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“Azor” desce aos subterrâneos da ditadura argentina

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“Azor” desce aos subterrâneos da ditadura argentina Vitrine Filmes/Divulgação

Depois de uma bem-sucedida exibição na 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o drama Azor (2021), longa de estreia do diretor suíço Andreas Fontana, chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16/12). O filme teve sua première mundial no Festival de Berlim deste ano, além de ter sido eleito um dos 10 melhores filmes de 2021 pelo jornal The New York Times.

Azor mostra como dinheiro e poder andam de mãos dadas na política. Situada em algum momento dos anos de 1980, durante a ditadura na Argentina, a trama acompanha um banqueiro de Genebra que vem à América do Sul, cercado de mistério, para substituir um colega desaparecido. O protagonista Yvan de Wiel é interpretado pelo belga Fabrizio Rongione – ator de filmes dirigidos pelos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne como O Silêncio de Lorna (2008), O Garoto da Bicicleta (2011) e Dois Dias, uma Noite (2014).

Fontana, que assina o roteiro com o argentino Mariano Llinás – de Paulina (2015) e La Flor (2018) –, conhece de perto os temas que aborda em seu filme. Neto de banqueiro, depois de se formar em literatura comparada na Suíça, morou em Buenos Aires – o que, segundo ele mesmo, lhe trouxe uma conexão muito forte com o país.

Vitrine Filmes/Divulgação

“A relação entre banqueiros suíços e ditadores, como Stroessner, Marcos e Mobutu, é bastante documentada. Porém, em relação à ditadura argentina, algumas coisas precisam ser esclarecidas, como a ligação entre os líderes militares e a Suíça. Isso precisa ser visto como uma transação financeira”, explica o cineasta.

Envolto em um clima de permanente enigma, Azor mais insinua do que esclarece. A história lacunar apresenta uma série de personagens elusivos, cujas verdadeiras identidades e motivações são em geral apenas sugeridas.

Procurando entender o papel de cada personagem nesse teatro dissimulado, Yvan de Wiel tateia por uma Buenos Aires afluente, elitista e cosmopolita – porém tensionada por uma instabilidade difusa que se insinua em cada encontro e diálogo, como a indicar uma tragédia que se desenrola subterraneamente. Esse tom crispado e lúgubre é acentuado pela trilha sonora e, especialmente, pelo desenho de som, que contribuem para provocar uma sensação de constante inquietação.

Sem estrépito mas com firmeza, Azor conduz o espectador aos mais baixos porões do poder econômico e político. Uma descida aos infernos conduzida por figuras com nomes sugestivos, como o sinistro motorista particular Dante, um suposto cliente chamado Lázaro e o próprio protagonista mefistofélico De Wiel, cujo sobrenome pronuncia-se como “devil” (“diabo”, em inglês).

Vitrine Filmes/Divulgação

Azor: * * * *  

COTAÇÕES

* * * * * ótimo     * * * * muito bom     * * * bom     * * regular     * ruim

Assista ao trailer de Azor:

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