Entrevista

Negra Jaque: “Eu me reconheci assim”

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Negra Jaque: “Eu me reconheci assim” Negra Jaque no Galpão Cultural. (Foto: Mirian Fichtner)

A rapper gaúcha Jaqueline Trindade Pereira, mais conhecida como Negra Jaque, é cantora, compositora de hip hop, funk, samba e campeã de rodas de Slam. Tem três Cds lançados: “Sou” é de 2015, “Deus que dança” de 2017 e “Diário de Obá” do final de dezembro de 2019, para 2020. É pedagoga e trabalha como professora, e tem mestrado em Educação na UFRGS. No ano passado recebeu o troféu “Periferia 2021” ofertado pela ONG ORPAS (Obras Recreativas Profissionais Artísticas) concedido às maiores personalidades empreendedoras nas periferias da América Latina. É uma mulher guerreira, e o seu trabalho serve de referência para a juventude negra. Utiliza o hip hop como linguagem e forma de atuação artística e política. Ativista e corajosa, fundou o Galpão Cultural do Hip Hop, no Morro da Cruz, em Porto Alegre, uma iniciativa pioneira onde disponibiliza biblioteca, oficinas, atividades de lazer, cursos de capacitação, um brechó de roupas e utensílios destinado à comunidade, entre muitas outras atividades. Também colaborara na organização da feira do Hip Hop, que acontece na esquina Democrática, no Bloco das Pretas, que sai no carnaval de rua da capital dos gaúchos, e em vários outros eventos que promovem a cidadania, a luta feminista o combate ao racismo e a desigualdade social. (Texto de Carlos Caramez)


Parêntese – Jaque, onde nós estamos?

Negra Jaque – A gente está numa comunidade chamada Morro da Cruz, região leste da cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Uma comunidade com mais de 50 mil pessoas, principalmente pessoas negras. Essa região que a gente está é dividida por uma grande avenida chamada Bento Gonçalves. Um lado é a nossa comunidade e do outro a comunidade da Intercap. A Avenida Bento Gonçalves divide dois mundos. Quem tem acesso tem infraestrutura, e quem não tem acesso não tem infraestrutura.

Parêntese – E esse lugar onde nós estamos, especificamente?

Negra Jaque – Especificamente esse lugar se chama Galpão Cultural Casa de Hip Hop. É um Centro de Cultura, e pelos nossos registros é o primeiro centro de cultura da comunidade, essa grande comunidade, que está em construção. Todos os espaços para mim deveriam estar em construção permanente, como este, porque ele se renova a cada ano, a cada semestre, é um espaço de criação. Tem uma biblioteca que a gente começou a criar, mas que já tem muitos livros. Muita gente já doou livros, inclusive as escolas da região. É um espaço para a realização de oficinas e um espaço para ensaio de artistas que aqui moram ou que vêm nos visitar. Aqui já tivemos muitas visitas. É isso, um espaço de arte. Um espaço acolhedor.

[Continua...]

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