Ensaio

Atelier Livre 60 anos: da representatividade à crise sem precedentes

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Atelier Livre 60 anos: da representatividade à crise sem precedentes
Artigo com um resumo histórico do Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, em especial para a compreensão dos fatos que desencadearam a sua criação, em 1961, e os seus primeiros anos até se institucionalizar. A situação em que se encontra após seis décadas de existência.

Quis o destino que um dos legados do maior artista plástico da história do Rio Grande do Sul, Iberê Camargo (1914-1994), fosse a criação de uma escola de arte sui generis – o Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Também a própria existência de um projeto moderno como o de Iberê, a partir de nossa província, é um fenômeno que precisa ser totalmente desvelado. Assim, devidamente contextualizado, é preciso esclarecer a implicação desse artista na criação do Atelier Livre. 

A história da arte de uma sociedade necessita de instituições para estruturar-se, a partir delas e/ou em oposição a elas, para o desenvolvimento das expressões plásticas e para o debate intelectual que a arte também deve propor, e que não se faz só, mas com intersecções, em especial com o campo histórico propriamente dito, a literatura, a filosofia e a arquitetura. Em 10 de fevereiro de 1910, a província passou a ter, ainda que timidamente, um embrião de curso acadêmico de artes plásticas[1], com a autorização de criação de uma Escola de Artes junto ao Instituto Livre de Belas Artes do Rio Grande do Sul (IBA), este fundado em 1908 com o curso de música[2]. A partir dali, a referência institucional maior no campo das artes plásticas no estado começou os seus primeiros passos, e levou um certo tempo até atingir o modelo acadêmico pretendido.

Na década de 1930, o IBA, já bem desenvolvido, exercia a sua plena influência, com o monopólio do ensino em artes plásticas. Um contraponto surgiu em 9 de agosto de 1938, com a fundação em Porto Alegre, por um corpo atuante de artistas de fora do âmbito do IBA, da Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa, a Chico Lisboa. Esta entidade foi criada como uma alternativa de ação ao IBA e, principalmente, com o objetivo específico de criar um espaço de exibição da produção local, por meio do salão de artes plásticas da associação – o primeiro Salão efetivo criado no RS com sequência de edições[3]. Tal fato talvez tenha feito o IBA, um ano depois, criar o próprio salão oficial da academia. Nos primeiros anos, a Associação Chico Lisboa teve em suas diretorias um perfil conservador, em oposição às linguagens mais modernas que já tinham lugar no IBA. Porém, aos poucos, professores do IBA passaram a participar das atividades e das diretorias da Chico Lisboa.

[Continua...]

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