Meu pai organizou seu acervo em vida para servir às outras pessoas.” 

Naiara Silveira, filha do poeta Oliveira Silveira, entre obras e pertences do pai (Foto: Flávio Dutra/Jornal da Universidade)

Além da criação do Centro de Documentação e Acervos Oliveira Silveira – CEDOC-OS, o IOS vai promover ações educativas de conscientização da relevância do patrimônio do poeta. A iniciativa ocorre em parceria com a Coordenação de Direitos e Promoção de Igualdade Racial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Porto Alegre, que irá viabilizar um espaço físico, ainda sem endereço definido, para armazenar o acervo e receber o público.

Acervo do poeta Oliveira Silveira (Foto: Flávio Dutra/Jornal da Universidade)

A coordenadora de Direitos e Promoção da Igualdade Racial, Adriana Santos, acredita que este será um espaço visitado por todo o Brasil e até por estrangeiros. “Ele foi um homem muito à frente do seu tempo, pensou muitas coisas para a educação, para a cultura, para toda a sociedade negra do nosso Estado e do país”, afirmou. 

Santos observa que, mesmo sendo o berço do Dia Nacional da Consciência Negra, o Rio Grande do Sul é um dos estados com menor proporção de pessoas negras no País, cuja maioria é de pretos e pardos. Para ela, esse fato amplifica a necessidade e a importância de se preservar e difundir a memória de Oliveira Silveira. “Muitas das políticas que tiveram reflexo nacional nasceram aqui, como o próprio 20 de novembro que neste ano completa 50 anos. Oliveira Silveira é o gestor dessa ideia, é o grande pai dessa data comemorativa que hoje tomou conta do país”, exalta.

Professora da Unipampa e biógrafa de Oliveira, Sátira Machado zela pelo acervo do poeta ao lado de Naiara. Ela destaca que a coleção tem inúmeros documentos, desenhos, fitas de áudio, xilogravuras, trocas de cartas entre Oliveira e ativistas do movimento negro em todo o país e no mundo, pertences pessoais do poeta como o tambor, a máquina de escrever, o berimbau, e vários escritos inéditos. 

Ainda quanto ao acervo, Machado conta que “Oliveira registrou, neste acervo, o caminho histórico que o Grupo Palmares e o movimento negro percorreram antes, durante e depois do nascimento do 20 de novembro. O Instituto, que vai abrigar o acervo, vai ser focado em divulgar a vida, a obra e a consciência negra de Oliveira Silveira.”

Acervo do poeta Oliveira Silveira (Foto: Flávio Dutra/Jornal da Universidade)

Em breve, toda a coleção estará disponível de forma digital. Machado explica que a digitalização do acervo iniciou em 2019, numa parceria entre a Unipampa e o Programa de Pós-Graduação de Letras da UFRGS. Atualmente, há um projeto arquivístico em andamento sob os cuidados do curso de Arquivologia da UFRGS. “Após a catalogação e digitalização dos documentos, o acervo estará disponível para consulta no site dedicado à vida e obra de Oliveira Silveira, onde já está a primeira versão da fortuna crítica do poeta”, afirma.

IEL também vai receber originais do poeta

Além da criação do Instituto Oliveira Silveira, que vai abrigar todo o seu acervo, o Instituto Estadual do Livro, órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, também vai receber originais do poeta.

Em 2019, no Dia Estadual do Patrimônio Cultural, Naiara Silveira fez uma entrega simbólica de uma parte do acervo ao IEL. Com verba de emenda parlamentar da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), a entidade adquiriu novo mobiliário para abrigar documentos e obras de Oliveira e de outros autores. Até a notícia da criação do Instituto Oliveira Silveira, o IEL tinha expectativa de receber todo o acervo documental do poeta. Mas, segundo Naiara, o IEL não possui espaço adequado para abrigar o acervo completo.

À reportagem a diretora do IEL, Patrícia Langlois, afirmou que vai respeitar a decisão da criação do IOS e destacou a importância da literatura do poeta como uma “arma contra o racismo”.

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