Para rir com o cérebro

Tia Núncia

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Tia Núncia Foto de autoria desconhecida enviada para Zé Adão pelo ator Tarcísio Meira Filho - e que deu origem a essa história

Tia Núncia em 1971 resolveu fazer um curso de detetive por correspondência. Recebeu pelo correio uma apostila, um distintivo e uma arma de chumbinhos. Foi treinar na praia de Quintão. Em quatro horas acertou uma pomba, uma placa de PARE e o quiosque do seu Wilson, que saiu correndo atrás dela com uma enxada. 

Botou anúncio na Folha da Tarde com o pseudônimo de Mata Hari. Dias depois recebeu o telefonema de uma argentina que queria contratar seus serviços para vasculhar a casa do ex-marido em busca de uns documentos. Na madrugada seguinte tia Núncia saiu paramentada com uma gabardine verde musgo, óculos e um chapéu coco. Tio Régis acordou, e ao vê-la daquele jeito perguntou onde ia. Prontamente ela respondeu que tinha uma reunião das vendedoras da Christian Gray. Tio Régis que já estava zonzo de Optalidon voltou a dormir. 

Chegando na casa do homem, ela, com seus 42 quilos em 1,53m, conseguiu entrar pela basculante da cozinha. Foi direto ao escritório no segundo andar e começou a vasculhar os armários em busca da tal pasta. De repente o dono da casa acorda com o barulho e a surpreende. Assustada ela aponta a arma pro homem apavorado e grita: “Parado aí, eu sou agente de UNCLE e vim desarmar uma bomba que sua ex-esposa mandou botar aqui”. O homem aos gritos saltou pela janela do segundo andar e caiu estatelado no pátio. 

Tia Núncia fugiu em disparada para casa, guardou o figurino, o distintivo e a arma numa mala velha e foi se deitar, depois de sugar 3 optalidons do tio Régis. No outro dia se matriculou num curso de astronauta amador.


Zé Adão Barbosa – Ator, diretor, fundador da Casa de Teatro de Porto Alegre.

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