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Recomendações da semana #81

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Recomendações da semana #81 Foto: Temporal/Divulgação

LIVROS

Mão na Luva |Oduvaldo Vianna Filho

Um casal – Ele e Ela – vive uma crise e discute sua separação iminente. Ela quer deixar o casamento, alegando não o aguentar mais, ao passo que Ele resiste à ideia, menosprezando as motivações da companheira. O conflito matrimonial desvela camadas mais profundas do relacionamento conforme o espectador-leitor depara com uma sequência de flashbacks – e o passado repleto de paixão aos poucos revela mudanças, traições, omissões, silêncios e distâncias acumulados ao longo dos anos.

Escrita em 1966, Mão na Luva (Temporal, 132 páginas, R$ 56), primeira incursão de Oduvaldo Vianna Filho pelo terreno do lirismo, aborda os impasses da classe média pós-1964 com surpreendente complexidade formal e analítica. Tais impasses éticos e políticos, no entanto, típicos do momento histórico em que a peça foi escrita, não se sobrepõem aos dilemas existenciais dos personagens. O texto expressa no subtítulo “Introdução ao homem de duas faces” a dimensão do que é retratado: pessoas divididas entre suas possibilidades de vida, bem como entre as consequências de suas ações e posicionamentos. Apesar de ter sido escrita em 1966, a peça só foi encenada em 1984, sob direção de Aderbal Freire Filho, quando também foi pela primeira vez publicada em livro. A edição, organizada pelo crítico Yan Michalski, foi responsável pelo título definitivo da dramaturgia, uma vez que Vianna a nomeara Corpo a Corpo, tal qual seu monólogo posterior, de 1970.

Maria Quitéria – A Soldada que Conquistou o Império | Rosa Symanski

Foto: Poligrafia Editora/Divulgação

No livro Maria Quitéria – A Soldada que Conquistou o Império (Poligrafia Editora, 258 páginas, R$ 44,99), a jornalista e escritora Rosa Symanski mergulhou durante anos em estudos e pesquisas sobre a vida, história e época para recuperar essa personagem brasileira do século 19 pouco retratada na história do país. O romance histórico que apresenta a saga de Maria Quitéria de Jesus, heroína da Guerra da Independência condecorada por D. Pedro I. A soldada foi de extrema importância para a libertação do Estado da Bahia do domínio português e para a Independência do Brasil – que em 2022 chega ao seu bicentenário.

À frente de seu tempo – quiçá até da contemporaneidade, a sertaneja do Recôncavo Baiano teve uma vida de lutas. Luta para não seguir o destino que lhe era imposto à época; luta para viver um grande amor e fora dos moldes exigidos pela sociedade; e luta à frente do batalhão de mulheres, que só existiu por sua audácia e coragem.

Gaúcha radicada em São Paulo desde os 25 anos, Rosa Symanski na Agência Estado, Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil, entre outros veículos. A obra exigiu uma pesquisa meticulosa em mais de uma centena de documentos e livros. O prefácio é assinado por Gabriella Esmeralda Aquino Silva, licenciada em filosofia, que faz parte da árvore genealógica de Maria Quitéria, e recentemente fez uma expedição em busca de sua história familiar. A ilustração de capa é de Giorgia Massetani.

Proximidade – Arte e Educação Depois da Covid-19 | Marlies de Munck e Pascal Gielen

Foto: Cobogó/Divulgação

Os desafiadores tempos atuais vêm nos relembrando dia a dia sobre a força e o valor do contato entre as pessoas. Em Proximidade – Arte e Educação Depois da Covid-19 (Cobogó, 64 páginas, R$ 30), o texto da filósofa Marlies de Munck e do sociólogo Pascal Gielen, professores da Universidade da Antuérpia, se soma às ilustrações da artista e designer Lotte Lara Schröder para uma análise da realidade que se impôs com a pandemia e o isolamento social. Ao longo de uma prosa leve, eles conduzem a reflexão sobre como a arte e a cultura – para as quais proximidade entre as pessoas é imprescindível – são essenciais para produzir sentido em nossas vidas.

Para os autores, a virtualização afeta o cerne da educação. Por mais que nos forcemos a simular uma proximidade, as experiências a distância são mais vazias. Falta algo ali – vida, talvez. Os autores, então, retomam o conceito de aura descrito por Walter Benjamin em relação à arte para se referir às relações humanas em sua era de contatos virtuais.

Na visão de Marlies e Pascal, indivíduos são um pouco como obras de arte: em suas reproduções, ou versões digitais, a aura se esvai. O contato interpessoal via internet é tão real quanto uma visita ao site do Museu do Louvre. “As pessoas podem parecer bem próximas na tela do computador, mas, juntamente com sua singular distância intangível, parte de seus atrativos se perde. O que se ganha no lugar é uma frustrante aparição que nos torna extremamente cientes do intransponível distanciamento social”, escrevem os autores.Foto: Cobogó/Divulgação

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