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Há razão em aceitamos as atrocidades em nosso cotidiano?

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Há razão em aceitamos as atrocidades em nosso cotidiano? Foto: Fósforo/Divulgação
LIVRO | O grupo e o mal: estudo sobre a perversão social, de Contardo Calligaris Ao nos depararmos com a história dos carrascos nazistas ou com os relatos da adesão popular ao regime facínora, é comum qualificarmos os envolvidos como perversos, sádicos, anormais, recalcados e monstruosos. Mas será que essas são as categorias adequadas para descrevê-los? É o que investiga Contardo Calligaris (1948 – 2021) em O grupo e o mal: estudo sobre a perversão social (Fósforo, tradução de Jorge Bastos Cruz, 472 páginas, R$ 89,90). Escrito em 1991 como uma tese de doutorado na Universidade da Provença, em Marselha, na França, o livro foi agora traduzido para o português e editado postumamente, após ter gerado intenso debate e interesse no meio acadêmico. Por meio da combinação de teoria e prática clínica, o escritor e psicanalista tenta descobrir a razão pela qual aceitamos a instalação de atrocidades em nosso cotidiano. Sua tese traduz “a banalidade do mal” de Hannah Arendt para a linguagem psicanalítica e aponta que a verdadeira perversão é social, não porque o indivíduo encontra prazer no sofrimento alheio, mas porque, de modo burocrático, abdica de sua personalidade em nome da paixão pela instrumentalidade – isto é, exibe um fascínio por servir ao outro: o gozo está no pertencimento ilusório que a tarefa bem cumprida parece gerar. Em prefácio à edição, o também psicanalista Jurandir Freire Costa afirma: “Poucas vezes na literatura psicanalítica descemos tão fundo nos desvãos do obsceno desejo de curvar-se a líderes e regimes autoritário-totalitários”. Publicidade Calligaris se debruça sobre a distinção entre os conceitos freudianos de “eu ideal” e de “ideal do eu” a fim de destrinchar o mecanismo pelo qual se constrói a servidão voluntária ou o desejo em servir a um dever maior, como diriam os carrascos nazistas – ou ainda os slogans totalizantes de teor “acima de tudo, acima de todos”, tão familiares ao contexto brasileiro atual. LIVRO | O fato e a coisa, de Torquato Neto Foto: Círculo de Poemas/Divulgação Em novembro de 2022, completam-se 50 anos da morte de Torquato Neto (1944 – 1972). Para homenagear o grande tropicalista, a editora Círculo de Poemas lança O fato e a coisa (152 páginas, R$ 69,90), único livro organizado em vida pelo poeta. A obra apresenta o multiartista em seu rico período formativo, escrevendo desde sua Teresina natal ou circulando por Salvador e Rio de Janeiro, lendo Drummond, entusiasmando-se por Luís Carlos Prestes e encontrando os amigos da futura jornada tropicalista: “viva caetano e bethânia / (…) viva que eu os conheço / e eu os amo de longe ou perto”. Como outras coletâneas de textos do autor, O fato e a coisa foi publicado postumamente. Essa nova edição traz na íntegra o livro, além de uma seleção de outros poemas de juventude – com um novo estabelecimento do texto, feito a partir de pesquisa no Acervo Torquato Neto, no Piauí, por Thiago E, que assina também o posfácio do livro. Já a orelha é do escritor Reinaldo Moraes. “Tenho rins e eles me dizem que estou vivo”, escreve Torquato num de seus versos. Passado todo esse tempo, […]

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