Quadrinhos em revista

Santiago: entre o regional e o universal

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Santiago: entre o regional e o universal Personagem Macanudo Taurino Fagundes (detalhe)

Setembro: esse é o momento em que este texto está sendo escrito e finalizado – mês de início de Primavera e do meu aniversário. É o mês em que escolhi comemorar, também, o primeiro ano da nossa seção “Quadrinhos em revista” aqui na Parêntese. Uma escolha que tem um bom motivo: desde que estreou, em 4 de julho de 2020, este espaço, que tinha o intuito de ser mensal, teve dois meses de hiato, chegando apenas agora, no mês de Setembro de 2021, a completar 12 edições. Uma dúzia de meses (e textos) depois, podemos, enfim, fechar esse primeiro ciclo de existência. E para ficar ainda no âmbito das comemorações, o tema da “Quadrinhos em revista” nº 12 é outro virginiano e aniversariante do mês: Neltair Rebés Abreu – mais conhecido como Santiago.

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História de uma página do livro A Menina do Circo Tibúrcio, de Santiago.

Pra começo de conversa, Santiago é meu vizinho. E quando escrevo “vizinho” é porque encontro ele de fato – e com frequência – pelas calçadas do bairro onde moramos, caminhando a esmo pela rua, na mesa ao lado de um restaurante ou outro ou, ainda, escolhendo frutas e legumes no setor de hortifrúti do supermercado. É um dado talvez sem importância pra muita gente, mas que para mim soa meio bizarro, dada a admiração que tenho por todo o trabalho desse cara, que considero muitas vezes genial. 

Antes do Santiago, no entanto, havia o Neltair: no início de sua trajetória como cartunista, em jornais universitários, o autor utilizava ainda o nome de batismo, que seria deixado de lado de vez a partir das primeiras publicações na grande imprensa. Um dos primeiros trabalhos de destaque de Santiago surgiu no Quadrão, suplemento encartado na Folha da Manhã que era editado por Edgar Vasques e José Guaraci Fraga. Dessa aparição no caderno, na sessão “Santo de Casa”, o cartunista passou a repetir participações esporádicas até que foi contratado pela Folha da Tarde, passando, então, a integrar o time de cartunistas e chargistas da Companhia Jornalística Caldas Júnior. 

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Quadrão na Folha da Manhã de 12 de Outubro de 1974; à direita, junto a um dos primeiros trabalhos de Santiago na imprensa, pode ser lida uma descrição superlativa: “Um santo de casa que aparece não como lançamento, mas como inspiração para novos humoristas…” (segundo Santiago, o texto é de autoria de Edgar Vasques, que também foi o grande incentivador para que Neltair adotasse de vez o “nome de guerra” pelo qual ficaria conhecido no cartunismo).

Antes, porém, em 1973, Santiago ingressara no efervescente círculo acadêmico da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), um polo agregador de lideranças políticas estudantis por onde também circulavam figuras que seriam expoentes das artes em Porto Alegre. “Eu pensei que teria um escritório de arquitetura e terminei criando um escritório de anarquitetura (…), entrei na Arquitetura pensando que ia ser um construtor e terminei virando um desconstrutor”, brinca Santiago em depoimento no curta metragem Cidades Redesenhadas, de 2012, de Liliana Sulzbach e Cesar Graeff Santos (produzido para o Canal Futura e disponível no YouTube). Em meio ao contexto acadêmico, Santiago já demonstrava a verve satírica e provocativa de seu trabalho, como numa charge para o jornal Construção, da Faculdade de Engenharia da UFRGS, que satirizava a figura de Dom Pedro I em meio às comemorações do sesquicentenário da Independência – o que levou o jornal a parar no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), aparelho de repressão e censura dos tempos da Ditadura Militar.

[Continua...]

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