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Recomendações da semana #78

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Recomendações da semana #78

LIVROS

Carnaval-Ritual: Carlos Vergara e Cacique de Ramos | Maurício Barros de Castro

Foto: Cobogó/Divulgação

Em Carnaval-Ritual: Carlos Vergara e Cacique de Ramos (Cobogó, 192 páginas, R$ 52), o escritor, pesquisador e curador Maurício Barros de Castro oferece uma análise crítica do encontro que resultou em um dos mais importantes intercâmbios entre arte contemporânea e cultura popular no Brasil. Nos anos 1970, o fotógrafo e artista plástico gaúcho Carlos Vergara passou a, em suas próprias palavras, “olhar para fora” de seu ateliê em direção ao Carnaval de rua do Rio de Janeiro – mais precisamente  para o bloco Cacique de Ramos. Com sua câmera fotográfica e olhar para a realidade social do Brasil, representada pelo Carnaval como manifestação popular, Vergara produziu uma série de fotografias que se tornaram ícones das artes contemporâneas brasileiras.

O livro costura um recorte que tem início com a Ex-Posição, mostra realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1972, e termina com a 40ª Bienal de Veneza, oito anos mais tarde. Assim, tomando como base um amplo material – documentos, imagens, entrevistas, filmes, correspondências, projetos –, o autor constrói uma crítica apurada a partir de um trajeto que acompanha a produção de Vergara junto ao Cacique de Ramos nos “anos de chumbo” da ditadura militar ao início da redemocratização do Brasil. “Vergara foi atraído pelo Carnaval de rua, evento popular que ele percebia como um ritual que transita entre o político e o onírico, que promove a inversão de papéis sociais e a liberação sexual. As imagens que produziu sobre o Cacique de Ramos mostram seu olhar nessa direção”, analisa Maurício Barros de Castro.

A obra reúne conteúdo essencial para o entendimento do universo “Vergara-Cacique” – expressão cunhada por Hélio Oiticica em texto de 1978 e presente no livro –, como o ensaio O Igual e o Diferente, do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, e a transcrição inédita de Rap in Progress, conversa entre Oiticica e Vergara realizada em Nova York no ano de 1973, que tem como tema central a experiência vivida por Vergara no bloco de Carnaval carioca. Ao fim, apresenta o registro do encontro entre Carlos Vergara e Bira Presidente, fundador do Cacique de Ramos, realizado em 2020, debaixo da famosa tamarineira da quadra da rua Uranos, sede do bloco carioca, que revive e celebra a icônica parceria. “Tudo isso faz desse livro um documento histórico e de crítica cultural precioso”, afirma no prefácio o curador Luiz Camillo Osório.

Estética das Práticas Performativas da Dança Afro-Brasileira Cênica | Maicom Souza e Silva

Foto: Appris Editora/Divulgação

Uma pesquisa com quase 10 anos sobre a dança afro-brasileira foi transformada no livro Estética das práticas performativas da dança afro-brasileira cênica (Appris Editora, 95 páginas, R$ 41,60), de Maicom Souza e Silva, filósofo e bailarino capixaba. No trabalho lançado de forma independente, o autor fala sobre um trabalho cênico desenvolvido dentro do Coletivo Emaranhado no espetáculo KALUNGA, com observações sobre as pesquisas corporais anunciadas pelos artistas, além de trazer informações sobre a estética da gestualidade negro-brasileira.

A história de Maicom com a dança no Espírito Santo vem desde 2010. A partir de 2013, o bailarino também incluiu a pesquisa acadêmica ao falar sobre a estética da dança afro-brasileira cênica e suas ramificações no processo da diáspora, como foco na montagem de espetáculos de dança, criação de oficinas e produção cinematográfica. 

“Encontro-me em uma fase profissional em que pretendo direcionar meus estudos às manifestações afro-brasileiras, trabalhando com projetos dentro de uma perspectiva afrocêntrica e interseccional, considerando o corpo e a arte negra como um todo de grande importância, no propósito de defender as culturas negro-brasileiras e seus ideais através da dança”, explica o autor do livro.

Mais informações neste site.

EVENTO

Festa dos Batuques Paulistas

Com o objetivo de unir artistas contemporâneos e as tradições caipiras de origem afro-brasileira presentes no interior de São Paulo, está rolando desde quinta-feira até domingo (6/6) – e também entre os dias 10 e 13 deste mês – a Festa dos Batuques Paulistas, apresentando shows, lives em comunidades e rodas de prosa. As transmissões acontecem no canal do YouTube oficial do projeto. 

Emicida. Foto: Wendy Andrade/Divulgação

Entre os encontros promovidos pelo projeto, estão Rincon Sapiência com comunidades do Samba de BumboMC Tha com o Jongo Dito Ribeiro (Campinas) e Anelis Assunção com Batuque de Umbigada (Capivari, Piracicaba e Tietê).

Emicida estará em uma roda de conversa inspirada pelo conceito do neo-samba, presente no documentário AmarElo. O encerramento terá a cantora Lenna Bahule, de Moçambique, acompanhada pelo grupo local Associação Cultural Hodi

Participam da iniciativa artistas e grupos de tradição cultural como Samba de Lenço Mestre Tonho (Piracicaba), Samba de Bumbo Nestão Estevão e Jongo Dito Ribeiro (Campinas), Batuque de Umbigada (Capivari, Piracicaba e Tietê), Jongo do Tamandaré (Guaratinguetá), Samba de Roda da Dona Aurora (Vinhedo) e Samba de Bumbo do Cururuquara (Santana de Parnaíba).

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