Crônica

Elesbão não tem amigos

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Elesbão não tem amigos

Se o professor Fischer convidasse um neozelandês para escrever na Matinal, ou então uma dinamarquesa, talvez os dois se debatessem com a falta dos assuntos ditos quentes. A vacinação está em andamento, os índices econômicos são aceitáveis – no mínimo -, a população sobrevive com a dignidade que o momento permite. Restaria aos convidados escrever sobre cultura, que saudade. Ou literatura. Ou humor, embora não se tenha grande notícia do humor oceânico. Quanto à Dinamarca, a pouco confiável Wikipedia traz apenas uma entrada para o tema: Victor Borge, comediante que viveu de 1909 até o ano 2000.

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Se o professor Fischer convidasse um neozelandês para escrever na Parêntese, ou então uma dinamarquesa, talvez os dois se debatessem com a falta dos assuntos ditos quentes. A vacinação está em andamento, os índices econômicos são aceitáveis – no mínimo -, a população sobrevive com a dignidade que o momento permite. Restaria aos convidados escrever sobre cultura, que saudade. Ou literatura. Ou humor, embora não se tenha grande notícia do humor oceânico. Quanto à Dinamarca, a pouco confiável Wikipedia traz apenas uma entrada para o tema: Victor Borge, comediante que viveu de 1909 até o ano 2000.

Por aqui, o excesso de acontecimentos quentes faz qualquer coluna envelhecer em meio turno. Daniel Silveira já é passado. Damares e Ernesto Araújo na ONU são mais do mesmo, o pior do atraso com transmissão para o mundo. A banda Deltan & Os Procuradores cai feito um meteoro nas paradas, e a torcida é para que o glúteo flácido seja responsabilizado pelo tanto que tramou. Os roteiristas da terceira temporada de O Mecanismo vão comer um dobrado para salvar reputações – as deles mesmos, no caso.

Mas tem um assunto que nunca fica datado. Um exemplo da miséria humana sem as mistificações do BBB. É o presidente interagindo com seus apoiadores.

Ainda que o que nos chegue hoje seja editado pelos canais de youtube simpáticos a ele, Bolsonaro segue se portando como o incapaz que é. Nunca uma resposta, nunca uma frase completa, nunca um pensamento lógico.  A diferença é que, em lugar de ser confrontado pela imprensa do cercadinho, agora recebe aplausos a cada taokey que larga. O medíocre sempre escanteado por qualquer colega com meio neurônio, o recalcado que – dá para apostar – passava as festas encostado na parede, cozinhando a própria frustração, trata de vingar anos e anos de rejeição à moda dos Estados Unidos. Do jeito que gosta.   

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Lá, volta e meia um louco sai atirando nas escolas, nos shoppings, nas igrejas. Aqui, a cada dia ele mata um país inteiro.


Cláudia Tajes é escritora e roteirista.

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