Nossos Mortos

No jornal

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No jornal

Uma característica que sempre me chamou atenção, além do seu vivo interesse pela escuta clínica, foi a escrita de Contardo Calligaris para os jornais. Talvez por meu passado jornalístico e mesmo por achar que a psicanálise tem que estar participando do debate das ideias na cidade e no mundo. Ou seja, encontrar uma forma de dialogar efetivamente com a vida cotidiana das pessoas, sem fazer proselitismo ou promessas de certeza – dessas o inferno e as redes sociais estão cheios. 

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Uma característica que sempre me chamou atenção, além do seu vivo interesse pela escuta clínica, foi a escrita de Contardo Calligaris para os jornais. Talvez por meu passado jornalístico e mesmo por achar que a psicanálise tem que estar participando do debate das ideias na cidade e no mundo. Ou seja, encontrar uma forma de dialogar efetivamente com a vida cotidiana das pessoas, sem fazer proselitismo ou promessas de certeza – dessas o inferno e as redes sociais estão cheios. 

Contardo começou fazendo reportagens e entrevistas. Sem pesquisar arquivos, vem à memória duas em particular: a primeira do início dos anos 90, sobre o circuito sado-masoquista em Nova Iorque (assinada com Eliana dos Reis). Ficava evidenciado naquelas páginas que a sexualidade humana era diversa e que não poderia ser enquadrada por preconceitos morais, ou religiosos. A condenação de práticas diferentes poderia ser interpretada como uma tentativa de eliminar nos outros os desejos inconfessáveis que escondo de mim mesmo. Origem de muita violência homofóbica, feminicida e política dos dias atuais. 

A segunda (voltando às lembranças) foi uma entrevista com seu conterrâneo Umberto Eco, naquele momento pensador e escritor consagrado internacionalmente. Foi divertido ler uma matéria onde o entrevistador, além de perguntar, discutia à altura com o entrevistado sobre questões básicas da condição humana. Dois italianos inteligentes, exercendo sua verve latina. 

No final dos anos 90, Contardo passou a assinar uma “crônica” semanal na Folha de São Paulo que ele sustentou enquanto teve forças. Atividade que declarou várias vezes ter tornado sua vida mais interessante.


Robson de Freitas Pereira – Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre

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