Série As Origens

Radamés Gnattali, segunda parte – Capítulo XXIX

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Radamés Gnattali, segunda parte – Capítulo XXIX Segundo Tom Jobim, esse menino aí seguiu tomando chimarrão pela vida afora.
Estávamos em Radamés, aos 18 anos, no Rio, deslumbrado com a possibilidade de ficar tão próximo de seu maior herói na música popular, Ernesto Nazareth. Essa foi uma das principais motivações para que ele desse um jeito de ficar um pouco mais na capital federal. Comprou um lote de partituras de Nazareth e as incluiu no seu intenso repertório de estudos. Morava numa pensão na rua Larga e só saía dali para ir espiar Ernesto na Casa Carlos Wehrs, prestando muita atenção em como o compositor interpretava essas mesmas partituras. Depois de uns seis meses tomou coragem e foi conversar. Chegou, disse que era um devoto admirador e tocou, tocou e tocou o repertório nazaretiano para seu próprio compositor. Ganhou total aprovação. A partir dali, segundo muitos, Radamés seria, para sempre, o maior intérprete de Ernesto Nazareth.  Pode ser, pode não ser o melhor.  Mas foi o único diplomado de fato pelo próprio compositor. Esse profundo enamoramento popular não atrapalhava o desempenho do concertista em ascensão. Na noite de 31 de julho de 1924, por exemplo, o sucesso foi grande.  Instituto Nacional de Música. Salão lotado, plateia seleta, alguns dos mais importantes críticos musicais cariocas ansiosos para ver o pupilo de Guilherme Fontainha. No dia seguinte, sai n´O Jornal:  A execução teve certa grandeza que só os intérpretes privilegiados podem imprimir (…) O estreante de ontem tem dezoito anos e a intrepidez dos que não conhecem o medo dessa pavorosa entidade misteriosa que é o grande público… Se tivesse pai rico, estava feito. Era só insistir uns 10 anos que conseguiria começar a ganhar dinheiro como concertista e recitalista erudito. Mas não era assim. Ele mesmo contou numa entrevista da década de 1970: Eu tenho muita inveja desses pianistas todos, como o (Arnaldo) Estrella, o (Arthur) Moreira Lima, esses pianistas todos que vivem disso, porque o que eu gosto, mesmo, é de tocar piano. Mas para isso tem que se estudar, no mínimo, oito horas por dia, não se preocupar em ter que trabalhar para ganhar dinheiro.  Eu gostaria de ser um grande pianista. Não ajudou muito o fato de que, um ano depois desse concerto carioca, tomasse pau de parte da crítica repetindo o mesmo programa do ano anterior (Liszt e um dos filhos de Bach). Foi num recital no Conservatório Dramático Musical de São Paulo, que era dirigido por Mário de Andrade.  Opinião da crítica, registre-se, não compartilhada por Fontainha, que telegrafou empolgado para a família Gnattali:  Grande triumpho concerto hontem. Mas Radamés acabou voltando para Porto Alegre, para a mesma vidinha de dar aulas de piano e tocar para os outros se divertirem em cinemas e bailes. Pouco antes, como vimos noutro capítulo, o também jovem prodígio – da flauta – Dante Santoro tinha tentado o Rio de Janeiro e voltado do mesmo jeito.  O Quarteto Henrique Oswald. Sim, tem cinco na foto. Era um contrabaixista no reforço. O filho do seu Alessandro Gnattali não se separava dos irmãos Cosme. Já tinham um bloco de carnaval, mas resolveram montar também um quarteto de cordas. […]

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