Entrevista

Claudinho Pereira – Um clássico na vitrine

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Claudinho Pereira – Um clássico na vitrine (Foto: arquivo pessoal)

Uma cidade que se preze tem figuras, indivíduos que encarnam de algum modo qualquer coisa de essencial na geração em que vivem. Sem qualquer dúvida, Claudinho Pereira é um desses, para Porto Alegre. Fez fama como discotecário, quer dizer, DJ, mas sua trajetória envolve muito mais do que botar o pessoal para chacoalhar o esqueleto – uma gíria velha, desculpa aí. O Claudinho esteve dentro ou perto de muitas das coisas mais interessantes que apareceram na cultura pop da cidade nas últimas décadas. Ou estava no comando, ou estava agitando.

Com sua conhecida energia e verve, o Claudinho concedeu esta entrevista, feita em parceria com a Cubo Play. Participaram da sessão a Cláudia Laitano, o Carlos Caramez e este que aqui alinha as palavras. Na Parêntese, agora, vai apenas uma parte do papo, que poderá ser visto extensivamente no link abaixo.

Luís Augusto Fischer


Parêntese – Falemos sobre aquele tempo de quando tu eras jovem ainda e dançavas nas boates: tu dançavas ou botavas o povo pra dançar?

Claudinho Pereira – Eu tive um grupo de dança. O conjunto Os brasas tocava e nós dançávamos. Nós ganhamos dois campeonatos de dança na Argentina e um no Uruguai. 

P- Que beleza! O que vocês dançavam, rock and roll?

CP – Não. Bossa nova, hully-gully, twist. Era isso naquela época. 

P – O legal do Claudinho é que ele começou muito cedo, pegou toda evolução musical dos anos 60. Tu começaste desde…

CP – Foi o meio que eu arranjei. Eu era filho de uma empregada, que veio de Santa Catarina com 18 anos e ficou grávida na Festa do Divino de um sujeito que dizia ser marinheiro. E eu tentei procurar na Marinha, mas nunca o achei. Ele também dizia que era carioca, também não era. Os marinheiros daquela época vinham de Pernambuco. Tentei achar esse pai e nunca achei. 

Um casal de metodistas alemães me criou junto com a mãe. A mãe era empregada deles na época da roda dos enjeitados, aquela roda que tinha na Santa Casa. As freirinhas abriam lá e tiravam as criancinhas [enjeitadas]. Foi o casal que não deixou. “Não, não. Tu trabalhas com a gente, tu moras aqui e a gente cria ele”. E eu fui criado no meio de Zaida Jarros e Jenor Cardoso Jarros. Eram todos os amigos da Igreja Metodista Central. Ficava ali na antiga Praça do Portão. 

P – Os Jarros do Jornal do Comércio?

CP – Donos do Jornal do Comércio. Eles saíam da igreja, almoçavam. E eu ficava todo exibido porque eles sempre elogiavam muito a minha mãe por seus dotes culinários. 

P – Essa coisa sobre o pai, como foi isso? Quando que tu te deste conta que isso era uma questão? Foi desde sempre ou foi há pouco? 

CP – Aos 17 ou 18. Depois de casado comecei a me interessar por saber quem era o meu pai. Eu tinha um lado da família e não tinha outro. Procurei na Marinha Mercante, na Marinha de Guerra… Ele deu 171 e eu virei filho de macega. Acho que foi por essa questão do meu pai que eu assumi muito bem meus filhos. 

P – Que idade tu tinhas nesse teu primeiro filho? 

CP – A Preta [minha esposa] tinha 14. Quando casei, eu devia ter 17 ou 18. Foi aí que começou.

P – Tu lembra da Porto Alegre da tua infância e da tua adolescência? Que cidade era aquela? 

CP- Eu estudava e morava no Bonfim. Eu nasci no Bonfim. As minhas férias eu passava no morro, na rua Erechim. A rua Erechim fica em Nonoai. Então eu tinha a maloqueiragem e os granfinos. Sempre fui amigo do traficante e do governador também. 

P – Mas e o Centro? Tu frequentava o Centro? 

CP – Frequentava o Centro. A Igreja Metodista Central era bem ali do lado da confeitaria Rocco. O Centro era uma maravilha, eu adorava ir na Praça da Alfândega. A gente saía para ir ao cinema Central que ficava lá na praça. “Tá passando o filme Sermão da Montanha”. Aí tu ias lá. Era uma bosta de filme, mas o cara ia. A gurizada andava pra lá e pra cá. Essa foi minha vida. 

[Continua...]

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