Editorial | Revista Parêntese

Parêntese #216: Quem é?

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Parêntese #216: Quem é? Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Fico sinceramente tentando entender como funcionam a cabeça e a alma dos bolsonaristas. Não de todos, porque alguns certamente serão gente simples de entender, mais ou menos com o Hermógenes, personagem do Grande sertão: veredas, que era mau até na escuma do bofe. Penso nos apoiadores mais triviais. Gente com cara de vizinho, de tio ou tia, gente capaz de dar esmola para um pedinte, gente que trabalha de verdade e não fica enganando décadas a fio, como o chefe deles. (Eu tenho um tio assim, exatamente assim). Uma senhora dessas, entrevistada na manifestação da Paulista, disse, com ar sério, que crianças eram queimadas, ou algo assim, algo na linha do que declarou em alto e bom som a inefável senadora Damares, para quem havia gente na ilha de Marajó que tirava os dentes de leite de criancinhas que eram obrigadas a praticar sexo oral com não sei qual tipo de malvado, certamente de esquerda, na perspectiva dela.  Publicidade Fico pensando em gente esclarecida, que faz todas as refeições que quis ao longo da vida, que comeu e come do bom e do melhor, que estudou e viajou – e que escolhe apoiar o autoritarismo cafajeste representado pelo ex-presidente. Como funciona a cabeça e o coração dessa gente? Olha para o militar expulso, para o picareta que comprou dezenas de imóveis com dinheiro vivo, para o filomiliciano enrolado com vários tipos de falcatrua e truculência – olha para ele e conclui que ainda assim ele é melhor que quaisquer outros?  A mesma coisa com Trump: como pode alguém que disponha de suas faculdades mentais aceitar votar naquela lamentável figura? Mistérios da vida humana.  Na impossibilidade de esclarecer todos esses desvãos, a Parêntese vai de coisa mais leve, capaz de nos conduzir a momentos de esclarecimento, ilustração, aprofundamento crítico.  Estreamos hoje uma série especial sobre a escritora Dinah Silveira de Queiroz. Ana Cristina Steffen, pesquisadora da sua obra, contará, em quatro capítulos, a história dessa que foi a primeira mulher a conquistar o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra, em 1954, da Academia Brasileira de Letras, e de quem pouco sabemos.  O frio da Rússia fez Daniel Scandolara voltar ao Brasil. Não fosse isso, estaria em terras ucranianas em pleno início da Guerra, para o segundo módulo de seu mestrado. De longe, ele acompanhou a resiliência dos professores e colegas que moravam na região. É o terceiro momento de seu relato aqui na revista.  A dica desse sábado é quente: tem lançamento do livro da dupla Claudia Tajes e Diana Corso, no Goethe-Institut Porto Alegre, às 17h, com leituras e bate-papo com as autoras. Claudia fez um convite aos leitores e leitoras da Parêntese.  O humor é marca registrada da Ana Marson, que vira e mexe escreve por aqui. Nesse sábado, ela conta o causo da PF – isso mesmo, a Polícia Federal –, que bateu na sua porta, em um amanhecer de um dia qualquer.  Ana Boff de Godoy escreve sobre o oito de março e a luta […]

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