Crônica

Por quê, papai?

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Por quê, papai? E eu que me julguei forteE eu que me sentiSerei um fraco quando outras delas virSe o barato é louco e o processo é lentoNo momento, deixa eu caminhar contra o ventoO que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável?O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável(É quente)Borrou a letra triste do poeta(Só)Correu no rosto pardo do profetaRacionais MC’s – Jesus Chorou  Quando o meu filho me pergunta: ” Porque eles fizeram isso contigo, Papai?”, eu gelo, embrulha o meu estômago, eu sinto raiva e muito ódio, pois vou lá na cena de quase uma década, e revivo tudo aquilo novamente. Olho no canto do olho do meu filho, que aguarda uma resposta, e penso novamente: como contar algo sem explicação, como dizer que em algum momento da vida ele vai passar por essa violência também? Como ter certeza de que ele estará preparado, ou ao menos poderá dividir comigo para não sofrer tanto?  Eu sempre gostei de futebol, na minha infância o meu sonho era de ser jogador. Mas com o passar dos anos me tornei apenas um apaixonado e, quando entrei na faculdade de Educação Física, já adulto, esse desejo voltou à tona. Mas como trabalhar no futebol sem ter sido jogador? A única maneira de ingressar no meio do futebol seria através da arbitragem. Mas eu nunca havia apitado um jogo de criança. Comecei a me informar com alguns amigos e conhecidos sobre os cursos de arbitragem da Federação Gaúcha de Futebol, que naquele mesmo ano de 1996 tinha aberto um curso. Mas eu ainda jogava basquete na Sogipa e no time da faculdade, pois era aluno bolsista, e como o meu pai tinha recém falecido, nós estávamos nos acostumando com uma realidade financeira nada favorável para que eu pudesse me arriscar por um sonho ou um desejo passional. Acabei não fazendo o curso, deu uma esfriada no desejo. Mas ele ficou ali guardado para um outro momento. Eis que, em 1999, novamente abriu o curso de arbitragem, e pensei comigo, já estou mais da metade do curso de educação física, preciso começar a direcionar em qual área irei trabalhar além do basquete.  Fiz o curso na cidade de Santa Maria, durante um semestre. Íamos entre 16 jovens de van fazer o curso no Regimento Mallet, várias provas físicas e teóricas. No final do curso éramos 64 formandos, e todos cheios de sonhos. Passei de 2000 a 2003 apitando jogos das categorias de base e muitos jogos de várzea, amadores e nas praças e parques de Porto Alegre e interior. No ano de 2004, com uma mudança na presidência da Federação, tive as primeiras oportunidades no Campeonato gaúcho da primeira divisão e fui indicado a árbitro-revelação da competição, o que pra mim foi um título, pois era a minha primeira competição nos profissionais. As cobranças começaram a aparecer, não só das partidas cada vez mais difíceis, mas também do sistema. Lembro que uma vez fui até a casa de um dos membros da […]

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E eu que me julguei forteE eu que me sentiSerei um fraco quando outras delas virSe o barato é louco e o processo é lentoNo momento, deixa eu caminhar contra o ventoO que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável?O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável(É quente)Borrou a letra triste do poeta(Só)Correu no rosto pardo do profetaRacionais MC’s – Jesus Chorou  Quando o meu filho me pergunta: ” Porque eles fizeram isso contigo, Papai?”, eu gelo, embrulha o meu estômago, eu sinto raiva e muito ódio, pois vou lá na cena de quase uma década, e revivo tudo aquilo novamente. Olho no canto do olho do meu filho, que aguarda uma resposta, e penso novamente: como contar algo sem explicação, como dizer que em algum momento da vida ele vai passar por essa violência também? Como ter certeza de que ele estará preparado, ou ao menos poderá dividir comigo para não sofrer tanto?  Eu sempre gostei de futebol, na minha infância o meu sonho era de ser jogador. Mas com o passar dos anos me tornei apenas um apaixonado e, quando entrei na faculdade de Educação Física, já adulto, esse desejo voltou à tona. Mas como trabalhar no futebol sem ter sido jogador? A única maneira de ingressar no meio do futebol seria através da arbitragem. Mas eu nunca havia apitado um jogo de criança. Comecei a me informar com alguns amigos e conhecidos sobre os cursos de arbitragem da Federação Gaúcha de Futebol, que naquele mesmo ano de 1996 tinha aberto um curso. Mas eu ainda jogava basquete na Sogipa e no time da faculdade, pois era aluno bolsista, e como o meu pai tinha recém falecido, nós estávamos nos acostumando com uma realidade financeira nada favorável para que eu pudesse me arriscar por um sonho ou um desejo passional. Acabei não fazendo o curso, deu uma esfriada no desejo. Mas ele ficou ali guardado para um outro momento. Eis que, em 1999, novamente abriu o curso de arbitragem, e pensei comigo, já estou mais da metade do curso de educação física, preciso começar a direcionar em qual área irei trabalhar além do basquete.  Fiz o curso na cidade de Santa Maria, durante um semestre. Íamos entre 16 jovens de van fazer o curso no Regimento Mallet, várias provas físicas e teóricas. No final do curso éramos 64 formandos, e todos cheios de sonhos. Passei de 2000 a 2003 apitando jogos das categorias de base e muitos jogos de várzea, amadores e nas praças e parques de Porto Alegre e interior. No ano de 2004, com uma mudança na presidência da Federação, tive as primeiras oportunidades no Campeonato gaúcho da primeira divisão e fui indicado a árbitro-revelação da competição, o que pra mim foi um título, pois era a minha primeira competição nos profissionais. As cobranças começaram a aparecer, não só das partidas cada vez mais difíceis, mas também do sistema. Lembro que uma vez fui até a casa de um dos membros da […]

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