Crônica

Redução de danos na guerra contra desinformação

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Redução de danos na guerra contra desinformação Foto: Gustavo Mansur/Palacio Piratini
Eu estava fora do Rio Grande do Sul quando a catástrofe climática deu os primeiros sinais. Em pouco tempo a água subiu e o aeroporto Salgado Filho anunciou seu fechamento. Fiquei presa do lado de fora. Desde então, assisto angustiada a cobertura da Imprensa dia e noite. Ativei notificações nas redes sociais e grupos do WhatsApp, por onde chegam também todo tipo de fake news. Notícias falsas, fabricadas dolosamente a partir de fatos verdadeiros, são ainda mais cruéis em momentos assim, pois operam no interesse expresso de enganar uma população já fragilizada e para gerar o caos onde a vida já parece algo distópico. Motivados por essa proliferação de fake news e seus impactos, muitos especialistas romperam a bolha das academias e ganharam voz na arena pública. Entre eles, a pesquisadora Raquel Recuero, do Instituto de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias, que publicou um conjunto de sugestões para auxiliar comunicadores públicos em sua principal função, garantir amplo e irrestrito acesso a informações de interesse da sociedade, produzidas a partir de ações e serviços dos órgãos de Estado. Segundo ela, em situações de crise, é importante evitar o vácuo informacional, terreno fértil para desinformação, apostar na repetição e acelerar. Para tanto, as instituições públicas precisam estar em todas as mídias sociais e atualizar seus perfis com novas informações no mesmo ritmo dos acontecimentos. Também é fundamental monitorar e responder com agilidade todas as notícias falsas e trabalhar de forma conjunta com a imprensa e agências checadoras, cada vez mais essenciais na sociedade da pós-verdade. Juntos, ganham força e relevância nesse faroeste da informação. Notícias fraudulentas fazem mais do que contaminar o debate público. No ambiente desta tragédia climática sem precedentes no país, atrapalham as equipes de resgate e o trabalho dos jornalistas, desestimulam a entrega de donativos e incitam uma revolta vazia, baseada em falsos argumentos. Enquanto esperamos respostas do Legislativo sobre a regulamentação das mídias sociais, nos resta encontrar meios de minimizar os efeitos desse vírus digital, que parece estar longe de ser erradicado. É o novo normal. Cristina Oliveira é diretora adjunta da Associação Brasileira de Comunicação Pública no Rio Grande do Sul.

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