Cartas

uma carta

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uma carta, dessas que se envia, para o espaço, para o além, confiante em algo que não sei nomear – talvez o futuro, talvez a possibilidade de vivermos de outra forma. mas que forma seria essa, capaz de redesenhar nossa humanidade? são tantos perturbadores erros, às vezes tão perto de acertos. quando penso em uma carta dessas, o que quer que possa dizer me parece pequeno. consigo apenas pensar em outra, menor, que cabe em minhas mãos de remetente cheia de dúvidas. carta de endereço fixo, etéreo, eterno: querida vó, faz agora um ano sem ti. que saudade. o mundo está tão longe de ser o mundo como deveria ser que às vezes dá um desânimo. mas lembro de ti, da tua vida inteira de reinvenção, e penso: precisamos seguir tentando, mesmo sem saber o nome daquilo em que confiamos, ou a forma exata do que buscamos.


Lolita Beretta nasceu em Porto Alegre e vive em São Paulo desde 2015. É mestre em Letras pela UFRGS e colabora como editora-assistente na Parêntese.

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