Revista Parêntese

Parêntese #67: Distraindo o ferro do suplício

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Parêntese #67: Distraindo o ferro do suplício Pitangueira Noir (Petrópolis), 2021. Ilustração: Edgar Vasques

E se – de repente – a gente não sentisse a dor que a gente finge e sente? Se de repente a gente distraísse o ferro do suplício? 

Hein? 

Sim, uma fantasia: o que aconteceria? 

Assim: eu te convidaria pra uma fantasia. Como o Chico Buarque, na canção “Fantasia”. 

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Senta aqui do meu lado. Olha ali na frente o Guaíba, a Redenção, a grama do Beira-Rio ou da Arena, o areião do Ararigboia ou da Vila Sapo. Ali na frente, o cinema da tua infância, de bilheteria aberta, e logo depois de entrar dá pra comprar uma Azedinha. O bar aquele, o restaurante aquele, a calçada aquela. Aquela esquina!

Senta aqui e olha a parede da memória – a lembrança da cidade que a gente teve, tem e terá. A cidade que é de todo mundo, que precisa ser de todo mundo, que não vamos deixar que seja de poucos, nem permitir que seja esquecida. 

Sim, uma edição especial. Nada que já estava rolando. Só textos sobre a cidade.

Pedimos a vários colaboradores, parceiros, sócios, amigos, que escrevessem pequenos textos para celebrar, não a cidade diretamente, mas a nossa saudade dela. Saudade do passado, mas também do presente e até do futuro, que já foi diferente.

Só dois dos textos ficaram um pouco diferentes. O da Ondina Fachel Leal, porque veio acompanhado de fotos. E o do Vitor Ramil, que já existia na forma mais longa: era uma fantasia – sempre ela – que ele escreveu a convite, para representar Porto Alegre numa publicação alusiva à Copa do Mundo no Brasil – lembra aquela? 7 a 1, estádios superfaturados, alguns agora inúteis, lembra? 

E o Edgar Vásquez nos anima com seu traço, sua cor, sua verve, espalhando pela edição toda um perfume de cidade.

Fantasia. 

Fantasia de pensar na cidade como uma parte de nós, como dotada de uma alma como nós. Fantasia de lembrar que queremos estar de novo na barbearia, na loja, na casa dos amigos e parentes. De desejar que passem logo esses horrores combinados, pandemia e desgoverno.

Vão passar, e a cidade vai continuar ali, à nossa espera. 

Que a lembrança de nossa querida cidade nos anime – é o que a Parêntese deseja a todos, neste aniversário de todo mundo.

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