Entrevista

Jair Krischke: um protagonista maior

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Jair Krischke: um protagonista maior Krischke atua junto à Unesco desde os anos 60 e preside o Movimento de Justiça e Direitos Humanos | Fotos: Mirian Fichtner/Matinal

Ser testemunha ocular da história do Brasil e participar ativamente dos principais acontecimentos políticos do país há mais de meio século é um feito de poucos cidadãos. Entre eles está Jair Krischke, nascido em 1938, em Porto Alegre, onde se criou e sempre viveu. É casado, pai de cinco filhos, com 12 netos e 14 bisnetos. Desde os anos 60, atua junto à Unesco, no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e é presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH). 

Entre as muitas homenagens, comendas e honrarias que já recebeu mundo afora, ao longo de sua trajetória, estão o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unissinos) e a Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, concedida pelo Senado por ter salvo, com seu trabalho, em defesa dos direitos humanos mais de 2 mil pessoas. Além disso, mesmo não sendo advogado, Krischke é integrante da Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto da OAB-RS.

Jair Krischke ainda muito jovem conheceu (e foi influenciado por) Alberto Pasqualini. Participou ativamente, em 1961, da Campanha pela Legalidade, combateu o Golpe Militar em 1964 e depois liderou várias ações contra a ditadura militar implantada no Brasil. Nesse período salvou da tortura e da morte inúmeros presos políticos e evitou centenas de prisões. Criticou a falsa transição democrática, que chamou de “transação”, e a anistia irrestrita que beneficiou militares e torturadores. Teve atuação decisiva no esclarecimento do sequestro de Lilian Celiberti e Universindo Diaz, ocorrido em Porto Alegre, em novembro de 1978, e ajudou a enterrar o AI–5, em dezembro de 1978. 

Esteve na linha de frente pela campanha das Diretas Já, na luta pela Constituinte Livre e Soberana, da Reforma Agrária e da revogação de todas as leis de exceção em vigência no país. No início dos anos 80, ao lado do padre Albano Trinks, implementou um trabalho com Associações de Moradores, nas vilas de Porto Alegre, além de criar com o jornalista Carlos Alberto Koleckza, o jornal Denúncia, de oposição ao regime militar.

Nesta entrevista exclusiva para a Parêntese, concedida para o editor Luís Augusto Fischer e este repórter, ele fala de todos esses assuntos e muito mais. Faz revelações, como a sua amizade e cumplicidade com o pai do editor da nossa revista, quando escondiam presos políticos aqui em Porto Alegre, naqueles anos duros. Também nos fala de fatos recentes da nossa história: a violência absurda que tomou conta do Brasil, o surgimento do bolsonarismo, a extrema direita tomando o lugar da direita, as lutas dos povos originários, a crise climática, o movimento LGBTQIA+, o racismo, a falta de memória do nosso povo, a tentativa do golpe de 8 de janeiro, assim como o julgamentos dos militares brasileiros na Argentina pela participação na Operação Condor, onde atua neste momento, ao lado do prêmio Nobel da paz Adolfo Pérez Esquivel. 

Decidimos publicar este depoimento histórico na íntegra e, para isso, a entrevista foi editada em duas partes, disponíveis abaixo.

Parte 1:

Parte 2:

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