a palavra é, Parêntese

Cláudia Laitano: A palavra é… cloroquiner

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Cláudia Laitano: A palavra é… cloroquiner “Cientista normal: Achei um potencial problema nesse artigo científico, vou mandar email para os autores ou comentar no PubPeer para averiguarmos. “Cientista” cloroquiner: Achei um potencial problema nesse artigo. Eu certamente tenho razão, vou encaminhar A verdade pelo zapzap.” (@ThomasVConti, no Twitter, em 15 de julho) “Conseguiram criar uma vertente pior do que o acompanhante que toca a campainha pra você trocar o canal da TV: criaram o acompanhante cloroquiner/ invermectiner/ azitromiciner, aquele que te pentelha o plantão inteiro porque o médico não prescreveu o kit.” (@enf_intensiva, no Twitter, em 19 de julho) “Bom dia para você que acordou fazendo análise de discurso de vídeo cloroquiner. O desespero da realidade leva as pessoas a comprarem qualquer narrativa negacionista. Importante não só desbancar o discurso falacioso, mas oferecer ao sujeito laços possíveis com a realidade.” (@DanielRBranco, no Twitter em 21 de julho) “Namore com alguém que te olhe como um cloroquiner olha a caixa do remédio.” (@fabriciahamu, no Twitter, em 20 de julho) O que é: Um dos muitos termos surgidos durante a pandemia, cloroquiner é o defensor entusiasmado do uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina no tratamento precoce contra a covid-19.  O posicionamento contraria os estudos científicos mais consistentes e o parecer de órgãos como a Organização Mundial de Saúde (OMS).   O capitão do time cloroquiner no Brasil é o presidente Jair Bolsonaro, que tem feito intensa publicidade da cloroquina desde o início da pandemia. No domingo (19 de julho),  após cumprimentar os simpatizantes que se aglomeravam em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro retirou uma caixa do remédio do bolso e a exibiu para os presentes, que aplaudiram o medicamento, aos gritos de “cloroquina, cloroquina!”. Quem usou: “Declaro para os devidos fins de direito que, caso eu seja diagnosticada com Covid-19, autorizo o uso de cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, gasolina, creolina, zinco, heparina, Novalgina, Rifocina, penicilina, Tetrex, Benzetacil, aspirina (…) e qualquer outra coisa que tiver a mínima possibilidade de me manter fora do caixão. A mensagem foi postada no fim de semana em um grupo de WhatsApp que reúne milhares de médicos em todo o país partidários do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento do coronavírus. Apelidados por seus críticos de ‘cloroquiners’, os autointitulados Médicos pela Vida – Covid-19 divulgaram  seu Protocolo de Tratamento Pré-Hospitalar Covid-19. Com 39 páginas e repleto de indicações técnicas, dosagens de medicamentos, gráficos e referências bibliográficas, o protocolo é formalmente subscrito por 42 médicos e seus respectivos CRMs. Ele se apresenta como um ‘documento oficial’ a ser ‘aplicado pelo médico no atendimento de pacientes com Covid-19’. ‘Este protocolo nasceu da angústia dos médicos que se viram frente a frente com um inimigo desconhecido mas que, a exemplo de Dom Quixote, ergueram a lança e foram para cima do Dragão Covidiano ao grito de Vamos à luta para a implementação de um tratamento pré hospitalar!’ , diz o documento em sua apresentação. No livro de Miguel de Cervantes, Dom Quixote, na verdade, enxerga moinhos de vento como gigantes a serem […]

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“Cientista normal: Achei um potencial problema nesse artigo científico, vou mandar email para os autores ou comentar no PubPeer para averiguarmos. “Cientista” cloroquiner: Achei um potencial problema nesse artigo. Eu certamente tenho razão, vou encaminhar A verdade pelo zapzap.” (@ThomasVConti, no Twitter, em 15 de julho) “Conseguiram criar uma vertente pior do que o acompanhante que toca a campainha pra você trocar o canal da TV: criaram o acompanhante cloroquiner/ invermectiner/ azitromiciner, aquele que te pentelha o plantão inteiro porque o médico não prescreveu o kit.” (@enf_intensiva, no Twitter, em 19 de julho) “Bom dia para você que acordou fazendo análise de discurso de vídeo cloroquiner. O desespero da realidade leva as pessoas a comprarem qualquer narrativa negacionista. Importante não só desbancar o discurso falacioso, mas oferecer ao sujeito laços possíveis com a realidade.” (@DanielRBranco, no Twitter em 21 de julho) “Namore com alguém que te olhe como um cloroquiner olha a caixa do remédio.” (@fabriciahamu, no Twitter, em 20 de julho) O que é: Um dos muitos termos surgidos durante a pandemia, cloroquiner é o defensor entusiasmado do uso de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina no tratamento precoce contra a covid-19.  O posicionamento contraria os estudos científicos mais consistentes e o parecer de órgãos como a Organização Mundial de Saúde (OMS).   O capitão do time cloroquiner no Brasil é o presidente Jair Bolsonaro, que tem feito intensa publicidade da cloroquina desde o início da pandemia. No domingo (19 de julho),  após cumprimentar os simpatizantes que se aglomeravam em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro retirou uma caixa do remédio do bolso e a exibiu para os presentes, que aplaudiram o medicamento, aos gritos de “cloroquina, cloroquina!”. Quem usou: “Declaro para os devidos fins de direito que, caso eu seja diagnosticada com Covid-19, autorizo o uso de cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina, gasolina, creolina, zinco, heparina, Novalgina, Rifocina, penicilina, Tetrex, Benzetacil, aspirina (…) e qualquer outra coisa que tiver a mínima possibilidade de me manter fora do caixão. A mensagem foi postada no fim de semana em um grupo de WhatsApp que reúne milhares de médicos em todo o país partidários do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento do coronavírus. Apelidados por seus críticos de ‘cloroquiners’, os autointitulados Médicos pela Vida – Covid-19 divulgaram  seu Protocolo de Tratamento Pré-Hospitalar Covid-19. Com 39 páginas e repleto de indicações técnicas, dosagens de medicamentos, gráficos e referências bibliográficas, o protocolo é formalmente subscrito por 42 médicos e seus respectivos CRMs. Ele se apresenta como um ‘documento oficial’ a ser ‘aplicado pelo médico no atendimento de pacientes com Covid-19’. ‘Este protocolo nasceu da angústia dos médicos que se viram frente a frente com um inimigo desconhecido mas que, a exemplo de Dom Quixote, ergueram a lança e foram para cima do Dragão Covidiano ao grito de Vamos à luta para a implementação de um tratamento pré hospitalar!’ , diz o documento em sua apresentação. No livro de Miguel de Cervantes, Dom Quixote, na verdade, enxerga moinhos de vento como gigantes a serem […]

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