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Recomendações da semana #60

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Recomendações da semana #60 Pablo Neruda nas plataformas digitais. Foto: Selo Festa/Divulgação

POESIA

Pablo Neruda nas plataformas digitais

Um dos maiores e mais importantes nomes da literatura do século 20, o chileno Pablo Neruda (1904 – 1973) ganhou registros sonoros de grandes obras suas disponíveis nas plataformas digitais brasileiras. O Selo Festa acaba de lançar álbuns com poesias do autor, divididos em três volumes, lidos pelo próprio Neruda: Poemas de Amor, Pablo Neruda e Veinte Poemas de Amor y una Canción Desesperada.

Figura de destaque no cenário cultural e político internacional de seu tempo, Neruda foi consagrado em vida, ganhando distinções como o Prêmio Lênin da Paz e o Prêmio Nobel de Literatura. A obra Veinte Poemas de Amor y una Canción Desesperada, publicada originalmente em 1924, ficou conhecida como o lançamento mais importante da “época de ouro da poesia chilena”. O livro físico continua sendo a publicação de poesia em espanhol mais vendida do mundo.

O Selo Festa, criado por Irineu Garcia, lançou centenas de discos de música popular, erudita e poesias entre 1955 e 1971. O catálogo da gravadora contém registros sonoros de nomes da cena artística, musical e literária como Paulo Autran, Lenita Bruno, Fernando Pessoa e Arnaldo Estrela.

Escute Pablo Neruda aqui.

MÚSICA

Nos Passos de Noel | Salvadores Dali

Grupo Salvadores Dali lança EP "Nos passos de Noel". Foto: Guilherme Logullo/Divulgação
Grupo Salvadores Dali lança EP “Nos passos de Noel”.
Foto: Guilherme Logullo/Divulgação

Em pouco menos de um mês do seu lançamento, o EP Nos Passos de Noel, do grupo carioca Salvadores Dali, já vem dividindo opiniões por conta de suas releituras nada ortodoxas da obra de Noel Rosa (1910 – 1937). O EP com quatro músicas e mais dois videoclipes que comemoram os 110 anos de nascimento do Poeta da Vila já estão disponíveis nas plataformas digitais – com previsão de lançamento de mais dois vídeos neste primeiro semestre.

As versões redesenham as linhas melódicas originais a partir de grooves de baixo e bateria, do som marcante dos metais e dos acordes agora distorcidos pela guitarra. Formado por Guilherme Logullo (vocais), Jorge Moraes (contrabaixo), Robson Batista (sax), Jorge Casagrande (bateria) e Márcio Meirelles (guitarra), o grupo traz Noel para um universo pulsante, atualizando musicalmente a narrativa alegre que o compositor fez de sua época.

Elaborado durante a pandemia, o EP foi produzido totalmente em isolamento social e reúne gravações com arranjos modernos e elétricos de 3 Apitos, Com que Roupa?, Tipo Zero e Palpite Infeliz.

Escute o EP no Spotify ou no Deezer.

TEATRO

Trilogia do Reencontro | Botho Strauss

"Trilogia do Reencontro", de Botho Strauss. Foto: Temporal/Divulgação
“Trilogia do Reencontro”, de Botho Strauss.
Foto: Temporal/Divulgação

No verão de 1975, integrantes de uma associação artística se reúnem para um vernissage. Ao caminharem pelos corredores da exposição, amigos, casais e desafetos observam não apenas as obras, mas também a si mesmos. Moritz, o diretor do grupo e curador da mostra, que planeja abri-la ao público em seguida, tem como empecilho Kiepert, membro importante da associação que pretende impedir a estreia. Essa intenção, embora justificada pela crítica à curadoria, na realidade mais parece ser motivada por razões pessoais.

Partindo dessa premissa dramática, bem como da observação das telas dispostas na mostra – sobretudo pinturas pertencentes ao chamado realismo –, Trilogia do Reencontro (Temporal, 216 páginas, R$ 72), do autor alemão Botho Strauss tematiza as inter-relações (ou a ausência delas) de indivíduos mergulhados em suas próprias subjetividades, espelhando assim a fratura dos vínculos pessoais e afetivos de um setor intelectualizado da classe média.

Inspirada em Os Veranistas, de Maksim Górki, a peça coloca, ainda, a questão das representações – isto é, das realidades oferecidas pela pintura, pelo teatro, pela fotografia e pela literatura – como seu mote central, construindo, a partir dos diálogos entre os personagens, um tratado filosófico sobre arte e, sobretudo, sobre os realismos.

A estreia de Trilogia do Reencontro em Hamburgo, em 1977, foi envolta em polêmicas: antes mesmo de o espetáculo começar, um grupo de esquerda, tido como radical, invadiu o teatro para protestar a favor da repolitização da cena teatral alemã. Lido à época como um autor burguês conservador, Botho Strauss foi bastante discutido antes e após a montagem da peça.

Inédito no Brasil, o livro apresenta um dos textos inaugurais do teatro pós-dramático e da dramaturgia de Strauss – que, apesar de sua centralidade no teatro contemporâneo, ainda permanece quase desconhecido por aqui.

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