Crônica

De uns tempos pra cá

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De uns tempos pra cá
De uns tempos pra cá a música tem ocupado um espaço menor na minha vida. Não sei se é da idade, se tem alguma coisa geracional nessa equação. Escrevi essa frase e pensei, ai não, sabe aquele tipo de pessoa super autocentrada que considera suas esquisitices pessoais questões de toda um geração? (emoji da mulher com a mão cobrindo parte do rosto, que pra mim equivale a um puuuutz bem prolongado. 🤦🏻‍♀️) Não quero ser essa pessoa. O fato é que, mesmo não sendo exatamente uma pessoa nostálgica, sinto uma certa tristezinha por ter menos música na minha rotina hoje.  Sabe aquelas canções que viram trilha sonora de alguns momentos da vida?  Pois houve um tempo em que eu esperava com ansiedade o novo disco do Caetano, da Gal, da Rita Lee. Eu e a torcida do Flamengo, né? Lembro exatamente onde eu estava enquanto ouvia repetidamente os LPs Qualquer coisa e Jóia. Mais tarde o Cores, nomes. Aliás o último disco que me empolgou foi exatamente o último do Caetano, Meu coco.  (Obrigada, Caetano!) Há pouco os Stones lançaram uma nova música, um blues com feat da Lady Gaga, bem bacana, mas nada de mais. Recentemente lançaram também uma inédita dos Beatles, muita IA e pouca emoção pro meu gosto, mas tudo bem. A real é que ouço menos música do que ouvia. E tem o seguinte detalhe: ouço direto do celular, com uma caixinha amplificando. Puristas não aceitam – tem que ouvir disco de vinil, porque as frequências barará e os graves biriri. Mas eu acho minha caixinha bem ok. Faço minhas pesquisas nos streamings para estar sempre abastecendo o repertório da rádio Elétrica (www.radioeletrica.com) Mas o fato é que a música perdeu espaço na minha vida. A literatura, por outro lado, ganhou. Hoje eu leio muito mais do que lia quando ouvia mais música. E não é que não existam novos e excelentes artistas. Gosto muito da Liniker, Tim Bernardes, Marina Sena, Alice Caymmi, Francisco El Hombre, Duda Brack, Assucena e tantos outros. Aqui em Porto Alegre também tem muita gente jovem legal, Thays Prado, Ian Ramil, Jalile, Ana Matielo, Paola Kirst, Pedro Cassel, Pedro Borghetti, João Ortácio, Jessie Jazz. Todos artistas que eventualmente pintam no Sarau Elétrico para uma canja musical. Acho que a idade me trouxe a necessidade de silêncios.  E aos silêncios contraponho, para ouvir, streamings de jornalismo, isto é, gente falando. Menos música, mais silêncios. Ou gente falando. Vejo nas redes vários festivais, eventos musicais, ou mesmo shows individuais de artistas que eu não conheço mas que atraem multidões. E as pessoas cantam todas as músicas junto. Exatamente como eu fazia com os discos do Caetano.  Gosto de acompanhar esses shows pelas frestas, pelas imagens que as pessoas compartilham. (Obrigada, pessoas que compartilham!) O mundo fica melhor quando pessoas se reúnem para ouvir música. E cantar junto e fazer selfie e ligar lanterna do celular: sempre é bonito de se ver. Esse texto era só pra falar de manias de uma sexagenária mas acabou virando […]

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