Crônica

Ciclones e tempestades vão se repetir em porto alegre

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Ciclones e tempestades vão se repetir em porto alegre

Foram 4 dias até Porto Alegre recomeçar a ter luz e água de forma mais estável. Não incluo a internet porque, ainda que se possa pensar que também é essencial, até o momento não se tornou de responsabilidade pública. Impossível não pensar que a privatização dos serviços de luz e água piorou os serviços. E justamente na época em que é mais necessária a pronta resposta a fenômenos climáticos severos cada vez mais frequentes na cidade nos últimos 10 anos. 

E o mais grave é que, sem ações radicais em nível mundial, se tornarão ainda mais frequentes. Precisamos agir com rapidez como cidade! Precisamos construir medidas de mitigação e adaptação ao aquecimento global. Cumpre em primeiro lugar reverter a privatização dos serviços essenciais, a exemplo das capitais europeias. E administrar bem a CEEE e a CORSAN. 

Além disso, é necessário repensar a forma como as ruas de Porto Alegre são asfaltadas. Quase não há espaço para vazão da água nas chuvaradas. O ideal seria empedrar as ruas ou cobri-las com bloquetos, de forma que crescesse a grama nos intervalos e a água pudesse fluir. Belo Horizonte está fazendo canteiros ao lado do calçamento para a água escoar e com isso as ruas ficam mais bonitas. E mais verdes.

Sim, precisamos mais verde, precisamos plantar mais árvores e não cortar as que temos como alguns simplistas pensam para resolver os acidentes com galhos. Temos que plantar árvores adequadas a cada espaço e continuar a cuidá-las. É necessário dar subsídios públicos para que a população possa fazer suas próprias medidas de mitigação em cada casa. 

O governo deve parar de pagar subsídios à mineração de carvão e dar o incentivo à população: estimular que cada casa ou conjunto residencial produza sua própria energia solar ou eólica. Muitos já aproveitam os programas vigentes e estão economizando dinheiro também. Também é necessário fazer tetos verdes, fazer paredes verdes, plantar árvores nos quintais. No mínimo isso diminuirá o calor absurdo que os porto-alegrenses vêm sentindo. 

Os bairros de Porto Alegre podem promover mais hortas comunitárias. Elas conscientizarão as pessoas sobre alimentação saudável e boas práticas de convívio na cidade. Ainda temos uma herança da covid-19 e do ex-governo federal de 30% de pessoas com insegurança alimentar que precisa ser resolvida. 

Por outro lado, por alimentar-se inadequadamente, mais da metade da população brasileira está obesa e com as doenças que se associam, principalmente hipertensão e diabetes. Vale lembrar que essas doenças trazem sofrimento, novas doenças e que seus cuidados médicos custam muito caro. Hortas ajudarão a educar e prevenir muitos desses problemas. 

A separação e colheita do lixo também é um problema público que maltrata a cidade. Boa parte do lixo fica esparramado na rua e entope os bueiros. Não adianta que só alguns cidadãos, como eu, procurem individualmente colocar o lixo que fica nas calçadas em lixeiras, até porque são raras na cidade. Essas são algumas ideias que urge implementar em Porto Alegre. É pra ontem!


Olga Garcia Falceto é professora aposentada da Faculdade de Medicina da UFRGS, psiquiatra, terapeuta familiar e ativista ambiental. 

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