Ensaio

A língua de Saramago (Parte 2)

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A língua de Saramago (Parte 2)
Esta é uma série sobre José Saramago proposta por Nilza Rezende e a sequência de todos os textos pode ser conferida neste link. Sobre o homem e a sociedade Damos voltas e voltas, mas, na realidade, só há duas coisas: ou você escolhe a vida, ou se afasta dela.  Publicidade Nós somos o que somos mas também somos aquilo que fazemos. Há três perguntas que não podemos deixar de nos fazer na vida: por quê?, para quê?, para quem? Viver para dizer quem somos. Nós estamos todos cegos. Cegos da razão.  Vivemos no relativo, não no absoluto.  O que realmente nos separa dos animais é nossa capacidade de esperança.  Somos muito mais filhos do tempo em que nascemos e vivemos do que do lugar em que nascemos.  O ser humano se comporta como um animal doente de superstições, de rotinas, preconceitos, dos quais parece que não somos capazes de nos libertar.  A amnésia é ruim para as pessoas e também para as sociedades. Temos de saber quem somos para viver com consciência de estar vivos. Continuamos perguntando e procurando.  Todo homem tem seu pedaço de terra para cultivar. O importante é que cave fundo.  Daqui já não me arredo, nem tenho já tempo de vida para arredar-me daqui: o ser humano não tem remédio.  Sobre cultura e literatura Nem a arte nem a literatura têm que nos dar lições de moral. Nós é que temos que nos salvar, e isso só é possível com uma postura cidadã ética, embora possa soar antigo e anacrônico.  Devemos reconhecer que a literatura não transforma socialmente o mundo, que o mundo é que vai transformando, e não só socialmente, a literatura.  Ficção é tudo. Tudo é ficção.  Quando se proíbe um livro, o que se quer é eliminar a pessoa que o escreveu. O intelectual não pode estar com o poder. A literatura é o resultado de um diálogo de alguém consigo mesmo.  Para mim, o que há não são gêneros, mas espaços literários que, como tais, admitem tudo: o ensaio, a filosofia, a ciência e a poesia.  A literatura é o que faz inevitavelmente pensar. É a palavra escrita, a que está no livro, a que faz pensar. E neste momento é a última na escala de valores. Uma carta eletrônica não se pode borrar com uma lágrima.  Minha literatura reflete, de alguma forma, as posturas que ideologicamente assumo, mas não é um panfleto.  As culturas não devem ser consideradas melhores ou piores, todas elas são culturas e basta. Sobre ser escritor e escrever Na minha opinião, ser escritor não é apenas escrever livros, é muito mais uma atitude perante a vida, uma exigência e uma intervenção.  Não faço literatura com o meu próprio trabalho, não invento transcendências sobre o meu trabalho. O que me importa é chegar ao final do dia e ter cumprido a tarefa imposta: escrever duas ou três páginas. Se o faço, estou contente.  Escrever é uma transfusão de sangue para o lado de fora.  Cada livro escreve sempre […]

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