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Sereno Chaise, o prefeito derrubado pelo Golpe de 64

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Sereno Chaise, o prefeito derrubado pelo Golpe de 64 Sereno Chaise. Foto: PDT/Divulgação
29º PrefeitoNome: Sereno ChaisePartido: Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)Período que governou: 01/01/1964 a 08/05/1964 Por Maurício Brum No seu último dia como prefeito de Porto Alegre, já cassado pela ditadura que apenas começava, Sereno Chaise limpou sua gavetas, sentou-se em sua cadeira e esperou. Logo após o Golpe, em 1º de abril de 1964, ele chegou a ser preso, mas foi liberado em seguida – e, em uma confusão legal da nova institucionalidade, ainda permaneceu no poder por outro mês. Agora, porém, não tinha volta. Sobre sua mesa, um decreto para aumentar as passagens de ônibus, que decidiu deixar para o sucessor resolver (“no meu último ato ainda vou assinar o aumento das tarifas?”), e outro projeto entravado pela falta de verba para indenizações: a transformação do antigo hipódromo do Moinhos de Vento no que viria a ser o Parcão, idealizado sob Loureiro da Silva, mas que só seria inaugurado em 1972. Sereno Chaise esperou e esperou, questionando-se sobre o sucessor imposto: um capitão, um major, um tenente-coronel? “A patente do militar deve ser proporcional à dimensão do cargo que será cassado”, imaginou, conforme relatou ao jornalista Luciano Klöckner nas entrevistas para o livro O Diário Político de Sereno Chaise (2007). Mas aquele 8 de maio de 1964 passou, e os problemas de Porto Alegre, pelo jeito, eram pequenos demais para os militares se importarem: ninguém apareceu. Ainda assim, seguindo a linha de Jango de não desafiar abertamente para evitar possíveis derramamentos de sangue, decidiu se retirar. Ao fim do expediente, já conformado, Chaise reuniu seu secretariado e os funcionários mais próximos, agradeceu a todos e se foi para nunca mais voltar. Após quatro meses, encerrava-se, à força, o mandato do único prefeito da história de Porto Alegre a ser derrubado (e preso) como consequência de um golpe ocorrido em Brasília. Não seria a última desventura de Chaise em função da chegada dos militares ao poder. Vital, mas tardio Com o PTB imerso em disputas internas que já haviam custado as eleições municipais de 1959 e as estaduais de 1962, o pleito que levou Sereno Chaise ao Paço Municipal era visto como “vital” por Leonel Brizola. Ex-prefeito, ex-governador e grande líder do trabalhismo no Estado naquele momento, Brizola via com apreensão os ventos do golpismo que varriam o país e o enfraquecimento contínuo do seu partido. O PTB ainda tinha em João Goulart o (contestado) presidente da República, mas em seu próprio quintal o partido seguia com disputas internas e, nos casos mais irreconciliáveis, chegou a sangrar quadros e votos para a dissidência do Movimento Trabalhista Renovador (MTR), encabeçado por Loureiro da Silva e Fernando Ferrari. O próprio Ferrari faleceu tragicamente em um acidente aéreo em maio de 1963, a seis meses das eleições municipais daquele ano, mas o MTR persistiu. Recuperar a Capital, aos olhos do PTB, era o primeiro passo para deixar para trás os momentos mais duros das derrotas recentes. Na convenção interna, Wilson Vargas (candidato derrotado por Loureiro em 1959) se digladiou com Sereno Chaise, e acabou […]

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