Porto Alegre: uma biografia musical

Radamés Gnattali, terceira parte – Capítulo XXX

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Radamés Gnattali, terceira parte – Capítulo XXX Pixinguinha e Radamés
Estávamos em 1932.Aos 26 anos, Radamés assina seu primeiro contrato com uma gravadora, a RCA Victor. E justamente para tocar sob as ordens de seu maior ídolo depois de Ernesto Nazareth. Ele era agora o pianista das três orquestras dirigidas na RCA por ninguém menos que Pixinguinha: a Diabos do Céu, a Típica Victor e a Guarda Velha. Paralelo a isso, segue nas orquestras de baile, tenta umas poucas experiências musicando teatro de revista ou peças teatrais, mas acha melhores empregos é no rádio. Começa na Rádio Clube do Brasil, passa pela Mayrink Veiga, Gazeta, Cajuti e Transmissora. E então, a Rádio Nacional. No dia 12 de setembro do mesmo 1936 em que faz 30 anos e nasce seu primeiro filho – Alexandre, como o tio e o avô – ele é uma das atrações da inauguração da emissora. Estreia como pianista da orquestra típica de tango, para logo em seguida assumir o mesmo posto na jazz band e na orquestra de salão. Será ali que Radamés construirá sua fama por 33 anos de serviços prestados à emissora – de 1936 a 1969. Sempre no posto de maestro mais importante da rádio que, em 1940, seria encampada pelo governo Vargas e se transformaria no maior fenômeno radiofônico da história brasileira. Também pudera: Almirante e Lamartine Babo dirigiam programas, os maestros eram Radamés, Lyrio Panicalli e Leo Peracchi, o time de cantorase cantores tinha todo mundo e o escrete de instrumentistas contava, por exemplo, com Garoto, Bola Sete, Dilermando Reis e Zé Menezes. Isso só nas cordas dedilhadas. Some-se a isso todas as radionovelas, o Repórter Esso e por aí vamos. Falaremos muito na Nacional. De volta ao tema gravações e à RCA, em 1937 Radamés lança seu primeiro disco como titular, à frente do TrioCarioca. Ele no piano, Luciano Perrone na bateria, e o sax e clarinete de Luís Americano – Luís que já havia gravado sua Serenata no Joá três anos antes. O grupo fora montado por encomenda de Mister Evans, o todo-poderoso diretor americano da RCA brasileira, e tinha, não por acaso, a mesma formação do grupo que o então popularíssimo clarinetista estadunidense Benny Goodman havia montado paralelamente a sua big band. O Trio Carioca gravaria um único 78rpm. Mas que disco! Estão ali dois choros de Radamés, Recordando e Cabuloso. Se o primeiro já tem as suas surpresinhas, o segundo é até hoje definível por seu nome: cabuloso! Cheio de inovações melódicas e harmônicas, com um inédito solo de bateria, Cabuloso está décadas à frente de qualquer outro choro composto até então, num frescor mantido intacto oito décadas depois.  Gnattali se colocava ali na vanguarda da música popular brasileira. Pela primeira de muitas vezes. A segunda veio no mesmo 1937. Radamés, para Zuza Homem de Mello, no programa de rádio de Zuza, em 1984: Naquele tempo da Rádio Nacional, a música brasileira para os cantores era feita só com conjunto regional. Era o conjunto do Dante Santoro. A gente tocava jazz, tango, música de salão, música sinfônica… menos música brasileira. […]

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