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Recomendações da semana #74

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Recomendações da semana #74 Foto: Jandaíra/Divulgação

LIVROS

Transfeminismo  | Letícia Nascimento

Com uma linguagem acessível e didática, Letícia Nascimento em Transfeminismo (Jandaíra, 191 páginas, R$ 24,90) leva ao público geral explicações necessárias sobre os conceitos de gênero, transgeneridade, mulheridade, feminilidade e feminismo. O texto da pedagoga e professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI) revela como cada vez mais é necessário que as pessoas estejam abertas às diversas existências que não necessariamente se encaixam na organização binária e cisgênera do mundo. Escrito por uma mulher travesti, negra e gorda – que está presente nos meios acadêmicos e é inspiração para outras mulheres transexuais e travestis –, o livro apresenta essas vivências, traz conceituações históricas e situa o transfeminismo dentro dos demais feminismos existentes.

“É urgente que todas compreendamos que falar de mulheres no plural, de feminilidades, não é um mero slogan. Nossas experiências diversas exigem diferentes teorizações e demandas políticas dentro do feminismo. Manter essa pluralidade de vivências no caleidoscópio feminista significa entender que, apesar de diferentes, conectamo-nos com estruturas de opressão semelhantes, tais como o patriarcado, o machismo e o sexismo, que, no decorrer da história, vêm subjugando socialmente as experiências femininas. Neste livro, apresento o transfeminismo como parte do feminismo, como uma possibilidade de repensar as relações entre sexo-gênero-desejo e pluralizar as sujeitas do feminismo, de modo a superar universalidades e essencialismos limitantes à liberdade de performance de gêneros”, escreve a autora na introdução da obra, décimo lançamento da Coleção Feminismos Plurais, coordenada por Djamila Ribeiro.


 O Lugar  | Annie Ernaux

Foto: Fósforo/Divulgação

Título que lançou a escritora francesa à fama, O Lugar (Fósforo, 72 páginas, R$ 49,90), livro de 1974 até agora inédito no Brasil, estabelece as bases para o projeto literário que Annie Ernaux levaria adiante por três décadas de consagração crítica e sucesso de público. Nessa autossociobiografia que já vendeu 950 mil exemplares na França e foi traduzida para mais de 20 países, uma das mais importantes escritoras francesas vivas se debruça sobre a vida do pai para esmiuçar relações familiares e de classe, em uma mistura entre história pessoal e sociologia que décadas mais tarde serviria de inspiração declarada a expoentes da autoficção mundial.

Assim como seus discípulos, Ernaux discute a origem operária dos pais e a posição de sua família em uma França estratificada e dominada por códigos sociais, em que o menor dos detalhes põe em xeque a ascensão da autora à classe burguesa, duramente conquistada por meio dos estudos. A edição brasileira foi traduzida pela poeta e tradutora Marília Garcia, que também verteu para o português o livro Os Anos (2008), da mesma autora.


Cinzas do Juquery – Os horrores no maior hospital psiquiátrico do Brasil  | Daniel Navarro Sonim e José da Conceição

Foto: Noir/Divulgação

O livro aborda um dos maiores hospitais psiquiátricos do Brasil visto de dentro: os relatos de José da Conceição, ex-funcionário do Juquery, revelam rotinas de maus-tratos e tortura na instituição. Durante 27 anos, José da Conceição trabalhou no Complexo Hospitalar do Juquery, em Franco da Rocha, na Região Metropolitana de São Paulo, que chegou a ser considerado um dos mais importantes centros psiquiátricos do país, tendo abrigado não apenas indivíduos com transtornos mentais e psiquiátricos, epilepsia e deficiência física, mas também presos políticos, imigrantes, ex-escravos, homossexuais e até mães solteiras – mulheres consideradas uma afronta aos bons costumes – e esposas que não se casavam virgens. Na década de 1970, a instituição abrigou, segundo números oficiais, mais de 18 mil pacientes, o dobro de sua capacidade máxima de atendimento e internação – fazendo com que as instalações, os funcionários e os pacientes estivessem sempre à beira de um colapso.

Apelidado de “capa-branca”, como os demais funcionários, Conceição se percebia como carcereiro no Manicômio Judiciário, local visto como uma prisão pelos seus colegas de trabalho. Ele foi testemunha de muitas histórias-limite que ocorreram entre as cercas e as muralhas das clínicas e colônias do Juquery –  onde, afirma ele, os pacientes e os internos não tinham a chance de uma vida digna. A fim de narrar essas memórias, Conceição se uniu ao jornalista Daniel Navarro Sonim, com quem escreveu o livro Cinzas do Juquery – Os horrores no maior hospital psiquiátrico do Brasil (Noir, 152 páginas, R$ 49,90).

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